Assunto da semana: Carrie Mathison, a amarga volta para casa


Homeland é uma obra de ficção e semelhança é coincidência

Jo Jo Whilden/Showtime/Divulgação/30.12.2016


Não se trata de esconder fatos, mas a pauta já estava pensada. Não quero ocultar isso ou aquilo de artistas atacando ou saindo na defensiva de Trump, mas meu julgamento acerca da estreia da sexta temporada de Homeland, levada ao ar no domingo (15), pelo canal pago FOX Action na mesma levada da Showtime americana, é de que Homeland é uma obra de ficção e qualquer semelhança com fatos, pessoas ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência. Era o que preconizava a Rede Globo de Televisão, Ano um da Criança Brasileira.
Cena um: Carrie Mathison (Claire Danes, tricampeã do Emmy) aparece num ônibus novinho em folha, nas ruas de Nova York, a caminho de atender um cliente muçulmano – público-alvo do ódio de Donaldo Trump em seus discursos irascíveis desde que vendeu o concurso de Miss Universo para se livrar de uma acusação ainda maior – usar o concurso para esconder antros de ódio e intolerância. Carrie parece àquela música do Roberto Carlos – Rotina (“o sol ainda não chegou…”), repetida a esmo nos especiais de fim de ano.
Cena dois, direção de Alex Gansa: alojamento de imigrantes africanos muçulmanos, externas de rua, citações à bomba do estacionamento do World Trade Center de fevereiro de 1993. Prévia do que Trump poderá vir a enfrentar em seus 100 primeiros dias na Casa Branca? Calma. Cada coisa a seu contento. Na ficção, Homeland tem mais atores negros que How to Get Away with Murder, Black-ish e a regravação de Raízes, por exemplo. Repórteres se postam diante de um edifício que não é a Trump Tower. Graças a Deus. Mal menor.
Na alternância de controle remoto com o Sunday Night Football emergencial da neve de Kansas City, a volta de Carrie Mathison para casa se tornou tão interessante quanto ver os momentos de decisão da partida entre os Chiefs locais e os Pittsburgh Steelers, que acabou levando a partida (e também o desfecho de Fair Game). De agente da CIA passando pelas agruras na quinta temporada na Alemanha, a composição da principal personagem de Claire Danes, 37, até aqui a obrigou a carregar a série nas lombas e nas costas. Ai! Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (22/1)

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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