Empresa organizadora do concurso de Miss Brasil começa a se livrar da Band e inicia aproximação com a Globo


Passo inicial foi dado com a mudança de perfil de uma rede social

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Inácio Moraes?Gshow/12.10.2016
Ida de Raíssa Santana a programa de Fátima Bernardes pode ter iniciado processo de transição da concessão brasileira do Miss Universo: contrato com a Band acaba em 2020

Aos poucos, a nova organização do concurso Miss Brasil válido pelo Miss Universo, liderada pela empresa de varejo Polishop, começa a ensaiar na surdina movimentações que visem afastar o concurso do Grupo Bandeirantes de Comunicação e aproximá-lo cada vez mais do Grupo Globo, principal conglomerado de mídia do país. O primeiro sinal da transição Band-Globo ensaiada pela Organização Miss Brasil Universo, foi dado nesta terça-feira (25), com a mudança do perfil de Facebook de Miss Brasil Universo para Miss Brasil Be Emotion, já adotando o naming right vigente para o ciclo do Miss Brasil 2016, realizado no sábado (1º), em São Paulo.
Pelas informações que a redação do TV em Análise Críticas conseguiu apurar, tem aumentado desde a quarta-feira (5) o número de matérias do site EGO, ligado à Globo, e de outras propriedades digitais da emissora da famíglia Marinho, em detrimento do material que até então era produzido pelo Portal da Band para os concursos do ciclo do Projeto Miss 2016. Estima-se que a troca de ativos do Miss Brasil da Band para a Globo leve no mínimo cinco anos para ser concluída. É o tempo de contrato que a emissora da família Saad tem para com a Miss Universe Organization e sua controladora, a WME/IMG. A WME/IMG, por sua vez, quer que o Miss Brasil vá para uma rede nacional de maior audiência que a Band. Na prática, a Globo é o principal alvo das negociações da empresa de Ari Emanuel, 55, segundo se diz, por ter maior potencial de atração de telespectadores que a Band, quarta rede nacional de maior audiência no país. Os quartos lugares que o Miss Brasil vem tendo desde 2009 nas médias de audiência são motivo de preocupação do novo comando da MUO, com diretores herdados das gestões de Donald Trump (1996-2015) e da MSG Entertainment (1989-1995).
Apesar da mudança, o nome do perfil continuava até às 13h19 desta terça-feira (26) a ter o mesmo registro (@MissBrasilUniversoBand). No entanto, mesmo com o vínculo aparente da Band, a organização do Miss Brasil já iniciou suas primeiras tratativas com a Globo. Apesar de não admitir oficialmente que está em negociações, a Organização Miss Brasil Universo começou a liberar participações de algumas candidatas regionais e da Miss Brasil 2016, Raíssa Santana, 21, para participar de programas da Rede Globo, emissora visada pela WME/IMG para transmitir o Miss Brasil e o Miss Universo em TV aberta no Brasil a partir de 2021. Outras ações semelhantes devem acontecer em canais da programadora Globosat, como GNT, Globo News, Multishow e Sportv, por exemplo.
Durante o ciclo de concursos do Miss Brasil 2016, duas atrizes de novelas da Globo – Mariana Rios e Dani Suzuki, ambas contratadas por obra – foram usadas para co apresentarem concursos entre estaduais (São Paulo e Rio Grande do Sul) e o nacional. O fato já denota um distanciamento que a concessionária do Miss Universo para o Brasil começa a tomar da Band, a despeito da obrigação contratual vigente com a IMG Universe, empresa da WME/IMG formada para administrar, desde 14 de setembro de 2015, os ativos do Miss Universo, que também incluem os concursos de Miss USA e Miss Teen USA.

Interesse da Globo no Miss Universo vem desde 1990

Desde 1989, quando o SBT se recusou a levar ao ar o concurso de Miss Universo, a Rede Globo tem expressado interesse em transmitir o concurso. Porém, não o tem feito por temor de reclamações de agências, anunciantes, entidades de defesa dos direitos humanos e movimentos feministas ligados a partidos de esquerda, como PT e PC do B, fortes críticos do que chamam de “monopólio” da emissora da rua Von Martius, no Jardim Botânico (zona sul do Rio de Janeiro). Quando o SBT abandonou as licenças do Miss Brasil e do Miss Universo, em 1990, a Globo usou prepostos, inclusive funcionários que o SBT demitira em função do Plano Collor, para as administrarem. O mesmo passou a ocorrer com o Miss Mundo Brasil, cuja licença estava inativa pelo SBT desde 1988.
De 1991 a 1997, a Globo assumiu os direitos do Miss Brasil e do Miss Universo sem nunca ter transmitido esses eventos. Em 1998, o SBT conseguiu da Globo uma permissão para exibir um VT do Miss Universo que se realizara em 12 de maio, em Honolulu. De 1999 a 2002, a Globo voltou a “travar” a exibição do Miss Universo na TV aberta brasileira. No entanto, a seca televisiva do Miss Brasil acabaria em 2002, na Rede TV!, migrando para a Band no ano seguinte. Ao todo, a Globo deixou os brasileiros sem ver concursos de misses durante quase toda a década de 1990 e o começo doa anos 2000. Impediu que se acompanhassem feitos importantes como os das indiana Sushmita Sen (1994) e Lara Dutta (2000) e da venezuelana Alicia Machado (1996). Ao mesmo tempo, contribuía para a desgraça do país no Miss Universo – além de sabotar a participação brasileira no Miss Universo 1990, a Globo colaborou para que o país tivesse apenas dias classificações no certame em toda a década – 1993, com a gaúcha Leila Schuster, e 1998, com a sul-mato-grossense Michela Marchi, ambas entre as 10 semifinalistas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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