Prévia do In Memoriam do 68º Primetime Emmy


Uma voz que foi calada antes do terror de Orlando e outras que se calaram

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Getty Images/20.04.2016

Christina Grimmie (1994-2016)

A temporada televisiva americana 2015-2016 teve muitas perdas significativas para o meio, fora os cancelamentos e programas encerrados. Pessoas que fizeram parte de sua história saíram da vida para entrarem na história. Umas, de forma tão abrupta como Christina Grimmie, competidora da sétima temporada do The Voice, assassinada em Orlando aos 22 anos de idade por um fã, no mesmo modus operandi que John Lennon (1940-1980), assassinado por um fã na porta do prédio em que morava. A morte cruel de Christina chocou a todos do meio musical e principalmente o ambiente de trabalho do Voice, que permaneceu em luto por uma semana. Artistas estabelecidas como Taylor Swift e Selena Gomez, das quais Grimmie era amiga, desabaram aos prantos. Menos de um dia, na mesma Orlando que Grimmie morrera, ocorria o massacre da boate Pulse, orquestrado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que culminou no massacre de 50 indivíduos. Ao acaso, Grimmie poderia ter sido a vítima 51 da barbárie que assustou a Flórida entre os dias 10 (data do assassinato da cantora) e 12 de junho (dia do massacre da Pulse).

David Livingston/Getty Images/23.03.2016

Ken Howard (1944-2016)

Fora Grimmie, outra morte que chocou a todos foi a do presidente do sindicato dos atores, o SAG (Screen Actors Guild), o ator Ken Howard, que estava no mandato desde 2009. No mesmo ano se sua eleição, o ator, morto aos 71 anos no dia 23 de março, recebera seu primeiro Primetime Emmy, pela atuação na minissérie Grey Gardens, que a atriz Drew Barrymore, 41, produzira para o canal pago HBO. Foi na sua gestão, em 2012, que ocorreu a fusão do SAG com a dissidente Federação dos Atores de Rádio e Televisão da América (AFTRA, na sigla em inglês), formada em 1939. Foi reeleito para um segundo mandato em agosto de 2015. A causa da morte não foi divulgada. Após a morte de Howard, a atriz Gabrielle Carteris, 55, da versão original de Beverly Hills 90210/Barrados no Baile, foi eleita em 9 de abril para comandar o SAG-AFTRA pelos 16 meses restantes de mandato.

George Martin (1926-2016) (Solo/REX/09.03.2016)

Prince (1958-2016) (FOX/Divulgação/31.01.2014)

Considerado o “quinto Beatle”, o produtor musical inglês George Martin saiu de cena no dia 8 de março, aos 90 anos. Na televisão, o trabalho de Martin se destacou na trilha do telefilme Magical Mystery Tour e Ringo, uma comédia protagonizada pelo baterista da banda em questão. O último trabalho para a TV foi a remixagem do espetáculo Love, do Cirque du Soleil, que apresentava músicas dos Beatles. Ainda no campo musica, a temporada 2015-2016 também deixou a saudade de Prince Rogers Nelson, ou simplesmente Prince, “O Artista”, como certa vez preferiu se chamar. Morto no feriado de Tiradentes aos 57 anos, o intérprete de Purple Rain teve várias atuações em séries televisivas, geralmente como ele mesmo, O Artista. A mais notória delas ocorreu em fevereiro de 2014, no episódio pós-Super Bowl de New Girl, que recebeu seu nome.

Neville Marriner/Daily Mail/REX/Shutterstock/1989

Nancy Reagan (1921-2016)

Atriz da velha guarda, a ex-primeira dama Nancy Reagan, morta aos 94 anos no dia 6 de março, teve na campanha Just Say No para reprimir o tráfico de drogas entre adolescentes e jovens sua principal bandeira social dos oito anos em que dividiu a Casa Branca com o colega de profissão Ronald Reagan (já falecido). A parceria Nancy/Ronald foi arquitetada pelo produtor Mervyn LeRoy em 1951. Tiveram dois filhos, Patti e Ron (abreviação de Ronald). Nova-iorquina da gema, Nancy Reagan formou-se em artes cênicas na Smith College. Sua carreira televisiva de atriz começou em 1949, um ano depois da instituição dos Emmys. Fez também trabalhos em teatro e cinema. O documentário Cartel Land, que ganhou prêmios técnicos no último domingo, expõe bem o fracasso da política antidrogas do casal Reagan e dos governos que o sucederam, derrotada pela truculência dos cartéis de drogas do norte do México.

Outros nomes importantes que se foram no período foram o diretor italiano Ettore Scola (Roma, 19 de janeiro de 2016, aos 84), o músico Maurice Whhite (Los Angeles, 3 de fevereiro de 2016, aos 74), a diretora de eventos Kathy Fortine (Burbank, 19 de fevereiro de 2016, aos 56) que tem entre seus créditos o concurso Miss América 2008, o ator George Kennedy (Boise, 28 de fevereiro de 2016, aos 91), o produtor escocês Michael White (Ojai, 7 de março de 2016, aos 80), a atriz Doris Roberts (Los Angeles, 17 de abril de 2016, aos 90), a diretora de elenco Joan Sittenfield (Los Angelesm 17 de julho de 2016, aos 66), o relações públicas e estrategista David Horowitz (Los Angeles, 17 de julho de 2016, aos 86), a cantora e atriz Natalie Cole (31 de dezembro de 2015, aos 65), o diretor de elenco Lou DiGiaimo (Oakland, Nova Jersey, 19 de dezembro de 2015, aos 77), o roteirista George Clayton Johnson (Los Angeles, 25 de dezembro de 2015, aos 86), o executivo Arthur Taylor (Allentown, Pensilvânia, 3 de dezembro de 2015, aos 80), o astro de realities Vincent Margera (West Chester, Pensilvânia, 15 de novembro de 2015, aos 50), o compositor Allen Toussaint (Madri, 9 de novembro de 2015, aos 77), a atriz Maureen O’Hara (Boise, 24 de outubro de 2015, aos 95), o artista de quadrinhos Muprhy Anderson (Somerset, Nova Jersey, 23 de outubro de 2015, aos 89), além do já citado Garry Marshall (ver “Crônicas de Uma Linda Mulher“, que o Críticas publicou em 22 de julho).

A&E/Divulgação


Já foi tarde, dona Nancy

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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