A 77 dias de sua realização, distribuição internacional do concurso Miss Universo 2016 permanece indefinida


Queda de braço entre a empresa Alfred Haber e a WME/IMG pode deixar alguns países, inclusive o Brasil, sem assistir ao certame

Da redação TV em Análise

Miss Universe Organization/Divulgação/20.12.2015
Acordo regional da TNT pode prejudicar a Band

Um verdadeiro jogo de empurra pode deixar o Brasil e mais 20 países da América Central, do Sul e Europa sem assistir à transmissão do concurso Miss Universo 2016, prevista para o dia 29 de janeiro de 2017, na Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila). A WME/IMG, dona do formato do concurso, assumiu os direitos de comercialização internacional do Miss Universo sem que as emissoras clientes do certame pela antiga distribuidora, a Alfred Haber Distribution, sediada em Pallisades Park (Nova Jersey), soubessem. Entre elas está a brasileira Rede Bandeirantes, que pela primeira vez desde 2003 corre o risco de ficar sem a transmissão do certame em TV aberta. No país, há um acordo pan-regional vigente desde 2005 assinado pela programadora Turner Latin America, sediada em Buenos Aires. É essa programadora que, no último domingo (6), conseguiu realizar através do canal pago TNT o concurso Miss Universo Argentina, acabando com anos de dominação das redes abertas nesse evento.
E é exatamente se valendo de acordos continentais ou pan-regionais que a WME/IMG, comandada pelo empresário judeu e democrata Aro Emanuel, 55, pretende acabar com o cartel das redes abertas que detém os direitos do Miss Universo em alguns países, inclusive no Brasil. Onde houver acordo de TV paga para o certame, vai prevalecer o acordo de TV paga sobre o que for firmado em TV aberta e outras mídias, alerta um alto executivo da WME/IMH, que pediu para não ser identificado. No entanto, a nova filosofia de trabalho não impede disparidades em alguns países, como na Colômbia. Lá, até 2015, a etapa nacional do Miss Universo era transmitida por uma rede – a RCN – e o Miss Universo por outra – a líder de audiência Caracol. A WME/IMG acabou com esse disparate e fez com que os direitos tanto do Miss Colômbia quanto do Miss Universo em TV aberta passassem a ser só da RCN. Porém, o contrato não impede a transmissão em TV paga pela TNT.
No caso brasileiro, a situação financeira da Bandeirantes não é das mais confortáveis. Apesar da injeção de dinheiro dada pela empresa de televendas Polishop para a viabilização do concurso Miss Brasil nos dois últimos anos, a empresa dona do Miss Universo anunciou que vai intervir na coordenação brasileira em função de denúncias de corrupção e facilitação à prostituição por parte de algumas coordenações municipais e estaduais, parte delas pertencente a aliados de políticos denunciados nas operações Lava Jato, Custo Brasil, Zelotes, Pororoca, Narciso, Confraria e Boi Barrica, da Polícia Federal. Diretores da Miss Universe Organization cobraram do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, 48, providências enérgicas para investigar os coordenadores regionais, mas não foram atendidos. Outra forma de socorrer a realização do Miss Brasil encontrada pela WME/IMG tem sido os aportes financeiros dados à Band e à Polishop, que até o dia 15 de outubro chegaram a US$ 75 milhões (R$ 254 milhões). Há relatos de malversação dos recursos oriundos de Nova York, após sua conversão em reais, para abastecer contas pessoais de alguns coordenadores, inclusive em paraísos fiscais como Liechtenstein, Suíça, Ilhas Virgens Britânicas e nos Estados americanos de Delaware e Rhode Island, reduto natal da Miss Universo 2012 Olivia Culpo, cuja eleição foi irrigada por esquemas de corrupção e desvios de verbas públicas de obras emergenciais engendrados por entidades de direita, como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e o Instituto Millenium. Em maio, antes das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o rombo nos cofres da Band era de R$ 440 milhões (US$ 129,69 milhões) e já equivalia a praticamente o dobro do que a WME/IMG investira para socorrer a coordenação do Miss Brasil, gerenciada por um consórcio formado também pela agência de modelos Ford, rival nos Estados Unidos da IMG, braço de modelos da empresa dona do Miss Universo.
Sob condição de anonimato, alguns diretores da Band admitiram ao TV em Análise Críticas as irregularidades nas coordenações estaduais do Miss Brasil, mas não no grau denunciado pela reportagem. Disseram tratar-se apenas de “casos isolados”. Os quais a WME/IMG já está de olho para passar a faca na parceria Band/Polishop, que tem vigência até 2020. E recuperar para o público brasileiro a credibilidade que o Miss Brasil já teve, com uma nova emissora – a Globo – e a atração de novos anunciantes, com perspectivas de faturar tanto quanto a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no Campeonato Brasileiro de Futebol nas séries A e B.
No entanto, o jogo de empurra entre Alfred Haber e WME/IMG, para o Miss Universo 2016, pode deixar o público brasileiro de TV aberta sem ver o concurso. E restringi-lo à audiência seletiva do canal pago TNT, a despeito deste estar nos pacotes básicos de todas as operadoras de TV por assinatura do país. A se confirmar, esta será a primeira vez desde que o Miss Universo começou a ser exibido no país, em 1971, pela extinta Rede Tupi, que o concurso dica fora da maioria dos lares brasileiros por conta de uma disputa infantil de distribuição de direitos internacionais.
Oficialmente, no entanto, a IMG ainda não assumiu a distribuição internacional do Miss Universo para o concurso de 2016, mas como denotado no caso do acordo com a RCN, já começa a trabalhar a passos largos para assumir a função que até o ano passado pertencia à Alfred Haber. Além do Miss Universo, a IMG distribui séries e minisséries televisivas como a vencedora do Emmy The Night Manager (AMC), além de eventos esportivos como a NFL, o The Open Championship de golfe e a MotoGP, por exemplo. No entanto, propriedades suas como o UFC e a liga de rodeios PBR permanecem sendo distribuídas por terceiros.
Em 2015, o concurso de Miss Universo foi distribuído pela Alfred Haber para 190 países e territórios, sendo visto em 213. O número de alcance é 373,33% maior que o que o Miss Universo teve em 1985, quando foi visto em apenas 45 países e territórios. Em 30 anos, o crescimento da base de distribuição do Miss Universo foi de 322,22%. Resta agora à WME/IMG zelar por essa conta.
Nos Estados Unidos, o Miss Universo 2016 terá transmissão em língua inglesa da FOX. Até o fechamento desta reportagem, nenhum canal em língua espanhola foi procurado pela WME/IMG para assegurar a transmissão do certame para a comunidade latina residente no país. No ano passado, a tarefa foi da irrelevante Azteca América.
Diretores de redes europeias aguardam o desenlace do caso Alfred Haber/MUO para saberem com quem afinal irão negociar os direitos do Miss Universo 2016. É nesse continente que está a liderança da avaliação parcial mais recente que o Críticas publicou, na terça-feira (8). A francesa Iris Mittenaere aparece na frente, seguida da equatoriana Connie Jiménez, da colombiana Andrea Tovar, da brasileira Raíssa Santana e da neozelandesa Tania Dawson nas cinco primeiras colocações. A candidata do país-sede do concurso, Maxine Medina, aparece na décima colocação.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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