Histórico de audiência do concurso Miss Brasil na Grande São Paulo, entre 1981 e 2015


Hiato do certame na década de 90 imposto pela Globo a Sílvio Santos fez média domiciliar do certame caiu 94,5% em 35 anos, apesar de investimentos recentes feitos pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação e retomada provocada por ex-BBBs

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Lourival Ribeiro/SBT/Divulgação/08.08.2015


A Flávia Cavalcante e Ana Elisa Flores, as explicações que faltam

A revelação, pelo TV em Análise Críticas, dos números esquecidos do concurso Miss Brasil 1981, único transmitido pela Rede Record, acende um novo debate sobre a derrocada de audiência que o concurso de Miss Brasil sofreu entre as décadas de 1980 e 2010. Na comparação de dados da média domiciliar do certame entre as edições de 1981 e 2015, observa-se uma queda violentíssima de 94,5% no número de domicílios que estavam assistindo ao certame. Os números se referem apenas à região metropolitana de São Paulo, principal praça de decisões para o mercado publicitário brasileiro, que tem uma medição mais antiga, instituída em 1957 pela Kantar Ibope Media. As informações do Painel Nacional de Televisão, referente aos 15 mercados mais importantes, só começaram a ser públicas em 2015 e serão tratadas em texto à parte.
Se na Record que contava com Sílvio Santos, 95, como sócio e principal atração de sua grade de 27 de junho de 1981, o Miss Brasil levado ao ar entre 22h e 0h registrava 40 pontos de média (feito hoje possível em algumas outras regiões do país apenas pela novela Velho Chico da Rede Globo, atual cartaz da faixa das 21h15), na Rede TV! (2002) e na Rede Bandeirantes (desde 2003), o certame passou a encontrar cenários de terra arrasada, de uma década perdida pela decisão errada de SS em ceder às pressões de anunciantes das novelas da Globo, que lhe cobravam uma grade mais qualificada, de acordo com as exigências do mercado, leia-se: a turma da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Associação Brasileira de Agências de Propaganda (ABAP) e o Clube de Criação de São Paulo (CCSP). A todo preço, publicitários do naipe de Roberto Justos e Washington Olivetto cobravam de Sílvio Santos uma tentativa de “modernização” do Miss Brasil ou o seu abandono. Em abril de 1991, após a edição do Plano Collor 2, o SBT abandonou definitivamente os vínculos com o Miss Brasil e, por tabela, a renovação do contrato que tinha com s Miss Universe Inc. (hoje Miss Universe Organization).
No frigir dos ovos, do eggs and bacon, a saída do SBT do concurso de Miss Brasil foi provocada em parte pela pressão que a ABAP, o CCSP, a ABA e, principalmente, o Conar (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária), faziam contra a emissora contra o que chamavam de “sexismo” do evento. Há quem acredite que a debandada do SBT se devera também à orientação de jornalistas de moda mais vanguardistas, que enxergavam no Miss Brasil uma obsolência, uma inutilidade. A mesma coisa dizia-se também dos concursos de Miss Universo e Miss Mundo, que o SBT também transmitia. Mas, como diria o grande filósofo brasileiro Sérgio Moro, esta última coisa “não vem ao caso”. No projeto de misses, Sílvio Santos também sucumbiu a deputadas do PT e PC do B, que consideravam os concursos uma forma descarada de “exploração da mulher e de sua dignidade”.
A não transmissão televisiva do concurso Miss Brasil entre 1990 e 2001 acabou com o interesse do público pelo certame, agora mais interessado em tratar do certame através de sites, blogs e redes sociais, molas propulsoras do que ainda resta de populaidade do certame, nas mãos da Band desde 2003. Definitivamente, nada trará de volta a audiência massiva que os concursos de misses tinham. Nem mesmo as tentativas de Marlene Brito e de Paulo Max (in memoriam) e seus herdeiros fizeram o Miss Brasil entrar na pauta da imprensa que, em pleno (des)governo de Fernando Henrique Cardoso, estava mais interessada em achar uma Linda Evangelista brasileira do que acabar com a seca de 48 anos sem títulos de Miss Universo e de 12 anos sem transmissão do certame.
A primeira onda de realities competitivos da TV aberta, iniciada em 2000, somada a matérias da imprensa sobre cirurgias plásticas em certas candidatas estaduais, motivou o então detentor da concessão do Miss Brasil, Boanerges Gaeta Júnior, a ir atrás de uma grande rede para transmitir o certame em 2001. Não foi atendido. Chamou a Miss Brasil de 1997, Nayla Micherif, que em nada lembrava os traços do sbtismo, para dirigir a etapa brasileira do Miss Universo. De 2002 a 2011, foram quatro classificações entre as semifinalistas do Miss Universo, incluindo um segundo e um terceiro lugar. E tais resultados só vieram graças ao acordo com a Band, firmado em 15 de março de 2003. Após a realização do Miss Universo 2011, em São Paulo, o Grupo Bandeirantes de Comunicação assumiu o controle do Miss Brasil e de tudo que fosse correlato aos interesses do Miss Universo no Brasil. No período da Band, o Miss Brasil experimentou (e ainda experimenta) uma violenta queda livre de telespectadores, média domiciliar e domicílios ligados no certame. A derrocada detalhada está na tabela abaixo

AUDIÊNCIA DO CONCURSO MISS BRASIL EM MÉDIA DOMICILIAR, TELESPECTADORES E DOMICÍLIOS NA GRANDE SÃO PAULO
Os dados são referentes às edições de 1981 a 1986 e 2002 a 2015
Ano Emissora Média Telespectadores Domicílios
1981 Record 40,0 N/D N/D
1982 SBT 38,4 N/D N/D
1983 SBT 35,0 N/D N/D
1984 SBT 35,0 N/D N/D
1985 SBT 25,0 N/D N/D
1986 SBT 22,0 1.267.000 680.000
1987 SBT N/D N/D N/D
1988 SBT N/D N/D N/D
1989 SBT 8,0 N/D N/D
2002 Rede TV! 5,0 400.000 237.500
2003 Band 7,0 560.000 339.423
2004 Band 7,0 1.180.564 339.500
2005 Band 6,0 1.020.000 285.000
2006 Band 6,0 1.056.000 313.800
2007 Band 4,5 802.350 244.800
2008 Band 4,3 946.000 238.650
2009 Band 5,0 1.100.000 291.500
2010 Band 3,5 577.451 204.050
2011 Band 3,0 550.560 174.705
2012 Band 2,0 367.040 120.408
2013 Band 3,9 724.674 241.632
2014 Band 2,9 560.514 189.082
2015 Band 2,2 435.956 147.648
EQUIVALÊNCIAS DE PONTO
1986: 55.000 telespectadores e 35.000 domicílios
2002: 80.000 telespectadores e 47.500 domicílios
2003: 80.000 telespectadores e 48.489 domicílios
2004: 168.652 telespectadores e 48.500 domicílios
2005: 170.000 telespectadores e 47.500 domicílios
2006: 176.000 telespectadores e 52.300 domicílios
2007: 178.300 telespectadores e 54.400 domicílios
2008: 220.000 telespectadores e 55.500 domicílios
2009: 220.000 telespectadores e 58.300 domicílios
2010: 164.986 telespectadores e 58.300 domicílios
2011: 183.520 telespectadores e 58.235 domicílios
2012: 183.520 telespectadores e 60.204 domicílios
2013: 185.814 telespectadores e 61.952 domicílios
2014: 193.281 telespectadores e 65.201 domicílios
2015: 198.162 telespectadores e 67.113 domicílios

LEGENDA UTILIZADA:
N/D = Não Disponível

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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