A 49 dias do Miss Universo 2016, candidata brasileira Raíssa Santana ‘some’ e imprensa nativa trata concurso com desdém


Investimentos no concurso caíram drasticamente desde 2011, quando evento ocorreu em São Paulo

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Montagem TV em Análise Críticas sobre foto Org, Miss Brasil Universo/Divulgação


A menos de 50 dias do concurso Miss Universo 2016 é bastante preocupante a situação da candidata brasileira ao título, a baiana Raíssa Santana, 21. Desde aquela foto do Dia Internacional de Combate à Aids, não se colocou mais nenhuma linha de jornal, revista, emissora de rádio ou programa de televisão dedicado a se focar na preparação da 62ª candidatas do país ao título de Miss Universo. Com o desprezo da imprensa nativa, jogam-se fora 14 anos de investimento em uma fórmula de sucesso que, aparentemente, tem tudo para trazer ao país o primeiro título de Miss Universo depois de 48 anos. Aparentemente, porque na prática, o discurso é outro.
Da parte da Rede Bandeirantes de Televisão, nem um pio foi aceso para manifestar interesse em transmitir a 65ª edição do Miss Universo, a ser realizada daqui a 49 dias, na Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila). Enquanto um grupo de 10 candidatas nacionais passa o final de semana abrindo os trabalhos do Miss Universo 2016, Raíssa fica na dela, se preparando em um mundo de faz de conta arquitetado pelos publicitários da Polishop, empresa de varejo que detém na prática a concessão do Miss Universo para o Brasil. Após a eleição de Raíssa, vendeu-se um discurso para depois se vender uma ilusão, a de termos uma candidata competitiva ao Miss Universo. A julgar por esta engendragem enganosa, não o temos.
Mais cedo, este Críticas já informara que a transmissão em TV paga pode sair da TNT e ir para a FOX, atendendo a uma adequação dos contratos de transmissão proposta pela WME/IMG. Para a candidatura de Raíssa Santana ao Miss Universo 2016, este é um pequeno detalhe, mas não é nada diante do silêncio sepulcral com que a Band trata o Miss Universo 2016. Não produziu até o momento um segundo de matéria, o que já denota uma movimentação agressiva da Rede Globo para lhe tirar o concurso das mãos depois de 13 anos consecutivos. Caso a tevê da famíglia Marinho vença a parada, o que será muito difícil, estará se dando uma tábua jornalística de salvação para o Miss Universo na televisão aberta brasileira. Tentará-se recuperar um atraso de 48 anos em termos de importância midiática que o concurso perdeu na imprensa graças sobretudo ao poder de fogo que a Globo teve para eliminar concorrentes – a Exxelsior em 1970 e a Tupi, que exibia o Miss Brasil, em 1980. E da mesma forma o usou para limar o Miss Brasil e o Miss Universo de nossa mídia, em 1990, num acordo de gaveta firmado com a rede americana CBS “para consumo interno”. Ou seja, tirar as misses da mídia.
Com o Miss Brasil e o Miss Universo fora do SBT por imposição da Globo e de publicitários a ela ligados como Nizan Guanaes, Roberto Justus, o D, o P e o Z da DPZ e Washington Olivetto (que fazia as campanhas impressas do SBT) e apoiada por deputados federais petistas presos pela Operação Lava Jato, entre eles José Dirceu e Antônio Palocci, a Globo e seu ensemble cast midiático fez e aconteceu. Fabricou impeachments, planos econômicos, satanizou movimentos sociais e concebeu o biombo de uma supermodelo denominada Gisele Bündchen, na capa da revista Veja, apêndice ideológico do PSDB e do PFL (fração do antigo PDS, partido de sustentação da ditadura militar). De 1990 a 2002, não teve Miss Universo nas nossas telinhas porque os filhos do Roberto Marinho (que, segundo Paulo Henrique Amorim, não tem nome próprio) não deixaram. Assim como seu covil de aliados e afiliados coronéis regionais no Congresso e na velha mídia.
Desde que a Band assumiu o concurso, em 2003, através de uma licença concedida pela Globo à Gaeta Promoções e Eventos, tentou-se uma recuperação inútil do Miss Brasil. Nem o segundo lugar de Natália Guimarães na Cidade do México, em maio de 2007, impediu que os concursos do “sonho de miss” das 16 fazendas da família Saad tivessem uma impressionante derrocada de mais de 94% nos índices de audiência em comparação à época em que o Miss Brasil passava no SBT/Record. Em 2016, o concurso de Miss Brasil registrou a terceira pior audiência de todos os tempos na Grande São Paulo, praça que parece ter sido decisiva para afastar os investimentos de publicidade no pacote do Projeto Miss. Desde 2003, o faturamento publicitário da Band com o Miss Brasil, Miss Universo e concursos estaduais caiu mais de 400%. O cálculo leva em base a curva ascendente que o concurso teve nas suas vendas comerciais antes do Miss Universo 2011, realizado em São Paulo, e denota também o declínio que teve depois de 2012. No ciclo do Miss Brasil 2015, os concursos estaduais estavam todos pagos e foram todos realizados dentro do cronograma. A fuga de anunciantes causada pela crise política que resultaria maia tarde no impeachment de Dilma Rousseff forçou a venda do Miss Brasil e dos concursos estaduais à Polishop. Ali se instalou uma espécie de “comitê financeiro” para avaliar o rombo deixado pela gestão da Enter, empresa de eventos que a Band formara para promover os concursos do Miss Brasil válido pelo Miss Universo. O resultado foi um déficit de R# 44 milhões, que a Polishop está tentando quitar, com a ajuda de bancos americanos e europeus.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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