Assunto da semana: Onde está Frank Underwood?


Paramount passa a borracha em Spacey e Wright em House of Cards

Melinda Sue Gordon/Knight Takes King Prod./Netflix/Divulgação


Podem até dizer que estou errado, mas juro que vi com meus próprios olhos: o Paramount Channel apresentou na noite da terça-feira (14) uma abertura de House of Cards com os nomes dos atores Kevin Spacey e Robin Wright suprimidos. Basta comparar com o vídeo original da abertura do episódio 1 ou 2 (pouco me importa), ambos da direção de David Finch, que levou em 2013 seu Primetime Emmy de direção em série dramática, a despeito de estar ausente da festa de número 65 do “Oscar do horário nobre americano”. Photoshop?

Melinda Sue Gordon/Knight Takes King Prod./Netflix/Divulgação

Achei muita falta de respeito terem tratado os nomes de Spacey, intérprete do líder da maioria democrata na Casa de Representantes Frank Underwood, e de Wrught, que faz o papel da esposa de Frank, Claire como nuvens esparsas no céu de Washington. Culpa da distribuidora da série? Não sei. Mas alguma mão grande (acredito que das dificuldades que a Netflix impôs para a negociação dos direitos de televisão) agiu para passar a borracha. Estragou um pouco o prazer de assistir a uma trama de alta qualidade e bem escrita.
Reclamação à parte, a estreia de House of Cards em televisão com um atraso de quatro anos impressionou até mesmo quem não tem acesso à Netflix, tida pelas operadoras e programadoras de TV por assinatura como uma chaga danosa às suas sobrevivências financeiras. A cena da posse ficcional em nada lembra os gritos de resistência na posse do fanfarrão Donald Trump no dia 20 de janeiro. Trocou-se a baboseira vazia pelo discurso convincente. Pena que tenha acontecido apenas na ficção, e com um grande atraso.
Tanto na festa de vitória quanto numa casa de sanduíches, Frank olha para a câmera como se estivesse à frente de um pseudodocumentário, sem os tons humorísticos de praxe. “Bem vindo a Washington”, sinalizou o personagem de Spacey que lhe deu até aqui quatro indicações ao Primetime Emmy. E nenhuma vitória. A resistência da TV tradicional a House of Cards tem se mostrado malévola no Emmy, mas Spacey sempre sai do SAG Awards com um consolo dado por seus confrades. Sinal de que a queda de braço apenas começou. Até sábado.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no sábado (18/3)

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Coluna da Semana, Séries e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s