Por que o Ministério Público Federal não investiga o negócio obscuro entre a Band e a Polishop envolvendo o tradicional concurso de Miss Brasil?


O que ambas as empresas tem tanto a esconder de um contrato de R$ 22 milhões, válido até 2020 e assinado em plena catástrofe econômica brasileira?

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Luvas Ismael/Organização Miss Brasil Universo/16.11.2015


Para procuradores, há indícios de “flagrantes delitos” no acordo

Dentro de 27 dias, a gaúcha Marthina Brandt, 24, encerra seu reinado como Miss Brasil e antes disso, uma pergunta deve ser feita: como o Grupo Bandeirantes de Comunicação vendeu, no auge da crise política e econômica que culminou na cassação do mandato da presidenta Dilma Rousseff, 68, um de seus principais ativos, o concurso de Miss Brasil válido pelo título de Miss Universo? Informações obtidos com exclusividade pelo TV em Análise Críticas dão conta de que o acordo foi firmado de forma sigilosa, para que não vazassem informações à imprensa sobre a sua nebulosidade. Um ex-diretor da Band, que pediu para não ser identificado, revelou que o empresário João Appolinário, 50, pediu que a Band abrisse mão de tudo o que fosse relacionado ao Miss Brasil e à representação do Miss Universo no Brasil, segundo consta, “para dar uma margem de lisura ao processo”. Fechado em 31 de outubro de 2015, o contrato de compra da marca Miss Brasil pela Polimport Comércio e Importação Ltda., razão social da Polishop, envolveu R$ 22.575.842,55, a serem pagos ao longo de cinco anos à Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, que permaneceu como detentora dos direitos de transmissão dos concursos associados ao Miss Brasil/Miss Universo em TV aberta.
No papel, perante a Miss Universe Organizxation, entidade que promove o concurso de Miss Universo, sediada em Nova York, a Band permanece como proprietária da concessão do concurso para o Brasil. Mas, na prática, a investigação feita pelo Críticas mostra que não é assim: a concessão do Miss Universo para o Brasil, desde 15 de janeiro de 2016, pertence a uma empresa de fachada chamada Organização Miss Brasil Universo, que tem como sócios João Appolinário, a ex-modelo Denise Céspedes, 51, diretora da agência Ford Models Brasil, e os empresários americanos Ari Emanuel, 55, e Patrick Whitesell, 51, sócios do grupo de entretenimento WME/IMG, dono do Miss Universo desde 14 de setembro de 2015, após uma transação de US$ 28 milhões com o ex-gestor do concurso, o candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos Donald Trump, 70. As empresas de Appolinário, Céspedes e Emanuel/Whitesell dividem cada uma um terço da propriedade do Miss Brasil, dos 27 concursos estaduais e de mais de 400 concursos municipais realizados país afora, válidos pelo Miss Universo. A intromissão dos americanos no Miss Brasil leva a uma segunda pergunta: quais as fontes que financiaram o negócio secreto da Band com a Polishop, a Ford Models e a WME/IMG para formar um elefante branco dos concursos de beleza? A investigação do Críticas não aponta nomes, mas, no mercado, suspeita-se que um deputado do PSDB, Carlos Sampaio (SP), e outro do Democratas, Eli Corrêa Filho (SP), sejam os verdadeiros donos do Miss Brasil válido pelo Miss Universo. Especula-se que os dois parlamentares teriam condicionado o fechamento de acordo entre a Band e a Polishop pelo concurso ao apoio das duas empresas ao processo de impeachment de Dilma.
Procuradores do Ministério Público Federal no Estado de São Paulo viram indícios de irregularidades no contrato entre a Band e a Polishop para a mudança na gestão do concurso de Miss Brasil. Segundo um dos procuradores federais envolvidos no caso, a Band “cometeu flagrantes delitos” ao assinar um contrato “sem a anuência da controladora do concurso de Miss Universo (a WME/IMG)”. “Esse acordo fere diversas convenções internacionais de comércio e se caracteriza como um delito gravíssimo de lavagem de dinheiro”, avaliou o magistrado, que pediu para não ser identificado. Outra fonte do MPF paulista informou ao Críticas que o assunto corre “sob segredo de Justiça”. Mas por que não é investigado? Advogados das duas empresas estariam fazendo de tudo nos bastidores das principais cortes paulistas e federais para que a transação da marca Miss Brasil não entre na pauta de investigações. Nem do Tribunal de Justiça de São Paulo, tampouco dos tribunais federais (Supremo Tribuna Federal, STF e Superior Tribunal de Justiça, STJ).
Caso a transação entre Band e Polishop pelo concurso de Miss Brasil seja considerada irregular pelo Judiciário brasileiro, a Miss Universe Organization e a WME/IMG já entraram em campo para iniciar o processo de transição da administração da concessão brasileira do Miss Universo. Uma fonte da WME/IMG assegurou ao Críticas que, uma vez comprovada a fraude na venda do Miss Brasil, a Band será descredenciada de qualquer representação relativa ao concurso de Miss Universo. Especula-se que a Rede Globo e a empresa T4F (Time for Fun) passem a dividir a administração do concurso a partir do fim do compromisso da Band, em 2020. No entanto, nem a Globo, nem a T4F confirmam qualquer tratativa. Procuradas, as direções da Band, Polishop, Ford Models e da Organização Miss Brasil Universo não irão se pronunciar.
Como vice-presidente nacional do PSDB, Carlos Sampaio, um dos supostos donos do Miss Brasil, é coautor da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo da chapa de Dilma Rousseff e do presidente efetivo Michel Temer, 75, empossado na última quarta-feira (31/8). De acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, 60, a cassação completa da chapa Dilma-Temer deverá ser julgada em 2017, sem data prevista. Outro partido interessado na cassação também de Temer a a Rede Sustentabilidade, criado pela ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva, 58. Ela lançou em maio a campanha “Nem Dilma Nem Temer“, para defender justamente o apeamento completo da chapa eleita em 26 de outubro de 2014, com mais de 54 milhões de votos.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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