Band vai para o 15º ano de Miss Brasil com a responsabilidade de produzir título de Miss Universo que SBT e os pressupostos da Globo não trouxeram nas décadas de 1980 e 1990


Aproveitamento de 64,28% nas edições do Miss Universo de 2003 a 2016 fica atrás apenas dos Diários Associados

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotomontagem/TV em Análise CDríticas


A Rede Bandeirantes entra em sua 15ª temporada de concursos de misses válidos pelo Miss Brasil e Miss Universo com uma marca que impressiona: das 14 misses Brasil que apoiou na disputa internacional desde 2003, nove conseguiram alguma forma de classificação entre as semifinalistas ou finalistas de edições do Miss Universo realizadas em seis países – Panamá, Estados Unidos, México, Brasil, Rússia e Filipinas, nos anos de 2003, 2006, 2007, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016. O aproveitamento das “misses da Band” no Miss Universo já supera o de todo o período do Grupo Sílvio Santos (TV Record e SBT), entre 1981 e 1989. Nesse período, as misses de Sílvio Santos voltaram do Miss Universo com quatro classificações em três países – Estados Unidos, Peru e Panamá, nos anos de 1981, 1982, 1985 e 1986. Nenhuma resultou em título.
Entre os grupos de mídia que apoiaram o Miss Brasil e o Miss Universo desde 1955, o Grupo Bandeirantes de Comunicação tem a segunda maior margem de aproveitamento de candidatas entre as semifinalistas do concurso internacional, ficando atrás apenas dos Diários Associados. Foi no grupo de mídia criado por Assis Chateaubriand (1892-1968) que o país teve seus dois únicos títulos de Miss Universo até agora. Na troca para o Grupo Sílvio Santos, os títulos simplesmente sumiram e candidatas foram voltando dos países sede com classificações medianas, quando ocorriam, ou nenhuma classificação. O fundo de poço está nos quatro grupos que se alternaram na promoção do Miss Brasil durante a década de 1990, todos pressupostos da Rede Globo – juntos, Marlene Brito e os herdeiros de Paulo Max conseguiram apenas duas classificações. Na somatória com a primeira edição de 1954, realizada de forma independente, o país teve com os chamados “outros grupos” apenas três classificações em 13 participações, com um aproveitamento de apenas 23,07%.

 
Grupo Período Classificações Miss Universo Participações no Miss Universo Aproveitamento (%)
Associados 1955-1980 19 26 73,07
Bandeirantes 2003-2016 9 14 64,28
Sílvio Santos 1981-1989 4 9 44,44
Outros 1954, 1991-2002 3 13 23,07
Total 1954-1989, 1991-2016 35 62 56,45

A despeito da boa cifra de classificações, a Band sabe que tem nas costas o peso de encerrar, a qualquer custo, um jejum de títulos de Miss Universo que completará 49 anos no dia 13 de julho, quase no final do ciclo de concursos estaduais para o concurso nacional de agosto. As seis classificações consecutivas verificadas de 2011 a 2016 serviram de alento à emissora em meio ao mar de denúncias envolvendo coordenadores e ex-coordenadores acusados de corrupção e fraude na apuração dos resultados dos concursos regionais. O esquema, que se arrasta desde o período da Gaeta, em 1999, é tido como um câncer a ser extirpado a duras penas, com o amparo financeiro da empresa de varejo Polishop e o apoio logístico da WME/IMG, empresa americana dona do Miss Universo. A despeito das críticas de internautas à classificação pífia de Raíssa Santana no Miss Universo 2016, deve-se sim reconhecer tudo o que a IMG fez, ainda que de forma indireta, para melhorar a presença brasileira no Miss Universo e sanar os vícios das coordenações regionais do Miss Brasil.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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