Após receber candidatas ao Miss Universo 2016, presidente filipino Rodrigo Duterte não deverá ir ao concurso de domingo


Ordem no Palácio de Malacañang é preservar imagem do chefe de Estado e evitar superexposição

Da redação TV em Análise
Com reportagem de João Eduardo Lima e Rappler

Ted Alibe/AFP/Getty Images
Cumprimentos, apertos de mão e nada além do protocolo


Depois da visita de cortesia de um grupo de candidatas ao 65º concurso de Miss Universo, o Departamento de Turismo das Filipinas (DOT, na sigla em inglês) recomendou ao presidente do país, Rodrigo Duterte, 71, que não compareça à final televisionada da noite deste domingo (29, manhã da segunda-feira, 30, pelo horário local). Diretores da WME/IMG e da Miss Universe Organization já trabalham com a possibilidade de Duterte não comparecer, temendo uma superexposição excessiva do chefe de estado filipino. Produtores do Miss Universo 2016 que trabalham para a rede de televisão americana FOX já teriam recebido recomendações para “maneirar” a presença de Duterte, restringindo-a a um VT da visita das misses, que ocorrei na manhã desta segunda-feira (23), no Palácio de Malacañang, em Manila.
Uma fonte da MUO informou com exclusividade ao TV em Análise Críticas que Duterte será poupado de ir ao local da final televisionada, a Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila), para não ter um ataque do coração caso a candidata do país-sede, Maxine Medina, 26, fique entre as três finalistas ou vença. O mesmo expediente foi adotado em 1994 em relação ao então presidente Fidel Ramos, 88, lembrado apenas em um VT veiculado na transmissão oficial encabeçada à época pela CBS e GMA Network.
Outra ala da direção do Miss Universo, no entanto, quer mesmo é evitar o desconforto de, no caso de vitória de uma candidata europeia, como é o caso da francesa Iris Mittenaere, 23, líder da terceira avaliação geral do Críticas e tecnicamente imbatível a seis dias da realização do concurso. A França está na maior seca de títulos entre os 85 países que tem histórico de competições anteriores no Miss Universo – não vê a cor da coroa desde 1953, quando Christiane Martel venceu em Long Beach, cidade californiana berço da organização do certame. A preocupação de diretores da MUO sobre os pontos de vista radicais de Duterte na área de direitos humanos assusta algumas coordenações do Velho Continente, sensíveis à onda imigratória que devasta a Europa desde 2015. Também causa preocupação a presença de Serra Leoa, país que remeteu uma considerável quantidade de imigrantes ilegais de balsas para a Europa em função da guerra civil que assolou o país africano na disputa pela mineração de diamantes.
Como condição para que as Filipinas sediassem o Miss Universo 2016, Duterte foi orientado por auxiliares a não dar declarações polêmicas que afetassem as negociações com a MUO, conduzidas por um consórcio de investidores liderado pelo ex-governador da província de Ilocos Sur, Luís Chavit Singson, 75, dono da LCS Group of Companies, principal arrecadadora das despesas de organização junto a empresários malaios e japoneses. Entre as irascividades de Duterte estão comentários grosseiros contra a Comunidade Europeia e o ex-presidente americano Barack Obama, 55, além da defesa da política do “bandido bom é bandido morto”, para justificar sua política sangrenta de repressão a dependentes químicos, que inclui a restauração da pena de morte.
Para receber o Miss Universo 2016, o grupo de empresários filipinos pagou à WME/IMG e à MUO US$ 11 milhões (R$ 34,8 milhões, em valores corrigidos e atualizados). Além da LCS, participam do Comitê Organizador Filipino do certame 16 representantes da Philippine Airlines, da fundação Pass it Forward, da Solar Entertainment e do resort Okada Manila, que acolhe parte das candidatas.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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