Coordenações estaduais derrotadas terão de sobreviver à mão grande da Polishop para o ciclo do Miss Brasil 2017


Para o ciclo do Miss Brasil 2016, empresa pagou R$ 31 milhões à Band pelo naming right do certame e pretende usar seu poder de influência nas capitais para encolher número de coordenadores franqueados e acelerar calendário de concursos estaduais

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Facebook/Raíssa Santana/02.10.2016
Raíssa Santana indo justificar voto na manhã seguinte à sua eleição como Miss Brasil 2016

O Miss Brasil 2016 agora é passado e a partir de agora as 18 coordenações estaduais franqueadas que não conseguiram a coroa terão de se debruçar sobre uma série de dramas e dilemas que poderão inclusive resultar na passagem de algumas delas direta para a Polishop, empresa responsável pelo patrocínio master do Projeto Miss provido à Rede Bandeirantes. À exceção do Paraná da BMW Eventos (do casal Eliane e Wall Barrionuevo) e de Raíssa Santana (Miss Paraná 2016 que agora terá de abrir mão do título estadual em nome do título nacional), o resto dos Estados que competiu na etapa brasileira do Miss Universo 2016 terá de pensar agora na reconstrução do ambiente de trabalho para o ciclo do Miss Brasil 2017. Antes, porém, os 19 franqueados do concurso nacional terão de traçar planos para planejarem as estratégias de ação para os concursos estaduais, que deverão ser retomados apenas em maio, depois que a OMBU tiver formatado todo o plano de trabalho.
Para Espírito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins, a Polishop/Ford Models/WME/IMG encontra para o ciclo do Miss Brasil 2017 um cenário de terra arrasada. Não havia coordenadores para esses Estados e a Polishop (através do guarda-chuva de sua bandeira Be Emotion) se viu compelida a arcar com a organização de seletivas nesses Estados, mais Minas Gerais, que teve um baixo número de inscritas que impossibilitou o Miss Minas Gerais tradicional, Teve de se realizar o certame em meio a uma convenção da Polishop, no Centro de Convenções da Gameleira, o Expominas, em Belo Horizonte, para uma plateia de 10 mil pessoas, coisa digna de Lollapalooza Brasil ou Rock in Rio, porém, para um público mais dirigido.
No grosso das coordenações estaduais franqueadas, no entanto, o ciclo do Miss Brasil 2017 só deverá começar mesmo após o Carnaval, na semana de 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Caso Raíssa Santana vença o Miss Universo 2016 no dia 30 de janeiro, em Pasay (Filipinas), tudo OK: antecipam-se as datas dos regionais e prepara-se uma mega recepção caso Raíssa leve a coroa, o que será pouco provável. A conjectura mais provável é o depois do Miss Universo 2016 e da festa de Momo. Até lá, a Band já terá acertado suas contas para o ciclo de transmissões de concursos estaduais, do Miss Brasil e, óbvio, começando a acertar suas obrigatoriedades para transmitir o Miss Universo 2017 (o concurso que vai ocorrer em janeiro, repito, é o Miss Universo 2016, com atraso).
Um dos pontos que deve elevar o tom das discussões entre os coordenadores estaduais e o consórcio liderado pela Polishop, que antes se opunha à formação de uma empresa para deter a concessão do Miss Universo para o Brasil no lugar da extinta Enter, é a formatação do calendário dos concursos estaduais para o ciclo do Miss Brasil 2017. Enquanto muitos coordenadores ainda comemoram, mesmo fora de suas jurisdições, a eleição de Raíssa Santana, alguns, no entanto, já começaram a fazer as contas de se vai valer a pena continuar investindo num modelo cada vez mais combalido de escolha das candidatas estaduais para o Miss Brasil. A experiência das seletivas realizadas pela Polishop no Rio, Minas, Espírito Santo, Sergipe e Tocantins apenas acendeu a luz de alerta para que outros coordenadores assumam mais de uma direção estadual, Foi o que aconteceu com o mato-grossense Warner Willion, também incumbido de organizar o Miss Mato Grosso do Sul. Caso persista esse modelo de cadeia, Estados como Tocantins e Sergipe terão logo de responder às coordenações sediadas em Brasília e Salvador, respectivamente. É o modelo de sucesso que já foi implantado há anos no Miss USA, responsável por fazer que o país criador do Miss Universo ostente até agora oito títulos do certame internacional. O caso de Olivia Culpo, em 2012, é fruto desse tipo de gestão interestadual, que deve servir de exemplo para o combalido concurso de Miss Brasil.
Caso ocorra mais debandada de coordenadores, a Polishop vai se valer de sua presença física em 26 das 27 capitais do país (inclusive Brasília e exceto Boa Vista, onde não tem loja) para se sobrepor à falta de presença da Rede Bandeirantes em parte dessas cidades, seja por afiliadas ou emissoras próprias. Vai exercer o papel que, na teoria, caberia a uma rede de televisão nanica do porte da Band, ante o tríduo formado por Globo, Record e SBT. Usará sua mão no regulamento do Manual de Ética e Operações do Miss Brasil, que passará por nova redação a partir de agora enquanto Raíssa se prepara para o Miss Universo, para impor o calendário necessário ao andamento das inscrições para os concursos municipais e estaduais, a terem início agora em novembro. De acordo com fontes da Organização Miss Brasil Universo, a estimativa é de que sejam investidos valores superiores aos R$ 31 milhões já pagos à Band pelo naming right da Be Emotion na etapa brasileira do Miss Universo. Só com a realização das seletivas estaduais, a Polishop teria investido, segundo fontes do mercado, cerca de R$ 13 milhões em hospedagem, estadia de jurados, ações promocionais corpo a corpo e em redes sociais e comerciais de televisão e rádio. Os espaços arrendados da Polishop em canais pagos como Universal, Paramount, FOX Life, FX e Bloomberg não incluem o material do Miss Brasil devido às proibições exigidas pela Band e pela Miss Universe Organization.
Outro ponto nevrálgico nas discussões que o Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) tentará levar à Organização Miss Brasil Universo é a ampliação das transmissões dos concursos estaduais por parte da Band nacional ou de suas emissoras próprias e afiliadas. Para o ciclo do Miss Brasil 2016, apenas São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram certames transmitidos em rede nacional. A meta para o Projeto Miss 2017 é estender essas transmissões também para Minas Gerais e Rio de Janeiro, Estados que também tem tradição importante de títulos na história do Miss Brasil. A intenção, caso a cena econômica ajude, é fazer com que o escopo de transmissões regionais vá além de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Goiás. Para o ciclo do Miss Brasil 2016, 26 coordenações estaduais enviaram mídias de vídeo de aclamações, seletivas e concursos estaduais. A única a não fazer o dever de casa foi a do Espírito Santo, gerida pela própria Polishop. A afiliada local, a TV Capixaba de Vitória, não tinha equipe de reportagem disponível no dia da seletiva que sagrou Beatriz Leite para ir para a disputa nacional.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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