Novela do Miss Universo 2016 teve final feliz e presente antecipado de aniversário para secretária de Turismo das Filipinas Wanda Teo


Ocupante da pasta completou 64 anos no dia seguinte à confirmação de Pasay como sede da final televisionada de daqui a 85 dias

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Facebook/07.09.2016

Um dia depois da entrevista coletiva que referendava não apenas as Filipinas, mas também a cidade de Pasay, na região metropolitana da capital, Manila, como sede do concurso Miss Universo 2016, a secretária do Departamento de Turismo (DOT, na sigla em inglês), Wamnda Corazon Tulio Teo, estava literalmente nas nuvens. A conquista da sede da 65ª edição do principal concurso de beleza do mundo, após quase quatro meses de intensas negociações e tensões causadas por ameaças terroristas e boatos plantados de cancelamento apenas fortaleceram a imagem da figura-chave para tentar limpar a barra junto à comunidade internacional do novo presidente do país, Ridrigo Diterte, 71, alvo de ataques constantes de entidades de direitos humanos como a Anistia Internacional por sua política sanguinária de repressão aos dependentes químicos. Mas esse ponto, Wanda Teo e sua subsecretária, a ex-apresentadora de tevê Katherine “Kat” de Castro, preferiram passar adiante para depois que Pia Wurtzbach, 27, passar a faixa e a coroa na Mall of Asia Arena daqui a 85 dias.
Com um Parabéns pra Você entoado em coro na sede do DOT, em Makati (zona leste da Grande Manila), na manhã da sexta-feira (4), Wanda Teo tinha ali a coroação de quatro meses de trabalho, iniciado com as tratativas para o Miss Universo 2016. O primeiro compromisso de Duterte após a posse, fora a libertação da ex-presidenta Glória Arroyo, 39, acusada de corrupção, e a implantação do “programa justiceiro” de combate às drogas, foi trazer o concurso Miss Universo 2016 para as Filipinas. Duterte ainda estava em campanha quando Pia aportou nas ruas de Manila, em janeiro, num estandarte saudando sua vitória acidental em Las Vegas, no teatro The AXIS, na noite de 20 de dezembro de 2015. Acidental e ao mesmo tempo alentadora: há 42 anos, nenhuma filipina conquistava o título de Miss Universo. E há exatas três décadas, um levante popular acabava com a ditadura sanguinária e maniqueísta imposta por Ferdinand Marcos (1917-1989) que moldou a propaganda estelionatária do Miss Universo 1974, realizado em Pasay, no Centro Cultural das Filipinas, mantido pelo poder público.
A chegada de Wanad Teo ao Departamento de Turismo das Filipinas é a oportunidade de ouro do país tentar passar ao mundo uma imagem limpa, livre das dores do passado, que culminaram no silêncio e no abate de vozes livres e dissonantes da ostentação a la Imelda Marcos, que levavam os filipinos às ruas, em marchas de protesto contra as feridas de um passado que dificilmente cicatriza para muitos que viveram essa fase de horrores para o país, um dos gigantes do Sudeste Asiático. Para os Estados Unidos, parceiro chave de tratados comerciais, a transmissão do Miss Universo 2016 é uma oportunidade de quem sair das urnas na terça-feira (8), entre Hillary Clinton, Donald Trump ou quem quer que seja para a Casa Branca, já empossado (ou empossada) tenha a chance de receber o voto de confiança de Deshauna Barber, militar licenciada para vergar o título de Miss USA 2016 e disputar a coroa ao lado de outras 83 candidatas.
O sorriso de confiança denotado por Wanda na sua foto do perfil institucional de Facebook é a mostra de que umas novas Filipinas estão prontas para mostrar ao mundo valores nunca antes mostrados. Beleza que não devem se restringir aos cliques das candidatas, mas à exposição de paisagens como Ilolo, Cebu, Palawan, Vigan e outras. Mostrar a 212 países e territórios que as Filipinas não são meras coadjuvantes do turismo internacional.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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