O diagnóstico da audiência individual do Miss Brasil 2016 nas praças componentes do Painel Nacional de Televisão


Apesar da candidata do Amazonas não ter avançado para o top 10, Manaus foi a praça que teve maior média domiciliar e audiência individual para o certame

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Celso Tavares?EGO/01.10.2016
Coroação de Raíssa Santana teve telespectadores mais baianos que paranaenses

O gráfico abaixo talvez ajude a explicar alguma coisa em relação ao fato de Manaus, capital do Amazonas, ter sido a praça do Painel Nacional de Televisão que registrou maior média domiciliar durante a transmissão do concurso Miss Brasil 2016, realizada pela rede Bandeirantes na noite do sábado (1º). Para alguns leitores, enche o saco. Mas tal mensuração se faz necessária para entender a preferência de alguns mercados, médios e de importância relativa para o bolo publicitário, e a rejeição de outros, maiores e mais importantes, a esse tipo de evento, existente na televisão brasileira desde 1970.
O primeiro cenário expõe apenas as médias domiciliares do certame em cada um dos 15 mercados formadores do Painel Nacional de Televisão (PNT), criado pela Kantar Ibope em 1997, ano em que os concursos de misses já estavam fora da televisão brasileira havia quase uma década. Não há registros da audiência que o concurso de Miss Brasil teve nas suas transmissões locais na Rede Record (São Paulo 1996 e 1998) e CNT (Rio de Janeiro, 1999-2001). Havia um gesso enorme, plantado pela Rede Globo, que impedia a divulgação dos certames por toda a mídia brasileira. Jornais e revistas, quando muito, se restringiam a dar uma lapadinha sem destaque, dado o silêncio imposto pela famíglia Marinho, dona dos direitos do Miss Universo para o Brasil através de pressupostos. Voltando ao presente dia, vamos aos dados do PNT praça por praça do Miss Brasil 2016

A AUDIÊNCIA DOMICILIAR DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA
Posição Mercado Média
(domiciliar
1 Manaus 5,5
2 Grande Belém 4,8
3 Grande Belo Horizonte 3,7
4 Grande Porto Alegre 3,5
5 Grande Campinas 3,2
6 Grande Salvador 3,1
7 Grande Recife 2,9
8 Grande São Paulo 2,4
9 Grande Curitiba 2,0
10 Grande Rio 1,9
11 Grande Goiânia 1,6
12 Grande Vitória 1,4
13 Grande Fortaleza 1,1
14 Brasília e Entorno 0,8
15 Grande Florianópolis 0,7
Fonte: Kantar Ibope Media

No gráfico seguinte, 10 das 14 unidades da federação com mercados regulares incluídos no PNT – São Paulo (com duas praças), Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Amazonas, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul – conseguiram classificar candidatas entre as 15 semifinalistas do Miss Brasil 2016. Tal dado vai obrigar o TV em Análise Críticas a revisar o quadro de acertos apresentado na segunda-feira (3), que apresentava o acerto de 11 das 15 semifinalistas (ou 73,33% do total) (Na revisão, esse quadro caiu para 10 de 15 semifinalistas, ou 66,66% do total, mais na matéria).
A despeito de a candidata do Pará, Fablina Paixão, ter caído fora na classificação oficial, a região metropolitana da capital do Estado, Belém, conseguiu aferir a segunda maior média domiciliar entre as 15 praças do PNT. No gráfico abaixo, a relação de audiência do Miss Brasil 2016 com a classificação de cada candidata estadual

A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA E SUA RELAÇÃO COM O DESEMPENHO DE CADA CANDIDATA ESTADUAL
Posição Mercado Média
(domiciliar
A candidata estadual
se classificou
entre as 10 semifinalistas?
1 Manaus 5,5 Sim
2 Grande Belém 4,8 Não
3 Grande Belo Horizonte 3,7 Sim
4 Grande Porto Alegre 3,5 Sim
5 Grande Campinas 3,2 Sim
6 Grande Salvador 3,1 Sim
7 Grande Recife 2,9 Sim
8 Grande São Paulo 2,4 Sim
9 Grande Curitiba 2,0 Sim
10 Grande Rio 1,9 Não
11 Grande Goiânia 1,6 Sim
12 Grande Vitória 1,4 Sim
13 Grande Fortaleza 1,1 Sim
14 Brasília e Entorno 0,8 Não
15 Grande Florianópolis 0,7 Não
Fonte: Kantar Ibope Media

Findos os desfiles que levaram a definição das 10, cinco e três finalistas, o Críticas elabora um ranking mais seleto, apenas com as praças dos Estados que seguiram para o top 10, top 5 e top 3, respectivamente. Aos dados

A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA APÓS A DEFINIÇÃO DAS CANDIDATAS CLASSIFICADAS PARA O TOP 10
Posição Mercado Média
(domiciliar
A candidata estadual
se classificou
entre as 10 semifinalistas?
1 Manaus 5,5 Não
2 Grande Belo Horizonte 3,7 Sim
3 Grande Porto Alegre 3,5 Sim
4 Grande Campinas 3,2 Sim
5 Grande Salvador 3,1 Não
6 Grande Recife 2,9 Não
7 Grande São Paulo 2,4 Sim
8 Grande Curitiba 2,0 Sim
9 Grande Goiânia 1,6 Sim
10 Grande Vitória 1,4 Não
11 Grande Fortaleza 1,1 Sim
Fonte: Kantar Ibope Media
A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA APÓS A DEFINIÇÃO DAS CANDIDATAS CLASSIFICADAS PARA O TOP 5
Posição Mercado Média
(domiciliar
A candidata estadual
se classificou
entre as 5 finalistas?
1 Grande Belo Horizonte 3,7 Não
2 Grande Porto Alegre 3,5 Não
3 Grande Campinas 3,2 Não
4 Grande São Paulo 2,4 Não
5 Grande Curitiba 2,0 Sim
9 Grande Goiânia 1,6 Não
7 Grande Fortaleza 1,1 Sim
Fonte: Kantar Ibope Media
A AUDIÊNCIA DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA APÓS A DEFINIÇÃO DAS CANDIDATAS CLASSIFICADAS PARA O TOP 3
Posição Mercado Média
(domiciliar
A candidata estadual
se classificou
entre as 3 finalistas?
1 Grande Curitiba 2,0 Sim
2 Grande Fortaleza 1,1 Não
Fonte: Kantar Ibope Media

Somente o fato da candidata do Paraná, Raíssa Santana, ter chegado entre as três finalistas do Miss Brasil 2016 para depois vencer o título, já afastou telespectadores dos outros 14 mercados participantes do PNT. É nítido que na capital do Paraná o interesse pelos concursos de misses seja bem menor que no interior. Cidades como Umuarama, de onde veio a representante brasileira no Miss Universo 2016, não tem medição regular e são consideradas apenas “praças especiais” por parte da Kantar Ibope. Ou seja, só tem audiência de TV divulgada de quando em quando. A antecessora de Raíssa, Marthina Brandt, veio de uma cidade que é parte da Grande Porto Alegre, Vale Real. A Grande Porto Alegre é praça regular do PNT. E nem essa leitura foi suficiente para fazer os jurados mudarem de opinião. Foram recorrer aos rincões mais afastados, onde medidores e pesquisadores da Kantar Ibope raramente chegam.

Radar de telespectadores

A despeito de a Grande São Paulo ter sido a praça que teve maior número de telespectadores, proporcionalmente, Manaus foi a praça que mais teve impacto no peso da audiência individual local. Para ter chegado aos 5,5 pontos na média domiciliar, o Miss Brasil 2016 na capital amazonense pegou parte expressiva dos 1.903.900 telespectadores alcançados pelo painel formulado pela Kantar Ibope para essa praça. Para chegar a 1% dos telespectadores manauaras, o certame teria que ter sido visto por 19.039 telespectadores, no mínimo. Acabou sendo visto por 40.100, o que equivale a 2,1 pontos na média individual. Na capital paulista, foram 218.900 telespectadores ou 1,1 ponto na média individual ante um escopo de 19.781.432 telespectadores pesquisados. Apesar da alta população, a proporção de telespectadores que assistiu a etapa brasileira do Miss Universo 2016 na capital paulista, que também sediou o evento, foi dez vezes menor, se considerando a média individual de cada mercado.

Lucas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/Divulgação/01.10.2016
Mesmo parando no top 15, Brena Dianná “puxou” audiência do Miss Brasil 2016 em Manaus

Descendo para Curitiba, capital do Estado de competição da nova Miss Brasil, a proporção foi de 26.700 telespectadores (média individual de 0,5) para um escopo de 3.000.700. Mal comparando a Salvador, capital do Estado natal de Raíssa Santana. Lá, o concurso teve 43.100 telespectadores (média individual de 1,1) para um escopo de 3.680.600 indivíduos cobertos pela empresa. Ou seja, o maior peso de telespectadores, a julgar pelo resultado final do Miss Brasil 2016, não veio definitivamente do Estado pelo qual a vencedora competiu. Mas da capital do Estado de origem da vencedora. Só o fato de a Bahia ter tido duas candidatas na disputa – fora Raíssa, a candidata do Estado, Victoria Esteves, que parou entre as 15 semifinalistas para a etapa de maiô – já contribuiu para uma dura derrota aos telespectadores da Grande Curitiba, que classificou apenas duas candidatas na disputa estadual – a da capital e a de Campina Grande do Sul.
Para o caso de Manaus, a grande torcida dada para a candidata local, Brena Dianná, também eliminada do top 10 de biquíni e trajes de gala, pesou para que o Miss Brasil tivesse a alta resposta de audiência que teve, a maior das 15 praças regulares do PNT. Também chama a atenção a média individual de 1,5 ponto registrada na Grande Campinas, região à qual é ligada a cidade de Caconde (divisa com Minas Gerais), da qual veio a vencedora do Miss São Paulo 2016, Sabrina de Paiva. A reação maior que na capital impressiona. Lá, foram 32.400 para um escopo de 2.134.000 telespectadores.
Em respeito a seus leitores, o Críticas não alterou a ordem das praças listadas para informar o número de telespectadores do Miss Brasil 2016 em cada mercado. Optou por colocar como primeiro peso para as tabelas abaixo, a média domiciliar aferida em cada mercado. Abaixo, as tabelas com o número de telespectadores e alcance individual do certame por mercado

A AUDIÊNCIA DOMICILIAR DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA, EM NÚMERO DE TELESPECTADORES
Posição Mercado Telespectadores
1 Manaus 40.100
2 Grande Belém 60.000
3 Grande Belo Horizonte 87.900
4 Grande Porto Alegre 72.400
5 Grande Campinas 32.400
6 Grande Salvador 43.100
7 Grande Recife 53.700
8 Grande São Paulo 218.900
9 Grande Curitiba 26.700
10 Grande Rio 87.500
11 Grande Goiânia 14.300
12 Grande Vitória 8.500
13 Grande Fortaleza 25.200
14 Brasília e Entorno 7.200
15 Grande Florianópolis 4.000
Fonte: Kantar Ibope Media
A AUDIÊNCIA DOMICILIAR DO MISS BRASIL 2016 POR PRAÇA, NO ALCANCE INDIVIDUAL
Posição Mercado Alcance
1 Manaus 120.300
2 Grande Belém 193.600
3 Grande Belo Horizonte 274.200
4 Grande Porto Alegre 236.300
5 Grande Campinas 106.300
6 Grande Salvador 156.800
7 Grande Recife 167.400
8 Grande São Paulo 898.000
9 Grande Curitiba 76.400
10 Grande Rio 390.100
11 Grande Goiânia 74.500
12 Grande Vitória 29.400
13 Grande Fortaleza 169.700
14 Brasília e Entorno 54.300
15 Grande Florianópolis 20.800
Fonte: Kantar Ibope Media

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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Uma resposta para O diagnóstico da audiência individual do Miss Brasil 2016 nas praças componentes do Painel Nacional de Televisão

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