Assunto da semana: Tudo foi posto a perder?


Falta identidade para o enredo do drama nacional Sem Volta

Reprodução/Record TV


A despeito do esforço artístico notado, a estreia da série brasileira Sem Volta (Record, 4ª a 6ª, 22h45, 12 anos) passou longe de prender o telespectador. Currada por Ratinho e reedição global do filme sobre o José Aldo do Ultimate Fight UFC, a produção da Record ficou aquém de ser a grande pérola do Atlântico deste início de ano, verão no hemisfério sul com cara de chuva. E a tromba d’água de seu piloto foi o momento de excelência artística que salvou a trama na primeira noite. Foi um mal menor.
Sem Volta é bem feita? Sim, mas a série brasileira ainda tem pelo caminho os cacos de um projeto obsoleto de programação que o SBT mantém no ar desde que lhe tomou Carlos Massa a preço de ouro Brent, em agosto de 1998. É digna de Emmy internacional ou de qualquer premiação no exterior? Sim. Mas falta à Record um lobby mais agressivo, capaz de entrar num território de milícia da Globo chamado Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão (IATAS, na sigla em inglês). É nessa tecla que a Record bate desde 1990. E volta.
Não posso ser hipócrita ao apontar apenas defeitos bairristas de audiência para Sem Volta. Com o Painel Nacional de Televisão da Kantar Ibope Media ao nosso alcance, é irresponsabilidade julgar um produto apenas pela capa – já o fizeram a torto e a direito com o livro do Chico Buarque Budapeste em 1991. O que falta a “Sem Volta”, já toda gravada e editada, é uma maior identificação de seus roteiristas, equipe de produção e diretores. Foi esse defeito grave que se notou na estreia – um produto cru, sem créditos nem orientação.
Atuação? Sim, tem Camila Rodrigues dos Dez Mandamentos de destaque. Ângelo Paes Leme das novelas bíblicas, Flávia Monteiro e outros nomes que não chegaram à conta. Essa elitização alienada e bairrista de comentários sobre a estreia de Sem Volta torna a produção menor e desmerecida. Transforma o resultado de semanas de trabalho em motivo de chacota – a começar do selo da Ancine para séries brasileiras que receberam incentivos do governo (Sem Volta teve projeto aprovado ainda no governo Dilma). Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (8/1)

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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