Dona do Miss Brasil, Polishop só não tem loja em Boa Vista, capital de Roraima. Dono da Polishop, João Appolinário, lucrou com a crise que derrubou Dilma


Empresa possui 220 unidades em shopping centers, entre lojas físicas e quiosques

Da redação TV em Análise

Reprodução/Facebook/José Batista Santos/16.06.2016
Reunião da Polishop na qual Paloma Marques foi eleita Miss Minas Gerais 2016

Com 220 lojas físicas em shoppings das 26 das 27 capitais brasileiras e em cidades do interior e áreas metropolitanas, a Polishop tentará usar essa presença física maciça para se assenhorar definitivamente dos concursos estaduais do Miss Brasil válido pelo Miss Universo até 2020. Uma das poucas empresas nacionais que lucrou com a crise política que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, 68, a empresa de João Appolinário, 51, iniciou em 31 de outubro de 2015 um violento processo de reestruturação da estrutura até então vigente no principal concurso de beleza do país, que, em muitos casos, culminava no descaminho de candidatas de concursos estaduais para o crime, as drogas e a prostituição e a constituição de verdadeiros currais eleitorais os quais Appolinario, recém escalado investidor do Shark Tank Brasil do canal pago Sony, terá de combater com unhas e dentes a partir de agora.
Ausente apenas da capital de Roraima, Boa Vista, a Polishop conseguiu a coordenação e supervisão direta de 26 dos 27 concursos estaduais que compuseram o ciclo do Miss Brasil 2016, a primeira edição do certame aparentemente livre dos velhos coronéis que corroíam de forma cancerígena com métodos que remetiam ao período do voto de cabresto retratados nas comédias de Amácio Mazzaropi (1912-1981) a estrutura que já estava combalida do que outrora foi o principal evento de entretenimento do país, a ponto de se lotarem ginásios e arenas entre as décadas de 1950 e 1980 e registrarem-se audiências dignas de uma novela do principal horário da principal rede de televisão do país, a Globo. Em 1981, o concurso de Miss Brasil exibido pela Rede Record (como membra da rede com a TVS do Rio de Janeiro) chegou a marcar 40 pontos de média, marca que, para os padrões da atual detentora dos direitos, a Bandeirantes, é impensável.

Reprodução/Facebook/João Appolinário/21.03.2016

Reprodução/Facebook/João Appolinário/21.03.2016
Contra os coronéis dos concursos estaduais, Appolinário lucrou com a “nova classe C” e a crise que apeou Dilma de seu segundo mandato, provocada por Globo, Band, Fiesp e PSDB

O faturamento da Polishop obtido em 2015 é uma verdadeira caixa-preta. Por ser uma empresa familiar e não uma sociedade anônima, com ações na Bovespa, a companhia não revela valores, mas no mercado fala-se que a companhia tenha faturado em torno de R$ 5 bilhões, a despeito do cenário de horror que se desenhou com os 52 movimentos que apoiaram o impeachment de Dilma, e por tabela, a eleição da gaúcha Marthina Brandt como Miss Brasil 2015. No Facebook do CEO da Polishop, é comum ver fotos de Appolinário ao lado de figurões do esporte como o ex-lutador Acelino “Popó” Freitas e em lugares como Miami e Las Vegas, para prestigiar torneios de tênis e de MMA. Mas nenhuma participação direta nos atos patrocinados pelo consórcio liderado pela Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o Grupo Globo, o Grupo Abril, o Grupo Bandeirantes de Comunicação (dono, no papel, da concessão do Miss Universo para o Brasil), o Grupo Folha, o Grupo Estado e a Editora Três, dona da revista antipetista Istoé, em conjunção com partidos como PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, frações do PMDB e centrais e associações sindicais de menor peso, como a Força Sindical, a União Democrática Ruralista e o Sindicato Nacional dos Caminhoneiros.
Sócio de uma rede de concessionárias de automóveis controlada pela família, João Appolinário decidiu sair do Brasil em 1995, em pleno primeiro (des)governo de Fernando Henrique Cardoso, para montar sua própria empresa, especializada em importações de kits de dietas junto a empresas de televendas estabelecidas em Miami. tendo como sócio o ex-campeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi. A parceria com Emmo, como Fitippaldi é conhecido em solo americano, deu a ponta de isca para a fundação da Polishop, em 1999, com o aluguel de horários na Rede Bandeirantes, mais tarde parceira na organização do Miss Brasil com a empresa de Appolinário. Atualmente, a Polishop possui espaços arrendados na grade matinal de oito canais pagos, incluindo o canal de negócios Bloomberg. Em 2007, os negócios da Polishop na área de comunicação começaram a se diversificar, com a formação de uma produtora responsável pelos programas arrendados que eram veiculados nas manhãs da Band e de um canal de televisão disponível em parabólicas e nas principais operadoras de TV por assinatura do país.
Nos governos de Lula e Dilma, a Polishop se aproveitou da formação da “nova classe C” para arregimentar legiões de vendedores e consultores. A ponto de, numa reunião da companhia realizada no Centro de Exposições da Gameleira (Expominas), em Belo Horizonte, improvisar-se a eleição de Paloma Marques como Miss Minas Gerais 2016, usurpando um espaço que, de direito, era da Band, obrigada a mandar uma equipe de reportagem para o local apenas para acompanhar o desfecho da seletiva mineira do Miss Brasil 2016, realizada no lugar do tradicional concurso. Refazendo um antigo discurso de Heleno Nunes (1917-1994), presidente da CBD (atual CBF) durante o regime militar, no qual dizia “Onde a Arena (partido de sustentação da ditadura) vai mal, mais um time no Nacional”, Appolinario se aproveita do mau momento de certos coordenadores estaduais, como foi o caso da fluminense Susana Cardoso, para se apossar dos certames. E fez o mesmo em Minas Gerais, Estado responsável por sete títulos de Miss Brasil. Com a ascensão definitiva de Michel Temer, 75, ao Planalto, Appolinario já pode se sentir num patamar importante, a ponto de costurar uma aproximação do setor de comércio direto com o novo governo empossado na tarde de 31 de agosto no Congresso Nacional. E de estreitar a relação deste com os órgãos de imprensa que ardilaram o golpe parlamentar contra Dilma e o voto universal de 54 milhões de brasileiros em 26 de outubro de 2014.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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