A 76 dias da baiana de Itaberaba Raíssa Santana competir no Miss Universo 2016, SBT explode concurso Miss Piauí


Especialista em Piauí, Roberto Cabrini desnudou hipocrisia de Nelito Marques

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

180graus/10.09.2019

180graus/10.09.2019

Um áudio comprometedor começou a circular em redes sociais comprovando o antro de irregularidades em que se transformou o concurso de Miss Piauí 2016. Matéria levada ao ar na noite deste domingo (13) pelo programa Conexão Repórter, do SBT, expôs um verdadeiro ninho de racismo e hipocrisia em que a etapa piauiense do Miss Universo se transformou. Com a publicidade dada às denúncias da ex-candidata municipal Loysa Vasconcelos, Nelito, 72, poderá se o quarto coordenador estadual a ser descredenciado em pouco mais de um ano – os outros três foram a fluminense Susana Cardoso, suspeita de ter ligações com milícias, o sergipano Deivide Barnbosa, acusado de adulterar resultados da etapa de Sergipe do Miss Brasil, a sul-mato-grossense Melissa Tamaciro, pela mesma prática, e o alagoano Márcio Mattos, acusado de assédio por candidatas ao Miss Alagoas 2015.
No áudio, apresentado pelo site 180graus, Nelito chama uma das concorrentes de “negrinha”, o que por si só já denotaria alguma forma de ofensa racial. “O esquema é esse (…), elogiar umas do grupo [de modelos], menos a negrinha. (…)E não se preocupe não, porque eles vão dizer que foi injustiça (…), mas eles nunca vão dizer que foi vendido [o título]”, disse Nelito em um trecho do áudio. Mais à frente, Nelito, talvez tentando desmerecer as condições sociais de parte das competidoras do Miss Piauí 2016, disse que “miss não fala em pobreza (…). Nunca conte moeda. Mulher de classe não conta moeda”. O Piauí possui o quarto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, de acordo com dados do IBGE, relativos ao Censo Demográfico de 2010.

SBT/Reprodução/Divulgação

A candidata citada na gravação, a empresária Kayra Vasconcelos, que representou a cidade de Esperantina, disse que “da forma como ele [se reporta], para mim tudo ficou claro, que o preconceito não é de Teresina. O preconceito já era dele, entendeu? É uma coisa dele. Ele era o preconceituoso”. Nelito Marques coordena o Miss Brasil no Piauí desde 1991, quando acabaram os vínculos do SBT com a Miss Universe Inc., então pertencente à empresa americana MSG Entertainment, por pressão de parlamentares do PT, incluindo alguns presos pela Operação Lava Jato, e anunciantes ligados à Rede Globo e à Associação Brasileira de Anunciantes, além de movimentos feministas de esquerda ligados a grupos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), centrais sindicais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e políticos integrantes do Foro de São Paulo.

SBT/Reprodução/Divulgação
Na foto, a Carrie Mathison do Meio Norte Oriental do Olimpop Bolivariano

Procurado pelo repórter Roberto Cabrini, Nelito não se manifestou. O inquérito que apura os desvios de conduta do coordenador do Miss Piauí já está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MP-PI).
A denúncia de racismo no Miss Piauí vem à tona a 76 dias de uma negra, a baiana Raíssa Santana, 21, eleita Miss Brasil 2016 pelo Paraná da Lava Jato que colocou na cadeia até o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados que engendrou o início do processo que resultaria no impeachment da presidenta legítima da República, Dilma Rousseff, 68, apoiado por movimentos de extrema direita, entre os quais O Meu Partido é o Brasil, do qual tomou parte a Miss Brasil 2015 Marthina Brandt, associados a grupos de mídia como Globo, Abril, Sílvio Santos e Folha e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), competir no concurso Miss Universo 2016, a ser realizado em Pasay (região metropolitana de Manila, capital das Filipinas). Em 62 anos de participações brasileiras no Miss Universo, esta é a primeira vez que uma denúncia de racismo envolvendo coordenador estadual vem a público.
A Miss Universe Organization, entidade que controla o Miss Universo, e sua controlada no Brasil, a Organização Miss Brasil Universo, joint venture da WME/IMG com a empresa de televendas Polishop e a agência Ford Models deverão soltar comunicado conjunto sobre o caso nas próximas horas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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