Enquanto Herchcovitch é nomeado para desenhar traje de gala de Raíssa Santana no Miss Universo 2016, denúncias contra coordenadores estaduais do Miss Brasil só aumentam


O país do Carnaval, do Cinema Novo e das negociatas eleitorais que fraudam concursos e destroem sonhos

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Miss Brazil on Board, SBT/Reprodução/13.11.2016 e Keryy Haves/Sony Pictures/Divulgação
Respeitando-se o 1,91 de altura do Liev Schreiber e as pilastras do bom jornalismo livre para investigar e denunciar maus coordenadores de concursos de beleza


A série de reportagens Coroa à Venda mostrada no programa Conexão Repórter do SBT nos dias 10 de julho e 13 de novembro de 2016 acendeu a luz para a formação de uma gigantesca bola de neve que pode levar junto para a mesma cadeia de Antonio Palocci e Eduardo Cunha, em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) parte dos coordenadores estaduais e empresários patrocinadores que financiam a cadeia facilitadora dos males cancerígenos que matam boa parte dos 27 concursos estaduais válidos pelo Miss Brasil que credencia ao Miss Universo. O clamor forte dos órgãos de imprensa livres para uma moralização ampla, geral e irrestrita desses certames urde para uma cruzada de mobilização do mesmo Ministério Público Federal para investigar os propinodutos de mais de dez concursos estaduais, como o TV em Análise Críticas expôs na quarta-feira (4), quando foram expostas a público as vísceras de um esquema envolvendo 15 coordenadores e ex-coordenadores estaduais, de diversas partes do país. Alguns, no mercado há bastante tempo, tentando esconder na base do cinismo suas práticas corruptas, criminosas e fraudulentas.
Enquanto se assiste às duas reportagens de Roberto Cabrini denunciando os malfeitores de Sergipe e Piauí, noto no Missosology um conjunto de informações aparentemente importantes para a participação da baiana Raíssa Santana, 21, no Miss Universo 2016 de daqui a 21 dias, para o qual está viajando em voo da Philippine Airlines, neste momento, após ter feito conexão em Dubai (Emirados Árabes). Entre as promessas, está a da troca de Alexandre Dutra por Alexandre Herchcovitch como responsável pela concepção do traje de gala a ser usado nas preliminares, fotos oficiais e na final televisionada de 29 de janeiro (manhã de 30 de janeiro, no horário de Pasay, cidade da região metropolitana de Manila, que vai sediar a disputa). Noutra frente, Michelly X, responsável por desenhar fantasias de Carnaval de atrizes globais que apoiaram o impeachment sem crime (que foi golpe) da ex-presidenta Dilma Rousseff, usou seu Instagram para anunciar que passaria a ser a responsável pela concepção artística do traje típico de Raíssa no Miss Universo. Por contrato, a criação permanece sob o manto do segredo. O mesmo que encobre as fraudes das quadrilhas de coordenadores estaduais denunciadas por Cabrini e pelo Críticas.
A corrupção nos concursos válidos pelo Miss Universo no Brasil é endêmica. Vigora desde a década de 1950, quando imperava a política do café-com-leite – São Paulo e Minas revezando presidentes até a queda de Jânio quadros em 1961. Se confunde com a corrupção eleitoral dos currais dos velhos coronéis da UDN, do PSD (não do do Kassab, que quer cassar os orelhões) e do PSP do Adhemar de Barros (“rouba, mas faz”), sogro de João Jorge Saad (1919-1999), fundador do Grupo Bandeirantes de Comunicação e pai de Johnny Saad, que em 2011 teve de tomar o lugar e a cadeira de “Donaldo” Trump no concurso de Miss Universo realizado em São Paulo, capital. Já o jejum de títulos do país no concurso se arrasta desde a época do Cinema Novo de Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade, da proibição de Para Não Dizer que Não Falei das Flores de Geraldo Vandré em festival da canção antes deste ir para a Globo (que meteria a mão no Miss Universo em 1990 para ninguém ver no Brasil) e do agravamento da repressão aos opositores da “Revolução” militar instalada em 31 de março de 1964, com pacotaços de cassações e imposição de exílios de artistas e intelectuais. Vão se 48 anos de uma desgraça instaurada pela Globo com apoio da CIA, a agência central de inteligência do governo norte-americano.
As reportagens de Cabrini, que já foi funcionário da Band, abrem as portas para que a imprensa investigue agora o Miss Brasil e sua venda obscura para a gigante de televendas Polishop, que tem nas costas mais de 200 reclamações fundamentadas em Procons de seis Estados e do Distrito Federal. Isso em apurações realizadas pelo Críticas em 16 de março, 30 de março e 30 de dezembro de 2016. Não estamos inventando história. Estamos fazendo jornalismo para passar definitivamente a limpo essa corja que, desde a ditadura militar, com o conluio da Globo, impede que brasileiras vençam o Miss Universo. Dinamitam sonhos de miss e, em casos como o de Fabiane Niclotti, produzem cadáveres de programa policial ao invés de abrir portas para a carreira artística.
Se cuidem, roteirista Tom McCarthy e jornal The Boston Globe.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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