Faltam 100 dias para o concurso Miss Universo 2016


*Nas Filipinas, preparativos para o certame seguem a todo vapor
*País sede do certame pela terceira vez tentará título inédito em casa
*Por que a situação nunca esteve tão favorável para uma miss brasileira no Miss Universo como agora, com a baiana Raíssa Santana

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Repridução/Missosology

Repridução/Missosology
Filipinas tentarão defender tradição de se classificar entre as semifinalistas em casa iniciado em 1974, com Guadalupe Sanchez

Dentro de 100 dias, o mundo vai conhecer a 65ª vencedora do título de Miss Universo. Embora o interesse da mídia do país sede, as Filipinas, tenha diminuído um pouco nos últimos dias, o concurso não deixa de ter a sua importância dada à chegada ao país de centenas de jornalistas, para não dizer milhares, para a cobertura do principal concurso de beleza feminina do mundo. Embora a mídia especializada em concursos de beleza esteja às voltas com outras competições, o TV em Análise Críticas tem dedicado desde julho dezenas de matérias sobre os preparativos das Filipinas para sediar o Miss Universo 2016. E, apesar dessa missão árdua, não desgrudou o olho da programação inerente ao 68º Primetime Emmy, que teve seu desfecho no dia 18 de setembro, nem o está desgrudando das outras premiações de mid-season, cujo calendário será divulgado mais adiante, na postagem a seguir.
O concurso Miss Universo 2016 será uma importante vitrine para o turismo das Filipinas, arquipélago de mais de 7 mil ilhas localizado no sudeste asiático, rota de tufões que na quarta-feira (19) fez seu teste mais importante de prevenção desde a catástrofe do tufão Hainan, em novembro de 2013, que deixou centenas de mortos e desaparecidos. A tragédia chamou a atenção da Miss Universe Organization, que organizou um fundo específico para ajudar as vítimas do desastre natural, reconstruindo vilas e pontes e assistindo aos órfãos e viúvas da tempestade.
O Departamento de Turismo das Filipinas (DOT, na sigla em inglês) vai lançar um novo slogan no início da programação oficial das 84 misses esperadas (de acordo com estimativa do Críticas), no dia 13 de janeiro. A expressão atual “It’s More Fun in the Philippines” (“É mais divertido nas Filipinas”) será substituída, atendendo a resultados de uma pesquisa encomendada pelo órgão junto à Nielsen. De acordo com o órgão, 65% dos turistas pesquisados que vieram da Europa gostaram do slogan atual. No entanto, apenas 26% deles manifestaram interesse em viajar para as Filipinas, alvo de ações terroristas do Abu Sayyaf, braço regional do Estado Islâmico, principal preocupação dos organizadores filipinos na área da segurança das candidatas, torcedores, jornalistas e outros profissionais que estejam no país durante o período de programação do certame.
De acordo com a subsecretária do DOT, Katherine “Kat” de Castro, a visita das misses ao presidente Rodrigo Duterte ocorrerá no dia 23 de janeiro, em local ainda a ser decidido.
Onze cidades de sete regiões – Grande Manila, Siargao, Cebu, Vigan, Davao, Bicol e Palawan – foram designadas para receber as atividades que as 84 candidatas ao Miss Universo 2016 irão cumprir. Desse total, 73 – ou 86,90% do total esperado – já foram eleitas, inclusive a baiana Raíssa Santana, 21, eleita Miss Brasil pelo Estado do Paraná no sábado (1º), em concurso realizado na cidade de São Paulo. De acordo com a mais recente avaliação parcial do Críticas e projeção do perfil Missosology Brazil, Raíssa está entre as favoritas a se classificar entre as 15 semifinalistas. A decisão do título ficará nas mãos dos jurados, a serem anunciados dias antes do certame.

Favoritismo de Raíssa é inédito para o Brasil na Ásia

A boa situação de Raíssa Santana nos levantamentos de alguns sites especializados, de início ajuda a candidata brasileira ao título. No entanto, o que deve lhe pesar contra é o mau histórico do Brasil em edições do Miss Universo realizadas na Ásia – em nove participações, não obteve nenhuma classificação entre as semifinalistas em 1974 (Manila), 1976 (Hong Kong), 1980 (Seul), 1987 (Cingapura), 1988 (Taipé), 1992 (Bangcoc), 1994 (Manila), 2005 (Bangcoc) e 2008 (Nha Trang).

Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo/01.10.2016
Raíssa Santana: ventos a favor, apesar do mau histórico na Ásia

Apesar do cenário sombrio, o que se desenha para a participação de Raíssa Santana no Miss Universo 2016 é um ambiente que deverá fazer as mentes conservadoras filipinas mudarem suas percepções sobre as candidatas brasileiras ao Miss Universo em relação a 1974, ano em que o Miss Universo ocorreu pela primeira vez no país. Desde então, o Miss Universo trocou de mãos quatro vezes. Na última transação, passou das mãos do então pré-candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, 70, para os empresários judeus Ari Emanuel, 55, e Patrick Whitesell, 51, donos do grupo de entretenimento WME/IMG e aliados da adversária de Trump, a senadora Hillary Clinton, 68, franca favorita a ocupar a Casa Branca, que já está sendo chamada por detratores brasileiros de “Dilma americana”, numa alusão à presidenta cassada da República, Dilma Rousseff, 68.
Nos anos em que Sandra Guimarães de Oliveira e Valéria Péris concorreram ao Miss |Universo nas Filipinas, haviam dois ambientes distintos. O primeiro, em 1974, era de amplo interesse no concurso, ainda nas mãos do império já em erosão dos Diários e Emissoras Associados. O segundo, em 1994, era de um esquecimento imposto pelo Grupo Globo ao SBT de Sílvio Santos, 85, que se viu obrigado a jogar a toalha, por pressões do mercado, do movimento feminista, de setores conservadores da imprensa e de deputadas federais do PT, dos direitos de transmissão do Miss Universo em 1991. Para piorar, o país ainda estava mergulhado no luto causado pela morte do piloto Ayrton Senna, em uma curva do autódromo de Ímola, na Itália, no domingo do Dia do Trabalho. No momentum de agora, com Raíssa, há o amparo de boa parte da imprensa, encabeçada pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, tendo na retaguarda a Turner Broadcasting System e como percussionistas os órgãos de imprensa encabeçados pela mesma Globo que, em 1974 e 1994, operou para dar às costas e derrubar o Brasil na primeira fase do concurso.

Fator torcida será peso para Maxine Medina tentar título em casa

Décima primeira colocada na mesma rodada de avaliações parciais do Críticas que colocou Raíssa entre as favoritas, a 20ª, Maxine Medina, 26, será a arma dos anfitriões do Miss Universo 2016 para uma improvável vitória inédita em casa. Nas vezes anteriores que sediou o Miss Universo (1974 e 1994), as Filipinas sempre classificaram candidatas entre as semifinalistas e com Maxine não deverá ser diferente. O peso do título da miss que encerrará seu reinado ser do país – Pia Wurtzbbach, 27 – deverá influenciar bastante a torcida local apesar do horário nada convidativo para a realização do concurso (Para atender a demandas de transmissões ao vivo de emissoras internacionais, sobretudo nas Américas e na Europa, o Miss Universo 2016 será realizado às 4h da madrugada do dia 30 de janeiro de 2017, na Mall of Asia Arena, em Pasay, cidade da região metropolitana de Manila). Em toda a história do Miss Universo, as Filipinas possuem 20 classificações em 60 participações, o que equivale a um aproveitamento de 33,33%. A presença de Maxine Medina será a 61ª das Filipinas na história do certame.

Xinhua Finance Agency/17.04.2016

Caso Maxine chegue a se classificar entre as 15 semifinalistas, o prognóstico passará para 21 classificações em 61 participações filipinas no Miss Universo, o que representará um aproveitamento de 34,42%.

Primeiras edições do Miss Universo nas Filipinas foram em locais do governo

Sedes do Miss Universo em 1974 e 1994, o Centro Cultural das Filipinas e o Centro Internacional de Convenções das Filipinas, ambos localizados em Pasay, não serão usados na realização do Miss Universo 2016. De acordo com o DOT, a opção por usar arenas da iniciativa privada para a seleção do local da final televisionada visa atender a uma orientação do presidente Duterte, que proibiu o uso de recursos públicos na organização do certame, bem como o uso de espaços pertencentes ao Estado – casos do CCP e do PICC.
Cinco locais – a Philippine Arena, em Bocaue (Grande Manila), a Mall of Asia Arena, em Pasay, o Smart Araneta Coliseum, em Quezón (Grande Manila), o Ynares Center, em Antipolo (Rizal) e o Clark Expo, em Angeles (Pampanga) – foram vistoriados pelo Comitê Organizador Filipino (PHC, na sigla em inglês) e pelo DOT para a decisão final sobre qual arena teria o direito de receber o Miss Universo 2016. A escolha natural recaiu sobre a Mall of Asia Arena, de Pasay, que passou também por inspeção de diretores da Miss Universe Organization, no final de setembro.

Certame entra na fase da burocracia

Com a conclusão dos anúncios iniciais feitos pelo DOT, a Miss Universe Organization já trabalha na finalização dos primeiros press releases relativos à realização do Miss Universo 2016. Detalhes financeiros do certame já estariam sendo finalizados junto aos quatro principais grupos investidores do certame – Philippine Airlines, Solar Entertainmenmt, SM Holdings e Universal Entertainment Corporation. De acordo com dados do DOT, são esperados na Mall of Asia Arena 1.500 torcedores das candidatas nacionais, boa parte deles vindos de países da Europa e de países da América do Sul com maior tradição no Miss Universo, como Venezuela e Colômbia.
A expectativa do DOT é que, com a marcação do certame para a madrugada, a geradora americana do certame, a FOX, possa fazer a transmissão ao vivo. Um pronunciamento oficial da emissora e da MUO a este respeito deverá ser feito até o início de novembro. De acordo com o DOT, a despeito da discordância de Duterte, o comediante Steve Harvey, que já terá completado 60 anos à época do certame, está assegurado em sua apresentação. Outros dois nomes femininos – um para a co apresentação de palco e outro para os comwentários de bastidores – deverão ser anunciados na mesma época.
Os contratos de organização do Miss Universo 2016 nas Filipinas já foram todos assinados com a anuência da presidenta da MUO, Paula Shugart. A estimativa é de que os grupos invistam US$ 11 milhões na organização do certame. A principal obra privada do concurso, o resort Okada Manila, será inaugurada em dezembro.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Eventos, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s