Para que serve mesmo o elefante branco e o trambolho do Comitê Nacional dos Coordenadores de Concursos de Beleza?


Entidade fez apenas uma reunião, em outubro de 2012, em Fortaleza

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Arte/TV em Análise Críticas


A inutilidade do Comitê Nacional de Coordenadores dos Concursos de Beleza (CNCCB/Brasil) tem se demonstrado desde sua fundação, em uma reunião realizada em um hotel de Fortaleza, no dia 28 de outubro de 2012, a única da entidade, destinada à eleição de sua diretoria e conselho. Desde então, um dos membros da diretoria morreu e outros nove integrantes deixaram suas coordenações estaduais respectivas, inclusive o gaúcho Evandro Hazzy, trocado em 2013 por um funcionário da Band, Carlos Totti, na coordenação do Miss Rio Grande do Sul, etapa estadual mais importante do Miss Brasil desde a ascensão do Estado como força missológica nacional a partir de 2004. Sem site oficial, nem rede social, o CNCCB sobrevive como um elemento inútil, nas mãos dos poucos coroneis que ainda controlam parcela dos 27 concursos estaduais válidos pelo Miss Brasil, etapa que credencia a representante brasileira no Miss Universo desde 1954.
Nas mãos do amazonense Lucius Gonçalves, a presidência do CNCCB se tornou inútil e ineficaz no dia 31 de outubro de 2015, quando a Polishop anunciou a aquisição dos ativos do Miss Brasil que pertenciam ao Grupo Bandeirantes de Comunicação. Foi na gestão de Lucius que implodiram os escândalos envolvendo vários de seus diretores, entre eles o sergipano Deivide Barbosa, expulso da coordenação do concurso de miss de seu Estado por suspeita de fraude no Miss Sergipe 2015. A Enter, empresa de eventos já extinta da Band, organizou às pressas uma seletiva que indicou a nova representante de Sergipe para o Miss Brasil 2015. Com a Polishop já na posse do Miss Brasil, estourou outra bomba no CNCCB: a da prática de racismo por parte do coordenador do concurso do Piauí, Nelito Marques, contra uma competidora do Miss Piauí 2016.
Uma das pretensas atividades do CNCCB que jamais foi realizada era o I Encontro de Coordenadores de Concursos de Beleza, que estava marcado para Manaus e deveria contra com a presença de Osmel Sousa, coordenador do Miss Venezuela. O Comitê de coordenadores, na única notícia que saiu na imprensa, se descrevia como uma “sociedade civil, sem fins lucrativos, constituída de pessoas físicas e jurídicas, todos seus membros exercem atividades relacionadas a Concursos de Belezas por todo o Brasil, em niveis municipais, estaduais, nacionais e internacionais”. “Entre as atribuições do comitê, está reunir os membros para apoiar a realização dos concursos de beleza, miss ou eventos similares e promover a publicidade e pesquisa das competições”, completava a nota, publicada pela Band em 9 de novembro de 2012. O CNCCB não promoveu reunião alguma, tampouco promoveu publicidade ou pesquisa alguma dos concursos filiados à entidade, todos ligados ao Miss Brasil do Miss Universo. Osmel Sousa jamais veio ao Brasil.
A formação da diretoria e do conselho do CNCCB, desnudada em matéria do TV em Análise Críticas publicada na sexta-feira (31/3), era esta:

DIRETORIA

Presidente – Lucius Gonçalves (AM)
Vice-presidente – Jorlene Cordeiro (CE)(**)
Diretor Financeiro – Marcio Matos (AL)
Diretor Administrativo – Pedro Neto (PB)(**)
Diretora de Relações Internacionais – Melissa Tamaciro (MS)(**)
Diretor de Relações Institucionais – Wall Barionuevo (PR)
Diretora de Ensino, História, Pesquisa e Extensão – Fátima Abranches (GO)
Diretor de Eventos – Herculano Silva (PA)(***)

CONSELHO

Conselheiro Consultivo – Daivede Emanuel Barbosa (SE)(***)
Conselheiro Fiscal – Alziro de Freitas (TO)(**)
Conselheira de Ética – Jô Rodrigues (RR)(**)
Conselheira Região Norte – Meire Manaus (AC)
Conselheiro Região Nordeste – Marcio Prado (MA)
Conselheiro Região Centroeste – Cloves Nunes (DF)(*)
Conselheiro Região Sul – Evandro Hazzy (RS)(**)
Conselheira Região Sudeste – Susana Cardoso (RJ)(**)

(*)Já falecido
(**)Renunciou à coordenação estadual
(***)Destituído da coordenação estadual

De acordo com a nota da Band, a iniciativa da fundação do CNCCB era “Inédita em caráter mundial”. Não é verdade: desde 2011, coordenadores estaduais do Miss USA já tinham constituído comitê semelhante, para fortalecer aí sim os laços de interação entre as coordenações estaduais, não torná-las espelho de escândalos de corrupção eleitoral, facilitação à prostituição, corrupção de menores, compra de votos de jurados, advocacia administrativa, estelionato, peculato, fraude e formação de quadrilha. Embora questionável pelas denúncias de corrupção, a vitória de Olivia Culpo no Miss Universo 2012 foi resultado do trabalho de pesquisa e dos sucessivos meetings de coordenadores estaduais do Miss USA, que contemplaram Rhode Osland, Connecticut, Nevada e Oklahoma, fora o Distrito de Columbia da militar da Reserva do Exército Deshauna Barber, a Califórnia de Alyssa Campanella e o Michigan da imigrante libanesa Rima Fakih. Aquela mesma que o Donald Trump quer deportar devido à sua religião muçulmana.
A “iniciativa pioneira” do Miss Brasil também acontece na Índia e na Venezuela, que juntas conseguiram nove títulos de Miss Universo durante o jejum brasileiro de títulos, vigente desde 1968. Na Colômbia, que enfrentou uma seca de 56 anos sem títulos de Miss Universo, as reuniões de coordenadores estaduais do Concurso Nacional de Belleza são constantes. No México, as reuniões de coordenadores estaduais são organizadas pela Televisa, emissora promotora do Nuestra Belleza Mexico. Em miúdos, a quadrilha de Lucius Gonçalves quer é mentir para você, fã de concursos de misses. Fazer de conta que somos um país desenvolvido em concursos de beleza, quando na verdade estmaos anos luz aquém de Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Índia, que conseguiram os resultados do Miss Universo ancoradas na comunicação constante entre os coordenadores locais, não no toma lá da cá de manipulações e segredos e mentiras que a imprensa livre vem se encarregando de desmascarar.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Para que serve mesmo o elefante branco e o trambolho do Comitê Nacional dos Coordenadores de Concursos de Beleza?

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