A ‘valorização da mulher’ do PT de Marta Suplixy, Erundina, Zé Dirceu, Palocci e Lula e a Globo fizeram o SBT jogar a toalha em relação ao concurso de Miss Brasil em 1990


Como a turma agora presa pelo mensalão e pela Lava Jato operou em Brasília para fazer Sílvio Santos devolver a concessão brasileira do Miss Universo

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Rodolfo Buhrer/Reuters/26.09.2016

Anos antes de chegar ao poder, pela vontade soberana do povo brasileiro, o Partido dos Trabalhadores (PT) já operava nos bastidores de Brasília junto à Rede Globo e uma meia dúzia de intelectuais e artistas para urdir um boicote branco ao concurso Miss Brasil 1989. Deram com os burros n’água ao verem que Gonzaguinha (1946-4991), filho do Rei do Baião Luiz Gonzaga (1912-1989) cantara no certame, transmitido pelo SBT de forma diferenciada – todo o trabalho fora gravado no dia 31 de março de 1989 para exibição na noite seguinte. À época, o PT era um partideco sem expressão na Câmara dos Deputados. Não tinha um senador sequer, tampouco governadores de Estado. Mas já governava nas mãos da paraibana Luiza Erundina, 81, a maior cidade do país, São Paulo. Tinha no seu domo um quinhão de prefeituras, sobretudo na região do ABC paulista – Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema. Usou esse cacife eleitoral para fazer com que a emissora de então do Miss Brasil e também do Miss Universo, o SBT, jogasse fora a concessão do concurso internacional de beleza mais importante, àquela altura já vendida pela Paramount para a MSG Entertainment, dona do Madison Square Garden, casa dos New York Knicks da NBA e dos Islanders da NHL (No concurso de 1994, realizado em Pasay, a propriedade do Miss Universo já tinha passado da MSG para a saboneteira Procter and Gamble, anunciante da Rede Globo, antes de Donald Trump meter a mão no cofre, em 1995).
Mesmo com uma bancada pequena de deputados, o PT já usava suas forças nos movimentos feministas junto com lideranças do PCB, PCdoB e as bases dos atuais PSOL, Rede Sustentabilidade, PSTU e PCO, através da chamada “Convergência Socialista” para fazer o terrorismo psicológico junto à área jurídica do SBT, bem como aos responsáveis pela programação do Miss Brasil/Miss Universo. Numa época sem Internet, usavam as seções de cartas dos jornalões e de algumas revistas de fofocas para destilarem ataques vis ao principal concurso de beleza do país, preocupando uma legião de fãs que não acompanhava o interesse das jovens de então – elas preferiam a trinca sexo, drogas e rock and roll a concorrer nas cada vez mais escassas etapas municipais e estaduais do certame que levava à porta do Miss Universo, àquela altura itinerante pela Ásia e América do Norte. Quando estouraram os ataques à Miss Brasil de 2001, a gaúcha Juliana Borges, o SBT já mão mandava mais no Miss Brasil nem detinha mais direito nenhum do Miss Universo. Couve ao promotor de eventos Boanerges Gaeta Jr fazer uma operação de mídia logo após o episódio, verificado durante o concurso Miss Universo 2001, realizado em Bayamon (Porto Rico), para renegociar os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo com as cinco principais redes do país – Globo (que já tinha na prática esses direitos), Record, SBT, Bandeirantes e uma sobra da antiga Rede Manchete chamada Rede TV!. A emissora dos sócios Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho levou o pacote do Miss Brasil, mas não o Miss Universo 2002: o concures internacional ainda estava preso nas mãos da famíglia Marinho. Só sairia de suas amarras em 2003, quando a Band assumiu os dois concursos.

CBS/Divulgação/23.05.1988

As sandices da “valorização da mulher brasileira” apregoadas nos programas de governo dos candidatos petistas a cargos executivos no período em que as tevês brasileiras ficaram sem o Miss Brasil e o Miss Universo apenas endossaram o poder de ingerência da esquerda brasileira num dos divertimentos mais familiares dos brasileiros. As baboseiras pregadas pela “Constituição cidadã” do saudoso doutor Ulysses Guimarães (1916-1992) fizeram mal à indústria dos concursos de misses, àquela época atrelada ao poder da televisão. Desatrelado esse poder, por obra e graça de expoentes petistas agora presos pelo mensalão e pelo petrolão da Operação Lava Jato como José Dirceu, José Genoíno, João Vaccari Neto e Antônio Palocci, o Brasil passou a experimentar na década de 1990 uma época de desgraça no Miss Universo. Seus coordenadores, desamparados pela mídia, não souberam lidar com a violência da fórmula 10-6-3, que tereminava semifinalistas e finalistas das edições do Miss Universo realizadas de 1991 a 2000 (o Brasil ficou fora em 1990 por causa da desventura política de Sílvio Santos, Senor Abravanel vulgo, arquitetadas por coronéis da política nordestina como Marcondes Gadelha e Hugo Napoleão. Quando Leeza Gibbons anunciara o Miss Universo 1990 para 15 de abril, em Los Angeles, ao final do Miss USA 1990, a 13 dias da posse de Fernando Collor de Mello no Palácio do Planalto, a desgraça para o SBT já estava feita para alegria do consórcio Globo-PT-PCdoB-PSB.
***
Com a chamada era Lula em vigência, o Brasil teve uma tímida melhora no aproveitamento no Miss Universo em relação à década anterior – de 20% na década de 1990, saltou para 30% nos anos 2000. Ainda sob o jugo petista, a década de 2010 reservou uma única desclassificação, a da capixaba Débora Lyra. Após o Miss Universo 2011 em casa, o país teve uma sequência de classificações que, com Raíssa Santana nas Filipinas, em plena era Temer de corte de direitos dos trabalhadores, sabe se lá como vai acabar. A seguir cenas dos próximos capítulos de #ForaTemer e #NenhumDireitoaMenos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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3 respostas para A ‘valorização da mulher’ do PT de Marta Suplixy, Erundina, Zé Dirceu, Palocci e Lula e a Globo fizeram o SBT jogar a toalha em relação ao concurso de Miss Brasil em 1990

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