Classificações brasileiras no Miss Universo foram maiores nos governos Dilma Rousseff e Juscelino Kubitschek


Nos cinco anos de mandato da presidente cassada e do fundador de Brasília, todas as cinco candidatas do país se classificaram entre as semi ou finalistas

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

O Cruzeiro/13.07.1968


Seca de títulos se arrasta desde o governo do general Costa e Silva

O golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, 68, concluído no dia 31 de agosto no Senado Federal, pode colocar a perigo um legado recente do concurso Miss Brasil nas participações de suas vencedoras no concurso Miss Universo. Durante os 13 anos em que o partido de Dilma, o PT, esteve no poder, o país obteve oito classificações, incluindo as cinco consecutivas obtidas nos cinco anos de mandato da presidenta cassada. No governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, 70 (2003-2010), o país teve três classificações não consecutivas, incluindo um segundo lugar. Na era Dilma, foram cinco classificações, incluindo um terceiro lugar e dois quintos lugares. E a seca de títulos se arrasta desde o governo do general Arthur Costa e Silva. Foi em 1968, no segundo governo do ciclo militar pós-1964, que a baiana Martha Vasconcellos obteve o último título de Miss Universo para o Brasil até agora.
Durante os 21 anos de governos autoritários, regados a mentiras institucionais na televisão, fichamentos e espionagens de artistas e intelectuais e perseguições e massacres sistemáticos a opositores nas selvas do Araguaia ou nos porões dos DOI-Codi, o Brasil obteve 13 classificações não consecutivas entre as semifinalistas, incluindo o título de Martha. Antes do golpe de 31 de março de 1964, o pais obtivera nove classificações não consecutivas no Miss Universo, incluindo um título – o de 1963, da gaúcha Ieda Maria Vargas. Após a redemocratização, iniciada em 1985 no governo de José Sarney, o ritmo de classificações de brasileiras entre as semifinalistas do Miss Universo caiu vertiginosamente. A ponto de, no governo breve do hoje senador Fernando Collor (PTC-AL), o país não ter nenhuma classificação, além de não ter participado da edição de 1990, realizada no extinto Shubert Theatre, em Los Angeles. Após a chegada de Itamar Franco ao poder, no fim de 1992, o ritmo de classificações brasileiras no Miss Universo só cresceu governo após governo – de uma no governo Itamar para cinco no governo Dilma. Isso, a despeito de o concurso Miss Universo 2011, realizado em São Paulo, não ter recebido ajuda direta do governo federal, exceto em patrocínio da transmissão televisiva da rede aberta detentora dos direitos, a Bandeirantes.
A alta quantidade de classificações brasileiras no Miss Universo durante os dois governos da ex-presidenta Dilma chamou a atenção de grupelhos criminosos que foram às ruas defender, além de seu impeachment, a intervenção militar no Brasil, como forma de colocar na clandestinidade o Partido dos Trabalhadores e outras legendas de esquerda. E após a efetivação do interino Michel Temer, 75, jogar o país num buraco de incertezas no principal concurso de beleza do mundo. No gráfico abaixo, as classificações brasileiras no Miss Universo, elencadas por período de governo

CLASSIFICAÇÕES BRASILEIRAS NO MISS UNIVERSO POR GOVERNO
Os dados se referem às participações brasileiras no concurso no período em que tinha o respectivo presidente ou presidenta no poder
Governo Período Classificações Títulos
Dilma Rousseff 2011-2015 5 0
Lula 2003-2010 3 0
FHC 1995-2002 1 0
Itamar Franco 1993-1994 1 0
Fernando Collor 1990-1992 0 0
José Sarney 1985-1989 2 0
João Figueiredo 1979-1984 3 0
Ernesto Geisel 1974-1978 1 0
Emílio Médici 1970-1973 4 0
Costa e Silva 1967-1969 3 1
Castello Branco 1964-1966 2 0
João Goulart 1962-1963 2 1
Jânio Quadros 1961 0 0
Juscelino Kubitschek 1956-1960 5 0
Café Filho 1955 1 0
Getúlio Vargas 1954 1 0
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Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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