Reinado da francesa Iris Mittenaere como Miss Universo 2016 deverá ser marcado pela discrição típica de europeus


Franceses não são tão entusiastas de concursos de misses como os filipinos e seus ‘Pianatics’

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação/12.02.2017


Lembra daquela multidão fervorosa que foi às ruas de Manila recepcionar Pia Wurtzbach quando de sua vitória como Miss Universo 2015? Esquece. Para a sucessora de Pia, a francesa Iris Mittenaere, tal plano sequer passa nem pela sua cabeça. Os diretores da Miss Universe Organization agora estão aturdidos em lidar com o recato e a discrição europeias incomuns às vencedoras do Miss Universo nos últimos dez anos. Cenas como de multidões e multidinhas acolhendo as vencedoras do Miss Universo devem passar fora dos planos de Mittenater para seu reinado, restrito a semanas de moda e aparições em concursos nacionais que ainda não foram programadas.
A eleição presidencial que se avizinha deve obrigara Mittenaere a visitar seus familiares em Paris. Natural de Lille, Mittenaere dificilmente arranjará espaço na sua já complicada agenda de reinado para visitar sua cidade, uma das mais importantes da França. Os franceses preferem ver na televisão o concurso nacional (Miss França) ao Miss Universo, confinado desde 1992 num canal fechado – Paris Première, do grupo M6, concorrente da TF1, principal rede de televisão do país. No reinado de Pia, chegaram a exisitir quatro perfis no Facebook idolatrando a miss filipina. Na rede social, o silêncio sobre Mittenaere é aterrador. Restringe-se a seu perfil oficial da época de Miss França 2016.
Notoriamente, a maioria dos jornais franceses que noticiou a vitória de Mittenaere no Miss Universo é da região de Lille. Em Paris, apenas o Le Parisién deu capa ao feito, que encerrou o mais longo jejum de títulos de Miss Universo, que se arrastava desde 1953. Desde Christiane Martel, a França amargou 63 anos sem ver a cor da coroa. Como consequência, ocupa o 19º lugar de aproveitamento entre os países que levaram ao menos um título. Fica muito atrás de gigantes como Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Brasil.
Multidões fanáticas, lamentavelmente, ficarão fora das cenas a conferirmos do reinado de Iris Mittenaere como Miss Universo 2016. Ela preferirá as primeiras filas dos eventos a que for convidada ao cheiro das pessoas e sua afabilidade – qualidade essa notada no reinado de Pia. La Wurtzbach já está fazendo falta.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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