Assunto da semana: No divã com Hannah Montana


Temporada do The Voice com Alicia e Miley é para pensar na cama

Trae Patton/NBC/Divulgação/25.10.2016
Alicia e Miley (com a farda corporativa) em ação

Com os nocautes iniciados, a 11ª temporada do The Voice (Sony 3ª e 4ª, 20h55, 12 anos), único reality musical de competição que a televisão aberta americana conseguiu absorver após o fim do longevo American Idol em abril, se converteu até o momento em um contraponto de tudo o que já se fez. Não dá entusiasmo na fase de audições cegas (a despeito da promoção pós-olímpica), muito menos convence pelo apelo. As convocações de Alicia Keys e Miley Cyrus para formar a dupla feminina ante Blake e Adam refletem esse desânimo.
Convenhamos: ante um The Voice Brasil que preserva no corpo de técnicos um cantor de MPB Shell da década de 1980 e último romântico do que sobrou da banda boa da MPB, é alentador colocar uma atriz cujo principal crédito no IMDb foi Hannah Montana? Não. Mas, se julgarmos Miley Ray Curus pela capa do disco como fazia o finado Flávio Cavalcanti (1923-1986), ótimo. Tem a aprovação da tia, Dolly Parton, cantora country da velha guarda, e do pai, Billy Ray Cyrus. No Voice de Miley, a sombra de um deles se sentiu.
Enfeitada na abertura da temporada com as flores roubadas, em tese, do jardim simbólico de Burle Marx no Maracanã, a camisa de Miley com o passar da temporada foi sendo trocada. Agora veste um uniforme corporativo com o nome “Team Miley”. Deveria servir de exemplo para o resto – Alicia, Blake Shelton e Adam Levine, espécie de Lulu Santos sem os cabelões transados de 1982 – na época do festival da Globo, Levine ainda era um meninote de Los Angeles, aspirante fracassado a jogar basquete nos Lakers da NBA.
Optando por comprar a camisa de trabalho de Miley não com o dinheiro, mas com a convicção, me convenço de que, para as mulheres, o The Voice parece uma empresa com rodízio de trabalho decidido: assim que acabar a licença-maternidade “plantada” pela imprensa de fofocas para Gwen Stefani, 46 – quem lê a Redbook e não a Veja sabe muito bem do que está falando, a cantora do No Doubt reassume o assento. E assim se dará no ciclo 2017-2018 – Miley/Alicia no outono e Gwen/Alicia após a Olimpíada da Coreia. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (6/11)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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