Assunto da semana: Cinema verité feio e subdesenvolvido


Problema de Big Ltlle Lies para o Emmy é excesso de protagonistas

HBO/Divulgação


Não dá para aguentar tanta mulherada no elenco principal de Big Little Lies (HBO, domingo, 23h, 16 anos), a julgar de nomes da cepa de Nicole Kidman, Reese Witherspoon (vencedoras de ao menos um Oscar) e Shailene Woodley (ainda não chegou lá). Em se tratando de domingo de Oscar e de Carnaval, a colocação de tantas mulheres no elenco de uma dita minissérie – a HBO parece ter pensado isso após o erro de Vinyl no ano passado – a complexidade desse elenco feminino parece pesar bastante se pensarmos no Emmy.
Não estamos aqui para fazer sexismo em torno dessa ou daquela artista. Mas o samba-enredo que David E. Kelley (Ally McBeal) fez para Somebody’s Dead é mais complexo do que esses financiados por governos inclusive estrangeiros (alguns ditatoriais) para escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro (as que a Globo vai favorecer em detrimento do Oscar). É um alalaô de incompreensão, babaquice, asneira e coisa que o Luiz Bacci define como “programa para intelectual assistir na TV a cabo”. Desde que não seja da Polícia Militar.
Horrorosa, a abertura de Big Little Lies remete às mais mórbidas porcarias audiovisuais que o cinema brasileiro fez no início da década de 1980, sob o jugo da censura do general Figueiredo (1918-1999), que obrigava artistas a ir para Brasília encarar dramáticas reuniões no Departamento de Censura de Diversões Públicas (imagina se, em temo de muro na fronteira com o México, o Trump ressuscite essa aberração para intimidar os artistas do Partido Democrata). Pode até ser coisa de arte, mas no meu conceito passa longe disso.

HBO/Divulgação

Com tantas mulheres no elenco principal, acho difícil Big Little Lies ir para o 69º Primetime Emmy angariar disputa na área de série dramática. Deverá ser inscrita no grupo de minisséries ou telefilmes, mais fácil. É terreno que a mulher do cantor country neozelandês Keith Urban conhece muito bem. Hemingway e Gellhorn é um bom exemplo. Não considero Nicole ou Reese atrizes de séries regulares. A exceção é Shailene, egressa da eleitoreira A Vida Secreta de uma Adolescente Americana, para atacar Bristol Palin. Bom Carnaval.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no sábado (25/2)

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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