Só o apoio da Polishop não será suficiente para a Band cobrir rombos com o concurso de Miss Brasil, avaliam especialistas


Emissora terá de buscar patrocinadores adicionais para o Projeto Miss a partir de 2017 para cobrir prejuízo de R$ 450 milhões acumulado desde 2012

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Organização Miss Brasil Universo/Divulgação
Empresa de João Appolinário pagou R$ 31 milhões pela marca Miss Brasil à Band, mas retorno da emissora com o concurso deverá ser nulo

O início da programação oficial do concurso Miss Brasil 2016, na manhã desta quinta-feira (22), em um hotel da zona oeste de São Paulo, reacende um velho debate sobre a viabilidade financeira do pacote associado ao Miss Brasil para a sua detentora de direitos em TV aberta, a Rede Bandeirantes. Fontes de mercado avaliam que apenas o acordo firmado com a empresa de televendas Polishop em 31 de outubro do ano passado não foi suficiente para salvar as finanças da Enter-Entertainment Experiemce, que fechou as portas no dia 15 de janeiro deste ano, com prejuízos de R$ 450 milhões acumulados desde 2012, ano que a Band assumiu a administração direta da etapa brasileira do Miss Universo e a concessão do concurso internacional de beleza para o país, comprada ainda na gestão de Donald Trump (1995-2015). À ocasião, a Band demitiu 150 funcionários que eram vinculados à área de misses da Enter, reaproveitados depois pelo consórcio Organização Miss Brasil Universo, formado pela Polishop, pela agência de modelos Ford Models Brasil e pelo grupo americano de entretenimento e agenciamento de talentos WME/IMG, dono da Miss Universe Organization desde 14 de setembro de 2015.
Avaliado em R$ 31 milhões, o acordo Band-Polishop serviu apenas para socorrer a realização do Miss Brasil 2015, que já estava ameaçada. Coordenadores estaduais já estavam se articulando para processar a Band por danos morais, mas o intento não foi adiante. Estima-se que o prejuízo causado pela Band aos coordenadores filiados ao Comitê Nacional de Coordenadores de Concursos de Beleza (CNCCB) passe dos R$ 19 milhões, com direitos de imagem não repassados e comissões não recebidas de coordenadores municipais. O maior débito é do Grupo de Coordenadores Municipais de Misses do Estado de São Paulo (GCMMESP), que tem a receber da Band R$ 11 milhões. A coordenadora da capital paulista, Gláucia Pope, anunciou em redes sociais que vai processar a Band e a Polishop pelos danos causados ao concurso Miss São Paulo Capital, que sequer chegou a ser realizado. Uma candidata foi indicada à pressas pela Organização Miss Brasil Universo para não prejudicar a presença da cidade se São Paulo no Miss São Paulo 2016, realizado no dia 28 de maio, no mesmo palco da disputa nacional de daqui a nove dias, o Citibank Hall.
De acordo com especialistas na promoção de grandes eventos ouvidos pelo TV em Análise Críticas, a Organização Miss Brasil Universo e a Band deveriam se empenhar em captar mais patrocinadores para o ciclo do Projeto Miss 2017, que começa em maio, mas não tem as datas fechadas até agora. “É importante que, para o sucesso do Miss Brasil, tenha-se um importante arco de patrocinadores, como o próprio concurso já teve nos anos 2000. A volta de anunciantes como Colgate/Palmolive, Coca-Cola, Casas Bahia, BRF (Brasil Foods), entre outros, aqueceria substancialmente o mercado, que sofreu fortes retrações no final do segundo período da ex-presidenta Dilma”, avalia um gestor de eventos de uma importante agência internacional de entretenimento, que pediu para não ser identificado. “Com o impeachment e a volta da confiança dos investidores, é provável que para o ciclo do Miss Brasil 2017 haja algum incremento no quadro de patrocinadores do concurso nacional de beleza. O quadro atual de apoiadores não dá para cobrir os gastos”, sentencia a fonte.
Os especialistas ouvidos pelo Críticas citam como exemplo de captação bem sucedida de patrocinadores as ações que o Grupo Globo fez para a Copa do Mundo FIFA de 2014 e as Olimpíadas de Verão de agosto último, além de festivais de rock como Lollapalooza Brasil e Rock in Rio. No caso específico da Band, os especialistas de mercado entendem que a receita de captação de anunciantes para realities como Masterchef Brasil e X-Factor Brasil “deveria servir de exemplo para rever o combalido modus operandi de comercialização de cotas para o Miss Brasil, Miss Universo e concursos regionais”. Para um consultor da Artplan, dona do Rock in Rio, “a Band está errando com uma mão ao arregimentar uma empresa de idoneidade questionável” – a Polishop, desde 2009, teve 149 reclamações acumuladas nos cadastros da Fundação Procon do Governo do Estado de São Paulo, parte delas por propaganda enganosa e produtos entregues com defeitos. De acordo com a fonte, a Band deveria aprender as lições que teve nos anos de parceria esportiva que teve com a Rede Globo, “principalmente em aceitar patrocínios para o miss de empresas sérias e de reputação do porte da BRF, Banco Itaú, Casas Bahia, Magazine Luíza, InBev (que foi patrocinadora do Projeto Miss da Band entre 2005 e 2009), dentre outras. Não se deve brincar com a credibilidade de quem quer ter o Miss Brasil como uma importante vitrine de posicionamento de marcas”, advertiu. Para o Miss Brasil 2016, um comercial de 30 segundos deverá custar, a preço de tabela, R$ 162 mil para veiculação nacional. Ainda assim, a Polishop pagou o dobro desse preço no pacote do Projeto Miss 2016, que cobriu dois concursos estaduais – São Paulo e Rio Grande do Sul, boletins esparsos pela programação da Band com os resultados dos concursos estaduais que não eram exibidos em rede e veiculação nas mídias sociais e no portal da emissora. Por aí, estima-se que o lucro da Band com o pacote do Miss Brasil 2016 fique na casa de R$ 28 milhões, o quinto menor desde o Miss Universo 2011, quando a Band faturou R$ 51 milhões, parte com patrocínios de estatais como o Banco do Brasil e a Sabesp.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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