Separada do programa do Miss Brasil, coordenação brasileira do concurso Miss Beleza Internacional virou uma algazarra


Único evento remanescente da Gaeta, concurso usa sobras de etapa nacional do Miss Universo

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Miss Rio Grande do Norte/Divulgação/01.09.2016
A mais recente foi a potiguar Manoella Alves


À margem da mídia desde 2006, a escolha das representantes brasileiras no concurso Miss Beleza Internacional virou um motivo de chacota entre os missólogos que acompanham o Miss Brasil válido pelo Miss Universo. Retirada do programa do Miss Brasil desde então, a definição das candidatas do Brasil ao Miss Beleza Internacional passou a ser feita longe dos olhos vigilantes da imprensa, que ainda tentava digerir as mudanças impostas no Miss Brasil desde sua retirada do SBT, em 1990, por pressupostos da Rede Globo de Televisão. Um deles é o empresário carioca Boanerges Gaeta Júnior, dono da concessão do Miss Beleza Internacional para o país desde 1981.
Quando o Miss Brasil voltou à televisão em 2002, o concurso já estava nos moldes de eleger as candidatas do país ao Miss Universo, Miss Mundo e o até então obscuro Miss Beleza Internacional. A chegada do Miss Brasil à Rede Bandeirantes, em 26 de abril de 2003, conferiu mais visibilidade a um concurso que àquela altura já vegetava midiaticamente na UTI, graças a uma tentativa de eutanásia causada pela Globo e seus Diários, Coronéis, Animais Noturnos, Marcolas e Emissoras (a Ela) Associados. Ou seja: na sombra, a Globo tramou as mudanças que tornaram o Miss Brasil irreconhecível em comparação ao período em que era organizado pelo Grupo Sílvio Santos (Record, 1981, e SBT, 1982-89). Instou um grupelho de colunistas sociais, representado pela Abracos, a arquitetar as mudanças que fossem de seu agrado (e também dos políticos, empresários e industriais que a apoiavam e ainda a apoiam), de modo que os concursos de misses apodrecessem nas gavetas e nos escaninhos de suas diretorias, que já tinham recebido a recomendação de só usar o concurso de Miss Universo “para consumo interno” e “não repercutir o concurso, em hipótese alguma, em seus noticiários’. Editores de jornais já tinham recebido recomendações da Globo (que, além da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Abert, mandava também na Associação Nacional de Jornais, ANJ, Associação Nacional dos Editores de Revistas, ANER, e Associação Brasileira de Jornais do Interior, Abrajori), para “trancar qualquer matéria relativa a concurso de miss”.
Com o Miss Brasil banido da mídia por ordem da Globo, a mídia neoliberal fabricou uma supermodelo denominada Gisele Bündchen, a ponto desta ocupar a capa da podre revista Veja em junho de 1999, um mês depois de Renata Fan ter tido sua participação no Miss Universo escondida dos noticiários a mando dos filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome próprio, assim como os criminosos do PCC e da Família do Norte – não a das quadrilhas de Arnaldo Jordy, Arthur Virgílio Neto e Jader Barbalho, mas os açougueiros dos presídios de Manaus e Boa Vista, no dia de Ano Novo, o dono do New England Patriots, o Deus Mercado Tom Brady e os assassinos de Marisa Letícia Casa Lula da Silva, instados nos órgãos de imprensa da Globo e na Seção Judiciária Federal do Estado do Paraná. Fabricada como “a ´número 1”, Bündchen enterrou o projeto de misses que o Brasil tinha no final do século 20 e abriu-lhe duras incertezas para a chegada do século 21. Até 2000, o Brasil amargava 32 anos sem vitórias no Miss Universo e no Miss Beleza Internacional e 29 no Miss Mundo. Atualizados, esses dados chegam a 49 e 36 anos, respectivamente.
Nas mãos da Gaeta Promoções e Eventos, a concessão brasileira do Miss Beleza Internacional virou uma das menos valiosas para o concurso sediado em Tóquio. De 1969 até agora, o país só enviou coadjuvantes – foram 22 classificações em 47 participações, o que equivale a um aproveitamento de 46,80%. A última candidata enviada pela Gaeta para o Miss Beleza Internacional, a potiguar Manoella Alves, 22, quarta colocada no Miss Brasil 2015, não se classificou entre as 15 semifinalistas do Miss Beleza Internacional 2016.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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