Assunto da semana: Garota, garota, garota


Entre Teump e Me Chama de Bruna a pensata da direita velhaca

FOX Networks Group/Divulgação

Falar de livro da Bruna Surfistinha e filme é fácil. O difícil é tentar encaixar argumentos que tornem os cinco primeiros episódios de Me Chama de Bruna (FOX 1, sábado, 20 e 22h, 18 anos, com reprises ao longo da semana) coisa palatável para se escrever, ainda mais em tempos de agenda conservadora ditada tanto por Temer quanto por Trump, novo inquilino da Casa Branca. Mais fácil é tratar da complexidade em que se descreveu a produção, a começar do investimento em um rosto estreante – Maria Bopp, 26, a contragosto do mercado.

FOX Networks Group/Divulgação

É óbvio que a escolha de Maria Bopp para ser a Surfistinha do produto televisivo reflita um novo momentum da dramaturgia de TV paga, cada vez mais beneficiada pelos planos da Agência Nacional de Cinema, a Ancine, que ironicamente contemplou reality de idealizador do Miss Bumbum. Alguma coisa a ver com o plot de #MeChamadeBruna (assim escrito, com a hashtag)? Aparentemente, sim e não. Sim, pela narrativa dos prostíbulos do relato de Raquel Pacheco, ex-fazendeira. E não porque trata de outro mundo, não o de promotor de eventos.

FOX Networks Group/Divilgação

Com jeito de obra mais aberta que telenovela, Me Chama de Bruna (sem a hashtag) soa a quem experimenta a rede de canais premium da FOX até o feriado desta terça-feira (15) como um dramalhão denso e ao mesmo tempo verossímil. Pega para os lados das questões existenciais sem fazer as apelações de revistinhas diurnas, destinadas a assacar a “produção cultural” da era Temer, envasada em mediocridades e circos de horrores. A série da Bruna Surfistinha não se enquadra, pois teve projeto aceito ainda no governo Dilma.

FOX Networks Group/Divilgação

Sem referências no IMDb ou Wikipedia, Me Chama de Bruna se destaca pelo efeito do boca a boca, do ouvir falar. Mas o empenho da FOX em levar seus canais premium faz com que a sua base de assinantes tenha acesso a enredos de dramaturgia aceita, sem descambar na demagogia de programas de fofocas e revistinhas da imprensa velhaca, senil e gagá. Mesmo sem uma guia de episódios na mão, o conhecimento de sua higiene visual, dada pela TV Zero, ajuda para que possamos conhecer Bruna melhor. E entender seu mundo. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (13/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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