O que o Críticas aprendeu com o ciclo do Miss Universo 2016


Mostramos à mídia velhaca, nativa e chapa-branca uma maneira de cobrir um concurso internacional de beleza

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Francis R. Malasio/EPA/15.01.2017


Para a redação do TV em Análise Críticas e suas centenas de seguidores no Facebook, a 65ª edição do concurso de Miss Universo agora pertence à história. Durante sete meses, dedicamos mais de 340 reportagens sobre o evento antes mesmo de as Filipinas serem confirmadas como país sede, em julho de 2016. Depois da coroação de Pia Wurtzbach como Miss Universo 2015, acompanhamos cada minúcia das negociações para a definição da sede do Miss Universo 2016. Ganhamos mais força jornalística em relação aos ciclos de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, os que o Críticas tem acompanhado desde sua estreia no WordPress, em agosto de 2010.
A festa dos filipinos para receber Pia Wurtzbach foi motivo de atenção por parte do Críticas, embora que de uma forma mais contida. O entusiasmo filipino com a eleição de Pia como Miss Universo 2015 foi tamanho que, na época do Binibining Pilipinas 2016, assumiram a condição de país candidato a sediar o Miss Universo 2016. Nove arenas se candidataram a receber o concurso em várias regiões das Filipinas. A Mall of Asia Arena, de Pasay, acabou escolhida. Ainda assim, persistia o terrorismo psicológico de parte da imprensa filipina contra a realização do certame. Saiu derrotada. A persistência do empresário Chavit Singson foi maior que os borbotões pregados por jornalecos como o Philippine Daily Inquirer, espécie de O Globo local.
O apoio do presidente Rodrigo Duterte, a despeito das críticas que que lhe foram desferidas pela comunidade internacional sobre seu programa de governo na área de segurança pública, à realização do concurso foi fundamental, principalmente após a visita de Pia Wurtzbach ao Palácio Malacañang, em Manila, no dia 15 de julho. Também foram peças fundamentais para que as Filipinas recebessem o Miss Universo 2016 a chefe do Departamento de Turismo, Wanda Teo, e sua subsecretária, Kat de Castro. Foram investidos US$ 11 milhões do setor privado para a organização do certame. E esse detalhe, nem mesmo a Rede Bandeirantes, detentora dos direitos de TV aberta do concurso para o Brasil, levou em conta. Ao invés de dedicar matérias e mais matérias em seus telejornais e impregnar a programação de boletins informativos, a Band preferiu mandar para Manila apenas uma diretora, ligada diretamente ao consórcio que coordena o Miss Brasil, liderado pela empresa de varejo eletrônico Polishop.
Nas ruas de 10 cidades filipinas, o que se viu foi o entusiasmo de gente interessada em saudar as candidatas, coisa que não se viu em São Paulo, entre agosto e setembro de 2011. O silêncio que se viu na capital paulista cinco anos atrás não se notou nas passagens das misses por Vigan, Cebu, Batangas, Boracay, apenas para citar algumas. No desfile de moda “terno”, as ruas de Vigan foram tomadas por uma histeria digna de Rock in Rio no Parque dos Atletas da zona oeste carioca. Parecia o Carnaval de Ouro Preto.
Ao Globo, à Globo, ao Estadão, à Folha, à Veja, à IstoÉ, à Época e à Band o TV em Análise Críticas mostrou uma maneira peculiar de como se deve cobrir com atenção um concurso de beleza de porte internacional na imprensa brasileira, sobretudo a de caráter comercial, mais comprometida com a criminalização da cultura e dos movimentos sociais de esquerda e com o lucro astronômico e aberrante do Deus Mercado Hora do Faraó Tom Brady. O mesmo silêncio notado na mídia brasileira durante os dias do Miss Universo 2016 se notou na imprensa francófona quando da eleição de Iris Mittenarere como Miss Universo 2016. Imediatamente após o certame e na manhã seguinte, a TV5 Monde não dedicou um segundo sequer de seus telejornais internacionais. A menos que uma de suas acionistas, a France Télévisions, tenha dado destaque irrisório em um de seus informativos.
A partir de agora, o Críticas concentrará seus esforços jornalísticos no ciclo de concursos do Miss Universo 2017, como já vem fazendo há algumas semanas com as avaliações parciais das etapas estaduais do Miss USA 2017. E passará a fazê-lo com os concursos nacionais. Gradativamente, o leitor do Críticas irá sendo informado dos passos para a realização da 66ª edição do Miss Universo e os rumos da participação brasileira no certame, a começar das avaliações parciais que forem sendo feitas após cada um dos 27 concursos estaduais. Até a qualquer momento.

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Imprensa, Jornalismo, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s