Em 65 anos, Miss Universo mudou de mãos nove vezes


Concurso começou em 1952 após uma ruptura na organização do Miss América

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs Tv em Análise

> Life Magazine/Reprodução/1952
Antes da ~WME/IMG, Pacific-Mills, Kayser-Roth, Gulf+Western, Paramount, Madison Square Garden, P&G e Trump mandaram no concurso

Segundo concurso de beleza mais visto do mundo, mas assim mesmo o mais importante, o Miss Universo começou a partir de uma briga da empresa de vestuário Pacific-Mills, em meados de 1951, com a organização do concurso Miss América, para a qual fornecia os trajes de banho desde 1926. Foi esta mesma empresa que trabalhou na primeira versão do Miss Universo, chamada Concurso Internacional de Beleza, realizado em Galveston (Texas) entre 1930 e 1935. O racha entre a Pacific-Mills e a Miss America Organization foi o estopim para a criação, a partir de 1952, dos concursos de Miss USA e da nova encarnação do Miss Universo, da forma como a conhecemos.
O voo solo da Pacific-Mills como promotora do Miss Universo/Miss USA não duraria muito: após seis anos de realização dos certames em Long Beach (Califórnia), a companhia foi absorvida em 1960 pela Kayser-Roth, empresa dona da marca de maiôs Catalina, e por tabela, as operações do Miss Universo foram transferidas para Miami Beach (Grande Miami). O Miss Universo foi realizado lá no Miami Beach Convention Center até 1971. Foi na administração da Kayser-Roth que o Miss Universo começou a realizar suas primeiras edições internacionais, ou seja, fora do território dos Estados Unidos. Em 1972, em Dorado (Porto Rico), uma pane no sinal de satélite impediu que o público visse a coroação da australiana Kerry Anne Wells. A falha obrigou a emissora de então, a CBS, a prolongar a transmissão mais um pouco para que o mundo pudesse conhecer a nova vencedora.
Em 1977, a Kayser-Roth foi comprada pela Gulf + Western Industries, então dona dos estúdios de cinema Paramount. À época, a G+W era dona da Casa de Campo, na República Dominicana, país escolhido para sediar o certame. A final ocorreu no Teatro Nacional Eduardo Brito, na capital, Santo Domingo, na noite de 16 de julho. Em 1982, a própria Paramount Pictures assumiu a produção do Miss Universo, realizado em Lima (Peru). A gigante cinematográfica produziu o concurso pela última vez em 1987, em Cingapura. De 1988 a 1995, o Miss Universo foi controlado pela MSG Entertainment, gigante de entretenimento esportivo como a atual dona do concurso, a WME/IMG, e proprietária de canais regionais de esportes por assinatura. Em 1992, a empresa saboneteira Procter & Gamble tentou dar uma última mão para salvar o Miss Universo de uma derrocada global de telespectadores. No Brasil, por exemplo, o SBT já abandonara sua transmissão em 1989.
Nem mesmo o poder global de penetração das marcas de higiene pessoal da P&G impediram que, em 1995, pouco após a realização do Miss Universo em Windhoek (Namíbia), o empresário Donald Trump, à época com 49 anos, mobilizasse seus pauzinhos e mexesses seus culhões e bilhões para tirar o Miss Universo da Madison Square Garden, dona da famosa arena esportiva de Nova York, cidade que permaneceu sediando as decisões do Miss Universo após a saída da Paramount do negócio, em 1991. Entre 1977 e 1987, a residência da vencedora do Miss Universo era em Los Angeles. Passou para Nova York após a entrada da MSG Entertainment no negócio e de lá não mais saiu.
O poder de fogo de Trump já era enorme quando assumiu um Miss Universo já agonizante em termos de audiência nos Estados Unidos, mas fenômeno de audiências em potências emergentes do concurso como Venezuela e Filipinas, por exemplo. Em 1996, a Trump Organization se associou à CBS para produzir a 45ª edição do Miss Universo, realizada no Teatro de Artes e Performances do terreno hoje ocupado pelo Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas. Um ano depois, a roda de sedes do Miss Universo na era Trump começaria em Miami, indo para Honolulu, Chaguaramas, Nicósia, Bayamon, San Juan, Cidade do Panamá, Quito, Bangcoc, Los Angeles, Cidade do México, Nha Trang, Nassau, até voltar para Las Vegas em 2010. Em 2011, já nas asas do pavão da NBCUniversal, Trump aproveitou a boa condição da economia do Brasil e aprovou a escolha da cidade de São Paulo para sediar a 60ª edição do concurso. Antes de iniciar sua jornada para a Casa Branca, Trump organizaria edições do Miss Universo em Las Vegas e Moscou. E foi em 2014, em Miami, que apareceu a figura do empresário judeu/democrata Ari Emanuel, dono da IMG, empresa que assumiria a produção dos eventos da MUO dali em diante.
Foi exatamente se valendo da intempestividade de Trump durante o início da pré-campanha à Presidência americana que Ariel Zev Emanuel, então com 54 anos, começou a agir. Mexeu-se nos bastidores para tentar salvar coordenações nacionais que ameaçavam deserdar, como as do Brasil, México, Costa Rica e Panamá. Fechou com Trump um negócio de US$ 28 milhões (R$ 94,7 milhões, em valores atualizados) e lhe comprou a Miss Universe Organization desde que Trump comprasse da NBCUniversal a parte que ainda lhe pertencia. Era a NBC que travava as negociações para que o Miss Universo saísse de suas mãos. E Trump agiu na hora certa para o Miss Universo mudar de mãos pela nona vez em sua história de 65 anos e muitos personagens.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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