A três meses de Raíssa Santana competir no Miss Universo 2016, Band fecha divisão de concursos de misses


Funcionários serão reaproveitados por consórcio da Polishop/Ford/WME-IMG, que detém a concessão do Miss Universo para o Brasil

Da redação TV em Análise

Miguel Schincariol/Folhapress/01.10.2016
Agora é adeus mesmo

Acabou o sonho de miss da Band, A emissora anunciou na manhã desta segunda-feira (31) o fechamento da sua divisão responsável por organizar os concursos de Miss Brasil e os concursos estaduais vinculados à etapa brasileira do Miss Universo. Cerca de 30 funcionários que ainda trabalhavam como voluntários da Organização Miss Brasil Universo foram convidados a deixar seus empregos. O argumento da Band é que, a partir de 2017, a emissora passará a investir em esporte e jornalismo nas faixas que eram ocupadas pelos eventos do Miss Brasil, inclusive transmissões de concursos regionais.
No lugar dos concursos de misses, a Band pretende apostar em transmissões de partidas de vôlei, através de sublicenciamentos a serem tentados com o Grupo Globo. Em troca, a Globo tiraria da Band todo o pacote do Miss Brasil/Miss Universo (inclusive concursos estaduais e municipais), em negociação direta que já estaria sendo conduzida junto à controladora da Miss Universe Organization, o grupo de entretenimento WME/IMG. A medida causou tristeza e decepção em setores da Band que já vinham trabalhando com um contrato longo de patrocínio com a empresa de televendas Polishop, no valor estimado de R$ 31 milhões, que teria vigência até 2020. A transmissão do Miss Universo 2016, daqui a 90 dias, direto da Mall of Asia Arena, em Pasay (região metropolitana de Manila, capital das Filipinas), será o último evento do segmento que a emissora vai transmitir.
A Rede Bandeirantes vinha transmitindo o concurso de Miss Brasil desde 2003, assim como o Miss Universo, através de acordos com a Gaeta Promoções e Eventos. Em 25 de setembro de 2011, a emissora assumiu, através de sua empresa de eventos, a Enter, a promoção do Miss Brasil e de todas as etapas regionais da fase brasileira do Miss Universo. Entre abril e junho de 2015, uma crise causada pelo descredenciamento do coordenador se Sergipe, Deicide Barbosa, ameaçou o país de ficar fora do Miss Universo 2015. Nem a venda da MUO de Donald Trump à WME/IMG, em 14 de setembro, resolveu o problema do Miss Brasil até que uma negociação secreta com a Polishop começou a pavimentar o caminho para o concurso sair gradativamente das mãos da Band. O golpe final foi dado em 12 de janeiro de 2016, quando a Enter foi fechada depois de cinco anos de atividades, resultando em cinco classificações consecutivas do Brasil no Miss Universo entre 2011 e 2015. 150 funcionários foram demitidos e remanejados para outras áreas do Grupo Band. O grupo que trabalhou no Projeto Miss 2016 era composto de 30 funcionários das unidades de São Paulo, Taubaté, Campinas, Presidente Prudente, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Uberaba, Salvador, Porto Alegre e Palmas (que já estava fechada).
Ao justificar a decisão de acabar com os concursos de misses a partir de 2017, um diretor da Band disse ao Críticas que “é melhor investir na Superliga do que em concursinho que só serve para encher os sofres dos outros, não o nosso”. No mercado, estima-se que a Band tenha tido prejuízos de R$ 14 milhões com o pacote do Projeto Miss 2016. O lucro, estimado em R$ 54 milhões (excetuando-se as vendas de produtos licenciados) foi todo represado pela Polishop. E é a própria Polishop quem passa a lucrar sozinha com o Miss Brasil. Estima-se que o pagamento dos direitos de transmissão do Miss Brasil, no acordo que ainda está sendo avaliado para ser assinado, rendam à empresa cerca de R$ 13 milhões por ano até 2020. Com a saída provável da Band do circuito, caberá à Polishop apressar as negociações com a Globo para salvar o Miss Brasil e o Miss Universo de outra seca midiática, como a que ocorreu de 1990 a 2002.
A retirada da Band dos concursos de misses em favor do esporte já pode ser sentida também nas redes sociais oficiais do Miss Brasil – no Facebook, por exemplo, a denominação @MissBrasilUniversoBand foi substituída na quinta-feira (27) por @MissBrasilBeEmotion, numa alusão ao naming right adotado pela etapa brasileira do Miss Universo. A medida deve afetar um pouco a exposição de mídia da candidata brasileira ao título de Miss Universo 2016, Raíssa Santana, 21, nos veículos do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que a partir de agora terão de trabalhar sob as limitações impostas pela Miss Universe Organization a entidades não detentoras dos direitos de transmissão do Miss Universo. Desde 1954, o Brasil acumula um histórico de 34 classificações em 61 participações, o que equivale a um aproveitamento de 55,73%, o terceiro melhor entre as 109 coordenações nacionais ativas do Miss Universo, atrás apenas de Estados Unidos e Venezuela. O último título conquistado veio em 1968, com a baiana Martha Vasconcellos, em Miami Beach (Grande Miami).
Nos horários a não serem usados pelo esporte, a Band pretende exibir filmes. O corpo funcional que a emissora desligou da área de misses será todo reaproveitado pela Organização Miss Brasil Universo, joint venture da Polishop com a agência Ford Models Brasil e a própria WME/IMG, dona também de propriedades esportivas como UFC e PBR.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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