Válido até 2020, contrato da Band com a Polishop para o Miss Brasil não inclui transmissão do Miss Universo


Concurso de 2016 em TV aberta está ameaçado

Da redação TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação/20.12.2015


Assinada em setembro, a renovação contratual do concurso de Miss Brasil com a Rede Bandeirantes deve privar a emissora de transmitir já a partir deste ano de transmitir o concurso de Miss Universo. O acordo da Band foi assinado com a nova proprietária do certame, a empresa de televendas Polishop, que detém desde março a representação de todos os interesses inerentes à Miss Universe Organization no país, incluindo a negociação de direitos de TV aberta, mídias digitais (inclusive internet e telefonia), rádio, jornal e revista. O Miss Universo 2016 vai acontecer daqui a 52 dias na Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila).
Uma das cláusulas do contrato entre a Band e a Polishop restringe a cobertura do Projeto Miss à transmissão dos concursos municipais (onde houver necessidade), estaduais e do próprio Miss Brasil. Com a preferência contratual, a Polishop pode negociar a cessão dos direitos de transmissão do Miss Universo com a Band, mas não é o que pensa a empresa proprietária do concurso, a norte-americana WME/IMG, sócia da Organização Miss Brasil Universo ao lado da Polishop e da agência Ford Models Brasil, que prefere o concurso nas mãos da Rede Globo para dar mais audiência. Nos últimos 30 anos, as transmissões domésticas do Miss Universo tem despencado na média domiciliar, nos dados da empresa Kantar Ibope Media referentes à Grande São Paulo (principal mercado para as decisões do mercado publicitário) – de 26 pontos no SBT, em 21 de julho de 1986, para apenas 1,8 na Band, em 20 de dezembro de 2015. A situação já preocupa a Miss Universe Organization, que já estuda formas de encerrar a parceria com a Band, vigente desde 2003.
Em 2011, a Band organizou, transmitiu e realizou sozinha o concurso de Miss Universo na cidade de São Paulo. Se tivesse recebido incentivos da Lei Rouanet, o Miss Universo 2011 teria recebido um apoio de mídia mais amplo, mas o governo da então presidenta Dilma Rousseff (PT) foi contra. Eventos que estavam previstos para fora de São Paulo, como previa o desenho inicial, foram vetados por governadores aliados do governo federal de então, como o carioca Sérgio Cabral (PMDB), preso pela Operação Calicute, e Agnelo Queiroz (à época no PCdoB), do Distrito Federal, que recusou uma visita de cortesia das candidatas a Brasília. Setores do PT ligados à Globo trabalharam para tentar inviabilizar a realização do Miss Universo 2011, na noite de 12 de setembro, no Citibank Hall. Apesar do boicote dos aliados de Dilma nos governos estaduais, o Miss Universo 2011 registrou a segunda maior audiência do período, com média de 8,2.
Em TV aberta, o Miss Universo começou a ser transmitido no Brasil em 1971 pela extinta Rede Tupi e lá ficou até 1978. De 1979 a 1981, o concurso foi transmitido pela Rede Record (alvo das negociações da WME/IMG ao lado da Globo). Entre 1982 e 1988, o Miss Universo esteve nas mãos do SBT. Em 1989, estratégias de programação ditadas a Sílvio Santos por publicitários com anunciantes ligados à Globo como Roberto Justus, Nizan Guanaes e Washington Olivetto tiraram o Miss Universo realizado em Cancún da grade do SBT. Políticos do PFL como Marcondes Gadelha e Hugo Napoleão “mataram” o projeto de misses do SBT e enterraram a participação brasileira no Miss Universo 1990. Em 1998, já sob a licença da Globo, o SBT retomaria a exibição do Miss Universo uma única vez. Em TV fechada, o Miss Universo começou a ser transmitido em 2005 pela TNT, através de acordo pan-regional. É esse canal que deverá transmitir sozinho o Miss Universo 2016, caso prevaleça o entendimento da WME/IMG, ora favorável à Globo, que já escondeu o Miss Universo dos brasileiros de 1990 a 2002, mediante acordos com a CBS.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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