Polishop involui em seu segundo ano no Miss Brasil e não marca as datas de todos os 27 concursos estaduais


Desorganização pode encerrar ciclo de classificações consecutivas no Miss Universo iniciado em 2011

Da redação TV em Análise

Ted Alibe/AFP/Getty Images/29.01.2017


A irresponsabilidade da Polishop na organização do ciclo de concursos estaduais do Miss Brasil 2017 começa a se mostrar patente quando a empresa não liberou o cronograma completo dos 27 concursos estaduais, como fez no ano passado. À ocasião, a ideia agradou em cheio missólogos e especialistas de concursos de beleza. Mas a incompetência de alguns coordenadores, mais ácidos em encherem os seus próprios bolsos do que dar os lucros dos certames para a Polishop, fez com que alguns concursos acabassem adiados ou, como no caso do Rio de Janeiro, sumissem do mapa.
Na prática, a Polishop contrariou um discurso que prometia a manutenção dos concursos estaduais. Além do Rio, acabou com os certames de Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Tocantins e corre o risco de fazer o mesmo no Pará e no Distrito Federal. Reportagem publicada pelo TV em Análise Críticas na segunda-feira (20) demonstrou que das 27 coordenações, apenas 13 (ou 48,14% do total) tinham marcado as datas de seus certames. O restante das coordenações ficou refém das vontades da quadrilha de João Appolinário e Karina Ades, que quer impor o “padrão Band” a Estados sem nenhuma tradição no Miss Brasil, como Roraima (cujo concurso estadual, quando acontece, não é televisionado) e Piauí (que voltará a ter seu concurso transmitido depois de seis anos).
A marcação antecipada das datas dos concursos estaduais acabou por beneficiar uma baiana moradora de Umuarama (561 km ao noroeste de Curitiba, capital do “Paraná do Sérgio Moro”, citado pelo então deputado e hoje ministro da Justiça, Osmar Serraglio, 68, no voto que deu a favor do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Serraglio hoje está metido no centro do escândalo da Operação Carne Fraca, que já causou 200 demissões em frigoríficos da região metropolitana da capital paranaense). Raíssa Santana, à época com 20 anos, levou a faixa de Miss Paraná não como consequência de uma luta pessoal, mas de uma conjunção de fatores que a Polishop deu no Manual de Ética e Operações do Miss Brasil repassado aos 27 coordenadores estaduais. O planejamento antecipado dos estaduais do Miss Brasil 2016 fez o Paraná sair de uma seca de duas décadas sem títulos nacionais. E, em três décadas, dar ao quadro de finalistas uma alta concentração de negras – duas das três. A outra classificada foi a maranhense Deise D’anne, então com 26. Logo do Maranhão que em 2014 se livrara de cinco décadas de atraso da oligarquia da família Sarney e de seu esquema político, que atirou o Estado aos mais aviltantes indicadores sociais do país.

Fotos Robert Deutsch/USA Today/28.02.2016 e Miss Bahia/Divulgação/02.10.2016

No ciclo de estaduais do Miss Brasil 2016, a frase “Oscar’s so white” proferida pelo comediante Chris Rock na abertura dos Prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood perdeu o sentido: seis das 27 candidatas eram afrodescendentes. Fora Raíssa e Deise, estavam nesse bojo a capixaba Beatriz Leite, a rondonianse Mariane Theol, a paulista Sabrina de Paiva que encerra reinado neste sábado (25) e a baiana Victoria Esteves, promovida ao título estadual após a vencedora original anunciar que estava grávida. Com a organização parcial das datas do Miss Brasil 2017, feita pelas próprias coordenações estaduais e barrada pela Polishop após a divulgação das informações das datas pelo Críticas, teme-se que um legado de seis anos de classificações consecutivas, iniciado em 2011, quando o Miss Universo ocorreu no Brasil, venha a se perder nas mãos da nova dona do Miss Brasil e da concessão do concurso internacional para o país. A seguir cenas dos próximos capítulos.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s