Ciclo de concursos internacionais de beleza feminina de 2017 vai exigir maior atenção de nossas redes abertas de televisão


Há 15 anos no meio, Band precisa aplicar à suas coberturas de Miss Universo o mesmo tratamento dado ao esporte

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Captura de tela/Band/29.01.2017


Com larga tradição de coberturas in loco no esporte, as emissoras brasileiras detentoras dos direitos de transmissão dos dois principais concursos de beleza do mundo – Miss Universo (Bandeirantes, desde 2003) e Miss Mundo (Rede Brasil, desde 2016) – tem que ter em mente que concurso de beleza que se compra é para ter o mesmo tratamento de eventos esportivos. Não se deve prender o Projeto Miss seja de que bandeira for à cobertura de estúdio, com apresentadores e comentaristas convidados. Tem de se repensar essa mentalidade atrasada, que se arrasta desde 1971.
No caso da Rede Bandeirantes, ocorreram apenas duas ocasiões de se mandar equipe parcial para o país sede do certame. Em 2004, a emissora mandou para Quito (Equador) nove profissionais, entre repórteres, comentarista e produtores, fora o estafe da promotora de então do Miss Brasil, a Gaeta. Na Cidade do México, em 2007, a Band enviou para a cidade do México três profissionais de reportagem e produção. Todos estavam subordinados ao departamento de Esportes da emissora.
Com o DNA de suas transmissões esportivas entre Campeonatos Brasileiros e Estaduais de Futebol, Copas do Mundo e Olimpíadas de Verão e Inverno, a Band pouco tem usado desse recurso para cobrir o Miss Universo. Nas vezes que mobilizou repórteres de suas emissoras para acompanhar a torcida de nossas candidatas, a Band tem usado os melhores recursos possíveis para estabelecer uma ponte do Estado de competição da candidata com o país de realização da edição do Miss Universo em que competiu. Fez-se isso com Fabiane Niclotti (Quito, 2004), Natália Guimarães (Cidade do México, 2007), Larissa Costa (Nassau, 2009), Gabriela Markus (Las Vegas, 2012). Estabeleceu um elo entre nossas misses e suas famílias, independente de resultado.
Lamentavelmente, as sucessivas trocas de comando nos postos artísticos da Band, somados aos graves problemas financeiros, fizeram a emissora renegar a importância jornalística que deu ao Miss Universo em 2004 e 2007, com o envio de equipes completas de reportagem às cidades-sede do Miss Universo. No concurso de 2016, realizado há um mês em Pasay (região metropolitana de Manila), a Band enviou apenas a coordenadora nacional do Miss Brasil, Karina Ades, um representante do Miss Paraná e nenhum jornalista para conhecer as Filipinas. Poderia ter usado de seu talentoso e competente cast de repórteres especiais para produzir matérias turísticas sobre as Filipinas. Foi o expediente que levou o jornalista Herbert Moraes (hoje na Record) a produzir matérias sobre o Equador para o Jornal da Band, veiculadas após o Miss Universo 2004, realizado em 1º de junho.
(Não entra na conta desta matéria a vez que o Brasil sediou o Miss Universo, em 12 de setembro de 2011. Esta é uma outra história)

O drama da Rede Brasil para o Miss Mundo

No caso da minúscula Rede Brasil de Televisão, que assumiu os direitos do Miss Mundo em novembro passado, após cessão por parte do Grupo Record, ainda há muito o que se aprender em termos de cobertura e transmissão do segundo concurso de beleza mais importante do mundo. A emissora não tem contrato de satélite com a Embratel para transmissão de grandes eventos, o que obriga a gambiarras de Internet, como a verificada no concurso de 19 de dezembro. Como resultado, perdeu-se a coroação da porto-riquenha Stephanie del Valle. A Record, que tem os direitos de fato, deu uma nota coberta no Fala Brasil para não dizer que não deu nada.
Nesta altura, cobrar mais da Rede Brasil para poder fazer uma cobertura melhor do Miss Mundo 2017, com data e cidade ainda a serem definidos, é um exercício de irresponsabilidade. Não se deve cobrar de quem não tem estrutura para fazer uma cobertura melhor. O Concurso Nacional de Beleza é que precisa sim, rever sua parceria de mídia. Passar o Miss Mundo Brasil e o Miss Mundo para uma rede de maior audiência seria a saída mais recomendável. O mesmo deveria valer para o Miss Brasil e para o Miss Universo, mas a escravidão do patrocínio master da Polishop não permite.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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