Realização do Miss Universo 2016 nas Filipinas é realidade dada como certa. Apenas a WME/IMG, dona do concurso, e a FOX não se deram conta


Para autoridades do país, está quase tudo resolvido

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Philippines News Agency/09.08.2016


Wanda Teo faz o dever de casa aos olhos da Miss Universe Organization

Para quem vem acompanhando desde junho as tratativas aceleradas do Departamento de Turismo das Filipinas (DOT, na sigla em inglês) com a Miss Universe Organization para as Filipinas receberem o concurso Miss Universo 2016 está se diante de um cenário de fato consumado. As Filipinas vão sediar o concurso e ponto. Essa é uma coisa. A telenovela filipina que se desenhou em seguida, corrigida pela língua inglesa oficial dos órgãos de imprensa locais, envolvia a escolha de um local e de uma cidade-sede. Pasay e sua Mall of Asia Arena foram escolhas naturais. No primeiro caso, pelo seu histórico de sediar edições do Miss Universo (1974 e 1994). No segundo, estava a busca de um local mais moderno e compatível com as necessidades atuais do certame. De 1974 para cá, o Miss Universo trocou de mãos quatro vezes e as Filipinas saíram de uma ditadura sangrenta para a plena democracia, exercida pelo voto popular.
A operação abafa exercida pela chefe do DOT, Wanda Teo, 63, para acalmar os ânimos exaltados do presidente Rodrigo Duterte, 71, ante a possibilidade de Steve Harvey, que já estará com 60 anos à época do certame, programado para a manhã da segunda-feira, 30 de janeiro, serviu como pretexto para arrefecer um pouco os ânimos das áreas de imprensa da MUO e da rede de televisão aberta FOX, que só vão se manifestar se Duterte for enquadrado na cartilha verbal de etiqueta e boas maneiras para chefes de Estado e Governo de países sede do Miss Universo. Nem a presidenta cassada Dilma Rouseff, 68, tampouco seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, 70, abriram a boca uma vez sequer para reclamar da escolha do apresentador gay assumido Andy Cohen, 48, para co apresentar o Miss Universo 2011 ao lado da jornalista Natalie Morales (não confundir com atriz homônima). Preferiram o silêncio com os negócios escusos do Grupo Bandeirantes de Comunicação e seu ardil golpista a atacarem a diversidade e a livre iniciativa.
A reprimenda a Duterte pela tentativa de negar a Steve Harvey sua entrada nas Filipinas para apresentar o Miss Universo 2016 resultou num xingamento pesadíssimo à figura do presidente americano Barack Obama, 55, primeiro afrodescendente a ocupar a Casa Branca. A baixaria verbal do Michel Temer das Filipinas pegou mal para diretores da Miss Universe Organization, que já estariam preocupados em enviar uma carta de advertência a Duterte caso as cachorradas verbais persistissem. Duterte se desculpou com Obama, mas não com Harvey, a quem o trata como persona non grata pela presepada que causou no resultado do Miss Universo 2015, que irritou a imprensa colombiana e desabou nas costas de produtores designados pela WME/IMG para tocarem a transmissão para a FOX. Todos perderam seus empregos após a eclosão do caso. Agora, a geradora internacional do Miss Universo terá de se socorrer da mão de obra temporária de funcionários da ABS-CBN, que já estariam sendo orientados a lidar com imprevistos e orientar Harvey nos ditames corretos de apresentação do Miss Universo. É por aí que se deve trabalhar.
Com os ânimos já devidamente apaziguados, a ordem na FOX e na WME/IMG é aguardar a chegada das faturas com as contas iniciais do DOT para quanto se deve gastar na parte filipina para a organização do Miss Universo. De acordo com a imprensa local, serão US$ 11 milhões (R$ 35,9 milhões) saídos de investimentos da iniciativa privada, bancados por quatro grupos – Philippine Airlines, Solar Entertainment, Universal Entertainment Corporation e SM Group. Investidores japoneses já estariam tocando as obras do hotel oficial das misses, o Okada Manila, que deve ser inaugurado em dezembro. Ao Estado filipino, caberá prover as misses a infraestrutura de segurança, aeroportos e trânsito das 95 candidatas previstas. O reforço dos esquadrões antiterror está na pauta prioritária do certame, principalmente na repressão ao Abu Sayyaf, braço regional do Estado Islâmico, que já teria acenado com ameaças às misses. O Departamento de Estado americano já está de olho bem aberto para esse caso.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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