Band permanecerá com direitos de transmissão do Miss Brasil até 2020, mas Miss Universo é dúvida


Emissora fechou acordo com a Organização Miss Brasil Universo, da Polishop, WME/IMG e Ford Models, para transmitir sozinha concursos regionais e nacional

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/Divulgação/01.10.2016

A Rede Bandeirantes fechou na sexta-feira (4) um contrato de quatro anos com a Organização Miss Brasil Universo, joint venture da Polishop, WME/IMG e Ford Models, para permanecer transmitindo o concurso de Miss Brasil e os concursos estaduais e municipais a ele associados. Pelo acordo, válido até 31 de outubro de 2020, caberá apenas à Band a exposição nas mídias sociais, transmissões de concursos regionais via Internet e divulgação do concurso nacional em todas as mídias (televisão, rádio, jornal, revista, telefonia celular e Internet), tendo para tanto o suporte financeiro e técnico da Polishop e dos Estúdios Polishop, que passam a partir de agora a gerir todos os procedimentos de produção dos ciclos do Miss Brasil até 2020. A mudança vai afetar também as 27 coordenações estaduais e as 354 municipais, que terão de se submeter a uma cartilha de recomendações mais ampla que a que foi usada no Manual de Ética e Operações que foi empregado no Miss Brasil 2016.
Pelo novo contrato, caberá apenas à Polishop gerenciar a comercialização de espaços publicitários e votas de patrocínio de 26 das 27 etapas estaduais do Miss Brasil e suas etapas municipais. Único Estado a não contar com loja da Polishop, Roraima terá tratamento diferenciado. Receberá auxílio da Band e não da patrocinadora master do Miss Brasil, que credencia a representante brasileira para o Miss Universo desde 1954. Na Band, essa tarefa é exercida desde 2003, seja através de mãos próprias ou de terceiros, como agora.
No entanto, o acordo não dá à Band a garantia da continuidade dos direitos de TV aberta do concurso de Miss Universo, que estão atrelados ao do Miss Brasil desde 2003. Apenas em 1979 e 1980, os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo ficaram nas mãos de duas emissoras distintas – a Tupi, que agonizava em praça pública com greves que levaram à sua cassação, e à Record/Estúdios Sílvio Santos, que assumiu apenas a transmissão do Miss Universo, mas levaria o pacote completo em 1981. A Record deixou de transmitir o Miss Brasil e o Miss Universo a partir de 1982, quando o concurso já era propriedade do recém-criado SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Deputados federais do PT (inclusive aqueles presos pela Operação Lava Jato) e anunciantes ligados à Rede Globo pressionaram o animador Sílvio Santos, 85, a parar com os concursos de misses – além do Miss Brasil e do Miss Universo, o SBT também detinha a exclusividade do Miss Mundo, agora nas mãos da Record News, canal de notícias do Grupo Record, em parceria com missólogos dissidentes da Band e da Gaeta Promoções e Eventos, que formaram a Organização Miss Mundo Brasil (atual Concurso Nacional de Beleza), em outubro de 2005.
Para a Band continuar com o Miss Universo, terá de ser conduzida uma negociação à parte, sem a participação da Polishop (detentora da concessão do concurso para o Brasil). Os direitos internacionais do Miss Universo pertenciam até recentemente à empresa Alfred Haber Distribition, que os perdeu para a IMG, dona do Miss Universo. A inexperiência da WME/IMG na comercialização de direitos de eventos como o Miss Universo pode acabar pesando contra a Band, que pode aí encontrar um grave obstáculo: a IMG é parceira da Globo na organização de festivais de cultura pop, como Lollapalooza, e eventos esportivos como o Ultimate Fighting Cmaphionship (UFC, não confundir com Universidade Federal do Ceará). Antes do Miss Universo, a WME/IMG comprou a propriedade da liga de rodeios PBR, a mais importante dos Estados Unidos da América do Norte.

Vamos torcer por Raíssa Santana na Globo?

Caso a IMG “tranque” os direitos de tevê aberta do Miss Universo para o Brasil, como quer a Rede Globo e seus aliados políticos – PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, Fiesp, Ministério Público Federal e movimentos pró-impeachment do presidente Michel Temer, 75, a Band poderá perder ali seu único evento não esportivo internacional do qual tinha dos direitos de transmissão. Atualmente, a Band aberta tem acordos de sublicenciamento com a Globo para a Liga dos Campeões da Europa e eventos FIFA (Copas do Mundo de divisões inferiores e de beach soccer, por exemplo).
Se a Band perder o Miss Universo 2016, corre-se um risco enorme de o certame parar nas mãos da Globo em TV aberta, o que fatalmente aumentaria a exposição da disputa internacional na imprensa brasileira, atualmente muito tímida, fraca e restrita. A favor da Globo, a malha de correspondentes internacionais e de sinais internacionais que a Band não tem. Para a baiana Raíssa Santana, 21, ganhar o Miss Universo, falta um apoio mais amplo da imprensa à sua participação, não apenas um tratamento como miss Brasil decorativa como Temer no governo da presidenta cassada Dilma Rousseff, 68. E, principalmente, mais reportagens nos telejornais e programas de maior alcance. Só a grana da Polishop não resolve toda a desgraça, que se arrasta desde a crueldade da ditadura militar, em 13 de julho de 1968, quando outra baiana, Martha Vasconcellos, nos trouxe nossa última coroa.

Contas do concurso não devem fechar, alerta especialista

No mercado de direitos de transmissão, estima-se que o acordo firmado entre a Band e a Organização Miss Brasil Universo valha R$ 13 milhões por ano, bem menos do que a Globo cobra aos clubes para transmitir o Brasileirinho e campeonatos estaduais de futebol. Todo o dinheiro deverá ir para o caixa da Polishop, empresa que detém a exploração comercial da marca Miss Brasil, através do selo de cosméticos Be Emotion. Ao final do acordo, em 2020, a Polishop deverá ter embolsado R$ 52 milhões. O valor não inclui as vendas de produtos licenciados da marca Miss Brasil Be Emotion, feitas através de lojas físicas, consultores e vendas por telefone e Internet.
De acordo com um especialista de direitos de eventos não esportivos ouvido pelo TV em Análise Críticas, a conta do Miss Brasil válido pelo Miss Universo, a despeito do respaldo financeiro da Polishop, não deverá fechar até 2020 para a Band, tampouco para a própria Polishop. “Haverá uma grande perda financeira para ambos os lados”, sentencia a fonte, que pediu para não ser identificada.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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