Ao invés de mentir para a sociedade brasileira, Appolinário da Polishop deveria se explicar em relação à briga com CNCCB


Comitê de coordenadores estaduais ameaça parar produção do Miss Brasil 2017

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Organização Miss Brasil Universo/Divulgação/26.03.2017
Ele é o irresponsável à direita da foto com finalistas do Miss São Paulo 2017 e outros diretores da organização cambaleante do Miss Brasil, que parece perder a batalha para os cupinchas da Globo


A falácia do empresário João Appolinário, fundador e CEO da Polishop, de que estaria “adiantando o calendário” das 26 etapas estaduais que ainda restam do Miss Brasil 2017, em pleno Miss São Paulo, no sábado passado, estarreceu o país. Com uma avalanche de reclamações nos Procons estaduais que não para de crescer, a empresa de Appolinário mentiu ao dizer que “os concursos estaduais estão a todo vapor”. Não estão. Uma prova está na baixíssima quantidade de candidatas inscritas para cinco desses concursos – Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e Tocantins. Apenas uma candidata foi inscrita em cada certame, levando-se em conta a marcação do concurso para agosto. A produção dos concursos estaduais está parada nessas regiões. Culpa de uma briga entre o CNCCB (Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza), que ameaça romper com a Polishop e o Grupo Bandeirantes de Comunicação, impedindo inclusive as transmissões dos concursos estaduais que ainda serão realizados sabe se lá até quando. Esse é um pepinaço do qual a diretora geral do Miss Brasil, Karina Ades, terá de lidar a partir desta segunda-feira (3), quando começa oficialmente o trabalho de preparação do resto do ciclo de concursos estaduais da etapa brasileira do Miss Universo 2017.
Com sua diretoria reduzida a escombros, o CNCCB presidido pelo coordenador do Miss Amazonas, Lucius Gonçalves, tenta barrar as transmissões dos concursos estaduais que a Band pretende fazer após a realização do Miss São Paulo 2017. A entidade quer da Polishop um percentual de participação nos ganhos obtidos pela empresa de televendas com produtos relacionados ao Miss Brasil. O rombo nos cofres do CNCCB, que diz ser uma entidade “sem fins lucrativos”, passa dos R$ 800 mil. E pode se tornar maior caso a Polishop não pague o que deve ao CNCCB pelas transmissões dos concursos da Bahia, Ceará, Goiás, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os nove que a Band transmitiu fora o Miss São Paulo durante o ciclo do Miss Brasil 2016. Caso a Polishop não pague a dívida que tem junto ao CNCCB, a entrada de câmeras da Band no recinto da casa de recepções Oliveira’s Place, que receberá o concurso Miss Goiás 2017, no próximo dia 18, será proibida.
Em vez de inventar que está trabalhando para adiantar as datas dos concursos estaduais do Miss Brasil 2017, João Appolinário da Polishop deveria explicar aos fãs de concursos de misses e à sociedade brasileira por que colocou na ilegalidade aparente uma entidade representativa dos coordenadores estaduais do Miss Brasil, que dão o melhor de seus esforços para proporcionar ao telespectador final e ao público final (imprensa e sites especializados em coberturas de festas e eventos). O segmento de concursos de beleza representa uma importante movimentação para o setor terciário de serviços e de eventos. E essa movimentação, a Polishop quer colocar nos seus bolsos, acabando com uma história de 62 anos, iniciada em 1955, quando foram realizados os primeiros concursos estaduais válidos pelo Miss Brasil, que credencia ao Miss Universo. Em nome do Deus Mercado Tom Brady do Lejeans do Grill do George Foreman, a Polishop trata o CNCCB como se fosse uma gatonet do PT, do PSOL, do PSTU, do PCdoB e da Rede Sustentabilidade da Marina Silva. O que o tubarão mercenário Appolinário faz com o CNCCB é mais ou menos o que a ditadura militar fazia com a UNE (União nacional dos Estudantes).
Para piorar a situação, a Polishop insiste na realização do Miss Brasil 2017 no dia 5 de agosto, data da qual o CNCCB é contra. Os coordenadores estaduais pedem da Polishop e da Band a realização do Miss Brasil 2017 no dia 26 de agosto. O Citibank Hall de São Paulo, a princípio, está preservado para sediar o concurso. Mas a dona do espaço, a empresa Time 4 Fun, quer da Organização Miss Brasil Universo uma data clara e definitiva, para que a reserva do espaço possa ser feita, para não atrapalhar outros compromissos de shows e outros eventos corporativos que já estão sendo agendados. Alguns já reservados até janeiro de 2018. A Band também trabalha com a data de 5 de agosto. Mais grave: numa flagrante demonstração de desrespeito à memória de Fabiane Niclotti, o Miss Rio Grande do Sul 2017, mais importante etapa estadual do ciclo do Miss Brasil 2017, sequer tem data agendada. Idem os concursos do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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