Licitação para segundo canal de TV para o Piauí começou a tramitar no Ministério das Comunicações em 1979


Concessão da TV Pioneira (atual Cidade Verde) foi dada pelo então presidente João Figueiredo em 19 de maio de 1982, segundo decreto publicado no Diário Oficial

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Portal 8/08.04.2016
Apresentadores da Cidade Verde em festa dos 30 anos da emissora: concessão saiu ainda no governo do general Figueiredo, mas emissora só encerraria monopólio já após a redemocratização

Durou sete anos a saga para o Piauí obter uma segunda emissora de televisão, que concorresse com a até então onipresente TV Rádio Clube de Teresina, afiliada da Rede Globo e ex-integrante da Rede de Emissoras Independentes (REI). Uma consulta aos sites do Palácio do Planalto e do Senado Federal mostra que a jornada para o Estado começar a abrir as portas para o mercado televisivo teve início em 1979, quando o Ministério das Comunicações lançou e Edital 67/79 (Processo número 201.586/79), para licitar a concorrência para o canal 5, que ficaria vizinho ao da Clube, o 4. O canal 10, que já existia em Timon, pertencia desde 1968 à afiliada da Globo em São Luís, a TV Difusora, (hoje do SBT). Em 24 de julho de 1980, esse canal entrou no Plano Nacional de Outorgas para usos futuros. O canal 10 de Teresina foi licitado após o fim do governo do general João Figueiredo [1918-1999], em 15 de março de 1985 (Em 8 de abril de 1986, era publicado o decreto 92.525, que dava a concessão do canal 10 de Teresina à empresa JET Radiodifusão, razão social da futura TV Antena 10, que ficaria com a afiliação da Rede Manchete, que a Pioneira desprezara para aderir à Rede Bandeirantes).
No dia 19 de maio de 1982, faltando menos de um mês para a Copa do Mundo de futebol da Espanha, que àquela altura, já era exclusiva da Clube/Globo, saía no Diário Oficial da União o decreto 87.190, que dava a concessão do canal 5 para a Televisão Pioneira Ltda. (razão social da nova emissora). Pouca gente sabe, mas a gestação da TV Pioneira começava ali, em pleno calor da abertura política. Mas a Pioneira, sem afiliação definida, não entrou no ar a tempo de acompanhar as manifestações das Diretas Já que a Globo escondera. Devido aos trâmites burocráticos e a mais duas concessões dadas no segundo semestre de 1984 – para uma repetidora da Rede Bandeirantes em Timon e para a FADEP, órgão da Secretaria de Educação, a Pioneira perdeu essa primazia em 25 de abril de 1985 para a TV Timon, que operava em fase experimental para iniciar mais tarde a retransmissão da programação da Band, ficando nesse status até 21 de dezembro de 1985. Foi nessa data que a Pioneira, até então cotada para transmitir o sinal da Manchete, assinou com a Band para ser afiliada da rede paulista em Teresina, encerrando ali, de fato, 13 anos de monopólio do som e da imagem exercido pela Clube.
No dia 5 de janeiro de 1986, a Pioneira entrava no ar em fase experimental retransmitindo a programação da Band gerada em São Paulo. Os equipamentos para que a emissora fosse colocada no ar foram comprados no segundo semestre de 1985. A torre de transmissão começou a ser montada no segundo semestre de 1984. Durante o ano de 1985, foram tocadas as obras de construção do prédio que abriga a emissora. Nomes que pertenciam aos quadros da Rádio Pioneira, ligada à Arquidiocese de Teresina, foram aproveitados para a formação do primeiro elenco de repórteres e apresentadores. Estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) foram sendo aproveitados para fazer as primeiras reportagens externas da emissora. A primeira transmissão ao vivo que a Pioneira fez foi a do desfile das escolas de samba realizado na avenida Frei Serafim, em fevereiro. Após o Carnaval, a Pioneira iniciava definitivamente a geração de intervalos comerciais locais, acabando com um problema que já atormentava a Clube: a superlotação de intervalos comerciais. Em alguns casos, a espera para colocar um anúncio de 30 segundos na programação do canal 4 chegava a, no mínimo, dois meses, quando não envolvia avisos religiosos e fúnebres, ditados em off e ao vivo nos intervalos. Os links para o decreto estão nas páginas do Palácio do Planalto e do Senado Federal.

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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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