Foi Leci Brandão quem cunhou o termo ‘comunidade’ na televisão. Não foi o Alberico Souza Cruz tampouco o finado Armando Nogueira


A que fundo de poço Wesley Safadão, Simone e Silmária e asseclas do agronegócio country technotronic “mataram” a Música Popular Brasileira antes dos atletas da Chapecoense

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Drika Bourquim/Vermelho e Reprodução/Revista Pop

Quando defendeu Antes Que Eu Volte a Ser Nada no Festival Abertura da Rede Globo, em janeiro de 1975, a carioca Leci Brandão, 72, pavimentava ali a estrada para plantar o termo “comunidade” em transmissões de eventos de Carnaval e no cotidiano dos brasileiros. Oito anos após, o jornalista Armando Nogueira (1927-2010), criador do Jornal Nacional e então diretor da Central Globo de Jornalismo, inventou a direção de “telejornais comunitários”, terminologia usada pela Globo para designar os Praça TV, nomenclatura que os telejornais das afiliadas e filiadas da Globo país afora passariam a adotar a partir de 3 de janeiro de 1983, e que vale até hoje.
Atualmente em sua segunda legislatura como deputada estadual pelo PCdoB, Leci pode ser definida como a madrinha da terminologia de “comunidade” usada à torto e a direito nas matérias policiais das televisões quando de incursões policiais em morros cariocas. Tal definição, pelo poder de fogo da Globo que “mataria” os concursos de misses, acabaria integrando os manuais de telejornalismo de suas afiliadas regionais, parte controladas por políticos de ideologia contrária à de Leci, que apoiou o movimento contra o impedimento criminoso da ex-presidenta Dilma Rousseff, 69, em agosto último.
Foi horrorizado com a “entrevista” do “artista” denominado Wesley Safadão ao programa do Gugu na Rede Record na última quarta-feira (30/11) que resolvi colocar a coisa da “comunidade” de Leci Brandão na berlinda. Coisa essa que a abertura da Olimpíada de agosto último não explicitou. Mas abriu ideias para que tratássemos de samba e não de forró kraftwerkiano de cantor cearense de coque no cabelo, egresso de uma “banda” chamada Garota Safada, na qual se encontra a fossa sanitária do degredo da Música Popular Brasileira nos anos 2000. Em nome do bom senso (e graças a Deus), o Comitê Olímpico Internacional livrou o mundo dessa vergonha, fora Temer.
Num tempo que os airplays e charts estão contaminados por “artistas” de massa como Safadão e duplas do sertanojo universotário como Simone e Silmária, Mateus e Kauan, apenas para não sentar o ferro em pessoas honestas como Fernando e Sorocaba, Pindamonhangaba, São José dos Campos e adjacências, ouvir o primeiro álbum de Leci, da gravadora Marcus Pereira, lançado em 1975, é um bálsamo para os ouvidos já violentados pelas “sofrências” e outros detritos que assassinaram por escrito o inventário do que Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico e Helena Meirelles construíram. Antes que as multinacionais metessem a mão na Continental, Chantecler, Odeon e outros selos nacionais que sumiram com o tempo.

P.S.: O primeiro diretor de “telejornais comunitários” nomeado por Armando Nogueira foi Alberico de Souza Cruz, 78. Depois que foi demitido da Globo, Alberico fundou uma emissora UHF em Belo Horizonte focada no jornalismo “comunitário” (a emissora hoje é base da evangélica Rede Super, do pessoal do congregação Diante do Trono, que apoiou o impedimento de Dilma). Com a ascensão de Fernando Collor ao estrelato político e à Presidência da República (e sua posterior queda), Alberico passou para a direção da CGJ em março de 1990. Lá permaneceu até novembro de 1995, quando perdeu o emprego por causa de um especial de jornalismo que atacava o regime militar que a Globo amamentou, se sustentou e o usou para derrubar concorrentes como Excelsior e Tupi, entre 1970 e 1980.

Para mais, ler o texto do Vermelho, assinado pela repórter Railídia Carvalho

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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