‘Donaldo’ Trump e Ari Emanuel selaram a impunidade dos envolvidos na corrupção do ‘propinoduto da Olivia Culpo’


Crimes denunciados pelo Críticas já prescreveram e FBI e Ministério Público de Rhode Island não investigaram

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Getty Images/19.12.2016


A foto acima, do aperto de mão entre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, 70, com o empresário de entretenimento Ari Emanuel, 55, retrata o escárnio definitivo em que se transformou a eleição de Olivia Frances Culpo como Miss Universo 2012, na noite de 19 de dezembro do ano em questão, em Las Vegas. Todos os que seguem ou leem o Críticas estão cansados de saber que a vitória de Culpo, fraudada desde o concurso de Miss USA, realizado em julho, foi produto de em esquema de subornos a jurados, jornalistas e blogueiros especializados em concursos de beleza comandado por partidos políticos (PSDB, DEM e PPS, no Brasil), grupos de comunicação (Globo, RBS e Bandeirantes), entidades de direita (Sociedade Interamericana de Imprensa e Instituto Millenium) e pessoas físicas, entre empresários e políticos.
A troca de gentilezas entre “Donaldo” Trump (como costuma chamar o senador do PMDB do Paraná Roberto Requião, cinco anos mais velho que o magnata e Aprendiz original do reality televisivo) e o “judeu cheiroso”(*) Emanuel foi uma afronta à sociedade americana que esperava respostas para o maior escândalo de corrupção que envolveu uma compatriota ser eleita Miss Universo. Selou definitivamente a impunidade de elementos como Nelson Sirotsky, Nayla Micherif, José Serra, Roberto Irineu Marinho, Ronaldo Caiado, Sarah Palin, Passo Jereissati, ACM Neto, dentre outros.
A morosidade do Poder Judiciário americano para esse caso contribuiu para que ninguém fosse denunciado. Os donos da D&D Investments, inicialmente colocados como operadores do esquema de propinas recebidas até da máfia russa, acabaram na impunidade. O FBI, a Polícia Federal americana, ao invés de pegar os ladrões das verbas do furacão Sandy que delas se locupetaram para irrigar os bolsos do empresário Scott Disick, do chef japonês Masaru Morimoto, da estrela de realities Lisa Vanderpump, apenas para citar alguns, foi prender os ladrões da FIFA que deram propinas para a FOX tirar da ESPN os direitos das Copas do Mundo a partir de 2015 no território americano e preservar o monopólio da Rede Globo para esses eventos no Brasil, vigente desde 1998.
A D&D é dona das coordenações do Miss USA em cinco Estados, inclusive Rhode Island de Olivia Culpo. Tem sede no paraíso fiscal de Delaware, onde a Globo montou uma offshore para lavar o dinheiro sujo dos contratos de transmissão das Copas. A Band fez tal procedimento nas Ilhas Virgens Britânicas, valendo-se de dois deputados da base aliada do governo golpista de Michel Temer – Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Eli Corrêa Filho (PSDB-SP). Ambos votaram a favor do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016, orquestrado por órgãos de imprensa como a Band e entidades patronais como a Fiesp (federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
A D&D operou o recebimento das propinas da SIP e dos jornais a ela afiliados através de 11 contas offshore encerradas às vésperas do Miss Universo 2012. Todas abertas nos Estados americanos de Delaware e Rhode Island. O Instituto Millenium teve oito contas offshore abertas de 15 de agosto a 18 de dezembro de 2012 no Bank of America de Providence, capital de Rhode Island. Os registros das movimentações bancárias foram apagados para não deixar margem a investigações do FBI que afetassem também a candidatura de Trump à Casa Branca, nem atingissem aliados seus no Estado. Muito menos da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários americana.
O Ministério Público do Estado de Rhode Island recebeu os documentos das denúncias contra a eleição de Culpo em 29 de março de 2013, mas notou que haviam provas insuficientes para incriminá-la. Nada podia fazer. Teria que investigar também Trump e os diretores da Miss Universe Organization, bem como os do grupo de mídia NBCUniversal (então parceiro do concurso), que colaboraram e muito para o abafamento do caso. Em 11 de janeiro de 2014, quando Culpo já tinha encerrado seu reinado como Miss Universo, a Promotoria Pública de Rhode Island recomendou o arquivamento do caso, por falta de provas. Com isso, a patota da Fiesp/Globo/Band se sentiu livre para insultar Dilma e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva através de robôs “Revoltados Online” nas redes sociais. Scott Disick não precisou ir a tribunal algum, assim como Vanderpump, Morimoto e outros beneficiários da operação fraudulenta que auxiliou na classificação de nove candidatas nacionais, inclusive a brasileira Gabriela Markus. A venda da MUO de Trump para Emanuel, em 14 de setembro de 2015, ajudou a acelerar ainda mais a impunidade dos corruptos da Olivia Culpo: os crimes denunciados prescreveram no dia 19 de dezembro de 2016 e o caso foi encerrado sem solução.

(*)Na novela Os Dez Mandamentos, Ramsés (Sérgio Marone) costumava chamar os judeus de “fedorentos”. Na vida real, Ari Emanuel, dono do Miss Universo desde 14 de setembro de 2015, não se enquadra nessa condição – usa ternos de grife e aparece sempre perfumado para não desagradar sua clientela de artistas

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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