Classificação de Raíssa Santana em Pasay e Filipinas encerrou tabu brasileiro em edições do Miss Universo realizadas na Ásia


De 1974 a 2008, país teve nove tentativas malsucedidas de colocar candidatas entre as semifinalistas em sete países

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Francis R. Malasio/EPA/15.01.2017


A classificação da baiana/paranaense Raíssa Santana, 21, entre as 13 semifinalistas da 65ª edição do concurso de Miss Universo realizada há duas semanas na Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila), ajudou o Brasil a se livrar de uma praga que o incomodava nas suas participações em edições do certame realizadas na Ásia. Entre 1974 e 2008, nenhuma das nove candidatas que o país enviou se classificou entre as semifinalistas do Miss Universo nas edições realizadas no continente. A classificação de Raíssa foi resultado de sua forte identificação com os fãs filipinos, que finalmente descobriram uma candidata brasileira com potencial de classificação e título. E Raíssa tinha as duas virtudes.
Em outros continentes pelos quais o Miss Universo teve sedes desde o início de sua fase internacional, em 1972, o Brasil saiu da América do Norte até então com seis classificações obtidas em Long Beach de 1954 a 1959 e outras dez obtidas em Miami Beach em 1960, 1962 a 1965 e 1967 a 1971. Antes do primeiro concurso de Miss Universo fora dos Estados Unidos, realizado em Dorado (Porto Rico) no dia 29 de julho de 1972, o Brasil tinha acumulado um aproveitamento de 88,88% de classificações, que foi se depreciando com o passar do tempo. As viagens do Miss Universo de 1972 a 1980 fizeram o país ter apenas quatro classificações em nove participações, o que equivaleu a um aproveitamento de 44,44%. Nesse período, o Miss Universo teve três edições realizadas na Ásia – Pasay (21/7/1974), Hong Kong (11/7/1976) e Seul (8/7/1980). Em nenhuma das oportunidades, as candidatas do Brasil emplacaram classificação nessas cidades.
Nas décadas de 1980 e 1990, o aproveitamento brasileiro no Miss Universo se deteriorou à medida que o concurso nacional – Miss Brasil – era retirado da pauta da mídia a pedido da Rede Globo e de publicitários e políticos de esquerda a ela aliados, parte deles presos pela Operação Lava Jato. Das cinco vezes em que o Miss Universo ocorreu na América do Norte (Estados Unidos – Nova York 20/7/1981), Saint Louis 11/7/1983), Miami 9/7/1984 e 15/7/1985) – e México – Cancún 23/5/1989), o Brasil saiu com duas classificações, o que equivale a um aproveitamento de 40%. Na Ásia, o Miss Universo teve na década de 1980 as edições de Seul (8/7/1980), Cingapura (27/5/1987) e Taipé (24/5/1988). Em nenhuma oportunidade, as candidatas do Brasil se classificaram nessas cidades.

Reprodução/Misses na Pasarela
R.I.P., Kátia

Mesmo com o Miss Universo engavetado pela mídia ligada à Globo na década de 1990, o Brasil saiu do concurso no período com um aproveitamento de apenas 22,22% – duas classificações em nove participações entre 1991 e 1999. Nenhuma dessas classificações foi obtida nas edições do certame realizadas na Ásia – Bangcoc (8/5/1992) e Pasay (20/5/1994). Elas vieram dos concursos realizados na Cidade do México (21/5/1993) e Honolulu (12/5/1998). Nem nas duas edições do Miss Universo realizadas na Ásia – Bangcoc (31/5/2005) e Nha Trang (14/7/2008) – anteriores a Pasay 2016 o país conseguiu emplacar classificações entre as semifinalistas. Só agora, passados 42 anos da primeira edição do Miss Universo realizada na Ásia, é que os asiáticos, mesmo ausentes do júri preliminar, é que descobriram a força das misses brasileiras no Miss Universo. Justiça ainda que tardia à memória de Kátia Celestino Moretto (1958-2013), competidora do Miss Universo 1976, realizado em Hong Kong, então colônia inglesa na China. No gráfico abaixo, veja como ficou o desempenho de nossas candidatas ao Miss Universo por continente após a realização do Miss Universo 2016

 

Região Classificações Participações Aproveitamento (%)
América do Norte 24 34 70,58
América Central 4 9 44,44
América do Sul 2 3 66,66
Europa 2 3 66,66
África 0 1 0
Ásia 1 10 10
Oceania 2 2 100
Total 35 62 56,45

 

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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