Ingressos para o Miss Brasil 2016 levaram nove dias para serem esgotados. E a culpa é toda da Band


Se concurso já estivesse nas mãos da Globo, entradas para etapa brasileira do Miss Universo 2016 teriam esgotado em uma hora

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Danilo Borges/Organização/Miss Brasil Universo/Divulgação
Candidatas a Miss Brasil 2016 já em clima de velkório para a Band

Na manhã desta quarta-feira (28), a Organização Miss Brasil Universo anunciou através de suas redes sociais que os ingressos para o concurso Miss Brasil 2016 tinham se esgotado. Tudo bem. Mas, por que, só agora, os ingressos para o principal concurso de beleza do país se esgotaram? O fato de ter como transmissora a Rede Bandeirantes e não a Rede Globo? Num primeiro aspecto, sim. A incompetência, a inoperância, a inércia e a inépcia dos veículos do Grupo Bandeirantes de Comunicação contribuíram para que uma quantidade considerável de ingressos ficasse encalhada desde que o TV em Análise Críticas publicou matéria na segunda-feira (19) dando conta do problema. Se fosse do Grupo Globo, o principal do país na área de comunicação, os ingressos para o Miss Brasil 2016 teriam desaparecido em questão de cinco minutos. Faltou ao Miss Brasil 2016 uma propaganda mais agressiva nos meios de comunicação de massa. A Polishop, patrocinadora master do concurso, usou sua estrutura para fazer balela, vender a seus colaboradores um mundo irreal.
No mundo real do Miss Brasil 2016, as etapas regionais foram uma calamidade em termos de produção e de organização, salvo as exceções de São Paulo, Rio Grande do Sul e de certames regionais na Bahia, Pernambuco, Goiás, Santa Catarina e Paraná. No Pará, fez-se das tripas coração para que a RBA TV, afiliada da Band em Belém, transmitisse o concurso estadual. Devido a uma rusga política de seu coordenador com o dono da afiliada, o senador peemedebista Jader Barbalho, 71, o Miss Pará 2016 acabou não sendo transmitido. O ciclo do Miss Brasil 2016 teve apenas dez concursos estaduais transmitidos, número 23,07% menor que o registrado nos ciclos de 2014 e 2015, quando 13 certames estaduais foram transmitidos. Nesses ciclos, a Band e suas afiliadas chegaram a transmitir 48,14% dos concursos estaduais do Projeto Miss. Agora, o percentual de transmissões dos concursos estaduais caiu para 37,03%.
No período que foi partícipe da organização do Miss Brasil junto com a Gaeta Promoções e Eventos, de 2003 a 2011, a Band, na maior parte do tempo, não informava a venda de ingressos para o certame. Ficava tudo retido nas mãos da quadrilha de Boanerges Gaeta Jr. e Nayla Micherif, chefões da célula cancerígena que tirou o Brasil das semifinais do Miss Universo em sete das 13 vezes que o país mandou candidatas ao certame às suas custas. Só em 2003 ocorreu venda de ingressos. Depois disso, e até o ano passado, não mais. A Enter herdou os métodos malévolos da Gaeta e fez o escarcéu no Miss Brasil 2013, em Belo Horizonte, prejudicando familiares da candidata do Mato Grosso, Jakelyne Oliveira, que acabaria vencendo a disputa. Todos os convites foram para apaniguados do então diretor nacional, Caio de Carvalho, filiado ao PSDB de José Serra e João Dória Júnior, prefeito de São Paulo que a Band quer ungir no domingo (2), sob as bênçãos do ex-presidenciável Geraldo Alckmin, derrotado por Lula em 2006 após o caso dos americanos do voo 1907 e das malas de dinheiro da Polícia Federal dos aloprados do jornal nacional, o qual em Belém do Pará, apanha com facilidade da Terra Prometida da Record.

Reprodução/Facebook/Roberto Macedo
Fac-simile de convite do Miss Brasil 1986

Com a entrada da WME/IMG na administração direta do concurso de Miss Brasil, passou a se corrigir uma chaga que matava o concurso desde a época dos Diários Associados e passou pelo SBT e coordenações nacionais pré-Gaeta e Band: a da farra dos convites para se assistir ao certame. Para o Miss Brasil 1986, convites eram dados de graça na primeira sede do SBT, no piscinão da Vila Guilherme, que fazia água toda vez que chovia, tirando a emissora do ar (não confundir com Piscinão de Ramos nem Piscinão de Deodoro). No Miss Brasil 2016, os ingressos variavam de R$ 120 (para os setores mais populares) a R$ 1.500 (para os setores mais afortunados).

Anúncios

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s