As lições que a coordenação enganosa do Miss Brasil precisa tomar com o sucesso de Sylvie Tellier, coordenadora do Miss França, nas edições do Miss Universo realizadas desde 2009


Martel, Mittenaere, Procon

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Patrick Kowarik/AFP/Getty Images/17.03.2017


Não faz nem um ano e meio que João Appolinario assumiu o controle do concurso de Miss Brasil, sem nem tocar na concessão do Miss Universo pertencente à Band, e já vem o primeiro fardo maldito que a nova administração do concurso nacional tem de enfrentar: o avanço avassalador da França como potência emergente do principal concurso de beleza do mundo. Desde 2008, quando a Miss França 2001 Sylvie Tellier, 38, assumiu a coordenação do Miss França, o país europeu acumulou sete classificações não consecutivas, em ciclos que foram de 2009 a 2012 e 2014 a 2016, resultando na eleição de Iris Mittenaere no dia 30 de janeiro. Em igual período, o Brasil e suas coordenações mutantes teve seis classificações consecutivas, registradas de 2011 (quando sediou o concurso) a 2016.
A desvantagem brasileira ante a França de Tellier desde 2008 está em três desclassificações contra apenas duas da pátria de Mittenaere e de Christiane Martel, primeira francesa a levar o título de Miss Universo em 1953, na segunda edição do certame, em Long Beach. Quando Natália Guimarães obteve o segundo lugar, Tellier ainda não era coordenadora do Miss França. Só aceitou a função dados os sucessivos descalabros de Geneviève de Fontenay, 84, que afundou a França numa larga depressão de oito anos sem classificações e meteu o concurso nacional no olho de um furacão. Coube a Tellier salvar a imagem do Miss França do desgaste causado pelas fotos de Valérie Bégue para uma revista masculina, ferindo os regulamentos do Miss Universo e Miss Mundo e inabilitando-a para as disputas internacionais.
Foi na gestão de Sylvie Tellier, candidata eleita na gestão de Geneviève, que a França começou a melhorar seus resultados no Mis Universo. Saiu de um obscurantismo de apenas 12 classificações para 19 após a coroação de Mittenaere em Pasay como Miss Universo 2016. De acordo com um quadro publicado pelo TV em Análise Críticas no dia 5 de fevereiro, a França tem o 19º melhor aproveitamento de classificações entre os países que tem ao menos um título de Miss Universo. Na Europa, fica atrás da Suécia, Rússia, Noruega, Alemanha e Espanha.
Nas mãos da Polishop, o Miss Brasil evitou um desastre maior em Manila ao classificar a baiana Raíssa Santana entre as 13 semifinalistas, apesar de o Paraná dos Animais Fantásticos da Operação Lava Jato dessa P… Toda Estancada pelo PMDB do Temer e do Jucá reivindicar sua autoria. Ainda está no início, mas a nova direção do Miss Brasil precisa sim buscar subsídios junto a Tellier para dar à concorrente de Joseane Oliveira no Miss Universo 2002 uma resposta à altura de seu sucesso recente como coordenadora. E que as provocações comecem de ambos os lados. Para o Brasil encerrar a seca de 49 anos sem títulos de Miss Universo, o consórcio formado pela Polishop, Ford Models, Band e IMG Universe precisa encontrar na França o exemplo que necessita para manter inabalado o ritmo de classificações no resto dos anos 2010. E nos anos 2020.
No entanto, a nódoa de mais de 200 reclamações nos Procons estaduais até o ano passado mancha um pouco a reputação da Polishop enquanto empresa coordenadora do Miss Brasil, sob licença da Band, avalizada pela Miss Universe Organization. Ter uma empresa que está entre as 20 mais reclamadas no Procon de Taubaté não é credencial que se apresente a Tellier, quanto mais oferecer à ex-miss França um bife estragado da Friboi com papelão. As luzes da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17) jogam contra a Polishop e lhe acendem um alerta de não trapacear o consumidor.
Adendo: A coordenação do Miss Brasil não pertence a Appolinario nem à Polishop, mas a uma funcionária do Grupo Bandeirantes de Comunicação, a cineasta Karina Ades, diretora do canal de intelectuais Arte 1, o mesmo para onde o diretor da extinta Enter, Caio Luiz de Carvalho, foi relocado em 2015

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/24.09.2016

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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