Assunto da semana: Rest in peace, música ianque de raiz


O assassinato deliberado da música country no 59º Grammy

Kevin Winter/Getty Images/12.02.2017


Com requintes de crueldade, o neozelandês Keith Urban e o americano Sturgill Simpson, que nada tem a ver com os Simpsons da animação nem com Jessica Simpson, prestaram um desserviço grosseiro à música country americana de raiz, transformando suas apresentações na 59ª festa de entrega do Grammy realizada no domingo (12) em prévias do que poderão apresentar em Lollapaloozas, Coachellas e assemelhados e não em feiras estaduais, onde o country verdadeiro impera. Basta perguntar à tia da Miley Cyrus.
Para quem esperava de tudo, inclusive coalhada de Willie Nelson com Fantasia Barrino do American Idol e os saudosos Paulo Francis, Janis Joplin, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald cantando Summertime dos irmãos George e Ira Gershwin, a submissão de Urban à música eletrônica com um pé no Daft Punk soou como agressão aos ouvidos. Carrie Underwood do mesmo Idol serviu de testemunha. Aliás, ela, Carrie, já se meteu a cantar música eletrônica? Estou rindo litros dessa baboseira a la Dodô e Osmar em versão kiwi. Meu Deus.
Nem precisa ser crítico de música para denotar outras barbaridades do Grammy 2017 no curso de seu show principal, dirigido por Louis J. Hornitz: Adele deixando vazar palavras de baixo calão na homenagem a George Michael, morto no dia de Natal (a festa cristã e o aniversário da capital do Rio Grande do Norte), a ponto de ter que se retratar ainda no ar, quando da aceitação da categoria final da noite, a de álbum do ano (25). Isso para não contar os impropérios de meia dúzia de rappers contra o presidente Donald Trump.

Kevin Mazur/Getty Images/12.02.2017

Na condução de outro inglês, James Corden, o Grammy 2017 encontrou ali o palhaço que lhe faltava. Ante Corden, LL Cool J (NCIS: Los Angeles) não passa de apresentador de festas de empresas – tem representante para tanto. Com o Carpool Karaoke improvisado, Corden deu ao Grammy o momento de graça e comédia do qual carecia. Ante Corden, LL Cool J não passava de leitor de textos prontos e fechados, exceto no dia em que Whitney Houston morreu. À ocasião, precisou fazer o Staples Center orar a Ave Maria. Até sábado.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no sábado (18/2))

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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