Marcha de descredenciamentos de coordenadores estaduais do Miss Brasil toma forma após Raíssa Santana acabar com ‘maldição asiática’ no Miss Universo 2016


Primeira baixa de coordenadores denunciados pelo Críticas é de Nelito Marques, que perde a concessão do concurso do Piauí

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

180graus/04.02.2017
Ele estava no ramo havia seis décadas, mas coordenava a etapa local do Miss Universo desde 1991


As direções da Polishop e do Grupo Bandeirantes de Comunicação decidiram passar a motosserra Husqvarna não vendida nos infomerciais da empresa de televendas para cima do colunista social Nelito Marques, 73, e cassaram-lhe a concessão do Miss Brasil para o Estado do Piauí, que estava em suas mãos desde 1991. A decisão foi tomada na sexta-feira (3), após o teor das denúncias contra Marques ter ganhado amplitude através de uma matéria do programa Conexão Repórter, do SBT, emissora da qual Marques tomou o Miss Piauí.
De acordo com o repórter Rômulo Rocha do portal 180graus, Marques fora chamado à sede da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, em São Paulo, pela diretora nacional do Miss Brasil, Karina Ades, por duas ocasiões, para tratar de assuntos atinentes à renovação de sua franquia e aos estragos que as acusações de racismo formuladas por uma candidata ao Miss Piauí 2016 trariam à instituição do Miss Brasil e à imagem da empresa patrocinadora. Nelito não compareceu e, assim que Karina voltou de Manila, onde acompanhou a Miss Brasil 2016 Raíssa Santana na disputa do titulo de Miss Universo 2016, determinou que a filial piauiense da Band, instalada há menos de um mês na zona sul de Teresina, assumisse a promoção do Miss Piauí já com a bandeira da marca de cosméticos Be Emotion, da Polishop, que possui loja em um shopping da capital piauiense.
A presença da Polishop em 26 das 27 capitais do país foi fator preponderante para que, no ciclo do Miss Brasil 2016, apenas dois Estados – Alagoas e Roraima – indicassem candidatas. A saída de Nelito do quadro de coordenadores do Miss Brasil bem um mês após o TV em Análise Críticas ter denunciado Nelito e outros 14 coordenadores e ex-coordenadores estaduais do Miss Brasil pela prática de vários delitos. Outros 14 coordenadores e ex-coordenadores estão na alça de mira da Organização Miss Brasil Universo, joint venture da Polishop com a Band, Ford Models Brasil e WME/IMG sob licença da Miss Universe Organization. Mesmo não tendo sido formalmente denunciados à Justiça, esses coordenadores estarão proibidos de usar o nome do Miss Brasil e do Miss Universo em seus Estados e estarão sujeitos aos processos que poderão vir a responder. A expulsão de Nelito do Miss Piauí é a primeira resposta da Organização Miss Brasil a uma ação que tramita na corte judiciária de Nova York que pede a suspensão do Brasil de participação do Miss Universo proposta por Camila Dias Mol, ex-concorrente ao título de Miss Sergipe 2015, que denunciou fraudes na etapa do Estado para o Miss Brasil 2015.
De acordo com fontes da Polishop e da Band, outros coordenadores estaduais deverão ser descredenciados paulatinamente, às medida que as acusações noticiadas pela imprensa tiverem sido comprovadas por firmas de investigação independente requisitadas a pedido da Miss Universe Organization. A presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart, determinou uma “rigorosa apuração” do que chamou de “malfeitos de elementos infiltrados na produção do Miss Brasil Universo” para “varrer do mapa aqueles que não atenderem aos princípios que norteiam a Organização e o Concurso de Beleza Miss Universo desde 1952”. O Brasil está na disputa desde 1954.
A participação do FBI (Birô Federal de Investigação, na sigla em inglês) e da Polícia Federal brasileira nas investigações sobre as denúncias nos concursos estaduais do Miss Brasil não está descartada, Paula Shugart disse acreditar que, “a partir das lições aprendidas com a Operação Lava Jato, inicie-se também uma ampla cruzada de moralização dos concursos regionais ligados ao Miss Brasil ligado ao Miss Universo e sua Organização”.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Marcha de descredenciamentos de coordenadores estaduais do Miss Brasil toma forma após Raíssa Santana acabar com ‘maldição asiática’ no Miss Universo 2016

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