Dono da Organização Miss Brasil Universo já projeta transição do Miss Brasil para a Globo em 2021


João Appolinário aguarda apenas fim do compromisso com a Band para poder iniciar tratativas diretas com a família Marinho

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Purepeople/Reprodução
Colocação de Dani Suzuki na apresentação do miss 2016 é um indício da mudança que ainda está por acontecer na etapa brasileira do Miss Universo nos direitos de TV aberta

Os dias da Rede Bandeirantes na organização e transmissão do concurso de Miss Brasil já estão definitivamente contados. É o que avalia o empresário João Appolinário, 51, CEO da Organização Miss Brasil Universo, joint venture formada pela empresa de varejo Polishop, a agência Ford Models e o grupo americano de entretenimento WME/IMG, após os dois primeiros dias de programação oficial do concurso Miss Brasil 2016, em um hotel do bairro do Brooklin Novo (zona oeste de São Paulo). De acordo com o executivo, negociações para que a Rede Globo assuma os direitos de transmissão do Miss Brasil a partir de 2021 estariam sendo conduzidas em sigilo, mas nada estaria sendo informado agora “para não atrapalhar a parceria excelente” que mantém com a Band para exploração comercial da marca Miss Brasil até 2020, abarcada dentro de um acordo de licenciamento com o Grupo Bandeirantes de Comunicação, detentor da concessão do concurso de Miss Universo para o Brasil desde 2012 e dos direitos de TV aberta do certame para o país desde 2003.
No entanto, alguns obstáculos estariam sendo encontrados pela Organização Miss Brasil junto à Globo para a concretização do acordo a médio prazo. A emissora da família Marinho teria pedido que os concursos estaduais não fossem televisionados em rede nacional, segundo fontes da organização do Miss Brasil, “para não prejudicar as peculiaridades regionais” e “por razões estratégicas”. No mercado, a Globo condicionou sua participação no projeto do Miss Brasil à liberação de artistas mantidos sob o regime de contrato por obra, como é o caso das atrizes Mariana Rios, 31, e Daniele Suzuki, 39, escaladas para eventos do ciclo do Miss Brasil 2016 que foram ou ainda serão transmitidos pela Band.
Para poder transmitir o concurso nacional, a Globo teria feito exigências à Organização Miss Brasil Universo, como a de vincular o nome do concurso Miss Brasil às causas apoiadas pelo Grupo Globo, como a campanha beneficente Criança Esperança, realizada desde 1986 em conjunto com a Unesco. Além disso, pelo plano da Globo, as misses estaduais e a própria vencedora do Miss Brasil teriam contrato de exclusividade de um ano com o Grupo Globo, cedendo suas imagens a outras empresas do grupo, como Globosat e Infoglobo. Nesse ponto, Appolinário não teria concordado e preferiu manter o acordo de patrocínio proposto pela Band até 2020. Os valores não foram revelados, mas, no mercado, fala-se que a Polishop teria pago R$ 31 milhões pelo naming right do Miss Brasil, além dos usos de espaços reservados às coordenações estaduais, afiliadas da Band e outros parceiros regionais de apoio.
Outro ponto de discórdia entre Appolinário e a Globo está na cessão dos direitos de imagem das misses para a Globo Esportes, braço esportivo da emissora carioca, para que as misses servissem de madrinhas de projetos sociais da Globo, da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), das federações estaduais de futebol e da FIFA, como parte do legado da Copa de 2014. O intento da Globo é usar as misses do Miss Brasil como garotas propaganda dos projetos das Copas do Mundo de 2018 e 2022, as que estão sob direitos da emissora carioca até agora. Em janeiro, Appolinário já havia se manifestado contra a criação de uma empresa para gerir apenas a organização do Miss Brasil e deter a concessão do Miss Universo para o Brasil, no lugar da Enter, empresa da Band que encerrou suas atividades. O nome Organização Miss Brasil Universo já foi registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
O plano de Appolinário, já demonstrado em sua rede social, é tirar o Miss Brasil das mãos da Band em 2021 e passá-lo para as mãos da Globo. A intenção é fazer com que o certame saia da média nacional de 2,5 pontos (na Band, referente ao concurso de 2015) para 16 a 17 pontos (caso a migração para a Globo dê certo). Em outros tempos, o Miss Brasil chegou a registrar até 40 pontos de audiência, como ocorreu na única vez que a Record exibiu o certame, em 1981.
Procurada pela reportagem do TV em Análise Críticas, a Organização Miss Brasil Universo informa que não vai comentar sobre negociações futuras, alegando “sigilo”.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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