Assunto da semana: Lewandowski, John Ridley e Ryan Murphy


Qual o American Crime Story de Dilma para o 68º Primetime Emmy?

FX/Divulgação

Lamentavelmente, as circunstâncias me levaram a comparar o enredo de The People v. O.J. Simpson: American Crime Story com a analogia do teatro de horrores que foi o julgamento que levou à cassação da presidenta Dilma Rousseff na tarde lúgubre da quarta-feira (31), o dia do Golpe de 2016. Pode me avacalhar da forma que quiserem, mas a trama desenvolvida por Ryan Murphy para retratar os eventos do julgamento do ex-craque de futebol americano em muito se assemelha ao plot orquestrado pela mídia velhaca.

Mathias Clamer/FX/Divulgação

Encaixar Fargo em Brasília dada à sua aridez, não dá. Até porque a Kirsten Dunst não interessa aos babacas do Mau Dia Brasil do solar das taras consumadas pela metade – não conseguiram cassar de Dilma os direitos políticos. Não acho que texto dos irmãos Coen vá servir de base para Kim Kataguiri e Marcello Reis servirem de péssimos atores de uma tragédia greco-romana do Russomanno arquitetada em um mau enredo desenhado apenas para atender ânsias desesperadas de ideólogos de plantão. Não dá liga. Não cola mesmo.

Ryan Green/ABC/Divulgação/06.01.2016

Eu me pergunto: quem foram os Gil Garcettis e Robertos Shapirro inócuos dessa história torta e torpe desenhada desde 26 de outubro de 2014? John Travolta? Bruce Greenwood? Não! Os papéis pátrios dessa deturpação monstra da obra de Ryan Murphy couberam a Victor Fasano e Dinho Ouro Preto, em selfies com o carrasco Sérgio Moro. Será John Ridley e seus 12 anos de escravidão a roteirizar o American Crime da dita “República de Curitiba”? A princípio, não: o Netflix passou a bandeja para a garapa de José Padilha.

Casey Crafford/A+E Networks/Divulgação/30.05.2016

Encaixar The Night Manager na manipulação midiática dos panelaços contra o novo presidente Michel Temer é relativamente fácil dada à blindagem a la Taylor Swift dada aos artífices do Golpe sem baionetas, mas com idiotices expostas em redes sociais. Me desculpe a revolta, mas me excedi um pouco na análise dado o calor político da coisa, que derreteu qualquer mensuração de excelência artística. Vão depois dizer que a refilmagem de Roots é coisa de viúva e órfão do Bolsa Família, Pronatec e Ciência sem Fronteiras. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (4/9)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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