Assunto da semana: As bombas do Vale do Silício


Esperteza e malandragem do enredo de Pure Genius não convencem

Fotos Esquerda Online/29.11.2016 e Sonja Flemming/CBS/Divulgação/27.10.2016

Até os ministros do Supremo Tribunal Federal, quando julgaram a tal de “pílula do câncer”, já se convenceram de que não existe milagre na ciência, por mais heterodoxo que seja. E tal denotação pode ser notada na premissa do piloto de Pure Genius (Universal Channel, 5ª, 22h, 12 anos), cheia de referências ao Vale do Silício, onde fica a sede da fictícia Bunker Hill (nome original do piloto), empresa especializada em traquinagens contra a teoria da evolução das espécies comandada por James Bell (Augustus Prew, The Borgias).

Colleen Hayes/CBS/Divulgação/27.10.2016

Cretino, o enredo de Jason Katims (Friday Night Lights) coloca o suspeito doutor Walter Wallace (Dermot Mulroney, Crisis) como o Deus da salvação, imortalizado na Bunker Hill como uma estátua de 3D sabe se lá para quê. Ruim, Pure Genius desagrada até quem esperava mais de um drama novato indicado ao 43º People’s Choice Awards. Inclusive desagradar público e anunciantes logo de saída, bem como sua emissora, a CBS, que não quis dar boquinha extra. A trama vai acabar após a veiculação do 13º episódio da ordem.
De asneira em asneira, o piloto de Pure Genius superou apenas os discursos ficcionais de Ronaldo Caiado e Aloysio Nunes Ferreira que defenderam a aberração da “PEC da Morte”, a qual Katims não assinou. Se ambientada em Brasília fosse, Pure Genius retrataria o gênio nada puro dos senadores que defenderam o impedimento de investimentos públicos em educação e saúde por 20 anos. Mas esta é outra história. Noutra ponta, as discussões no Senado revelaram verdadeiros doutores Wallaces e James metidos em traquinagens.
É óbvio que qualquer semelhança notada por este texto na peça de ficção chamada Pure Genius com o teatro de horrores que o Brasil vai continuar a passar na área da saúde e da educação é mera coincidência. Assisti ao episódio na segunda-feira (28), um dia antes do sarau de discussões ideológicas da famigerada PEC 55. Da mesma forma, deve se atestar que milagres de medicina existem, mas não devem ser tratados como padrão de ficção televisiva. Nem ao ponto de desmerecer as empresas do Vale do Silício. Boa semana a todos.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (4/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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