Em 1981, a Record, ainda com Sílvio Santos de sócio, chegava a 40 pontos com o concurso de Miss Brasil


Hoje em dia, essa marca é impossível de se atingir

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Facebook/Roberto Macedo


Trecho do anúncio que a Record de SS publicou, menos na Folha

Já declarado vencedor de um dos blocos de emissoras que o governo militar do general João Figueiredo (1918-1999) outorgaria a partir do inventário da Rede Tupi, o apresentador Sílvio Santos, à época com 50 anos, assumira a concessão do concurso de Miss Universo para o Brasil com a dura missão de manter o Miss Brasil no patamar de hegemonia que tivera nos 26 anos de administração dos Diários Associados. Na gestão do grupo fundado por Assis Chateaubriand (1892-1968), foram 19 classificações entre as semifinalistas do Miss Universo, incluindo os dois únicos títulos conquistados até agora pelo país – Ieda Maria Vargas (Miami Beach, 1963) e Martha Vasconcellos (Miami Beach, 1968).
Com o desafio de manter esse legado, Sílvio Santos usou a TV Record de São Paulo (à época, um dos braços da rede com a TVS do Rio de Janeiro) para transmitir o concurso Miss Brasil 1981, realizado no Palácio das Convenções de Anhembi, com candidatas dos 22 Estados, três dos quatro territórios, o Distrito Federal, mais uma candidata aclamada como Miss Sílvio Santos. De acordo com um anúncio feito à época pela Record/TVS, citando dados da Kantar Ibope Media, o certame teve média domiciliar de 40 pontos apenas na Grande São Paulo, marca essa impossível de se atingir nos dias atuais com a Rede Bandeirantes, que capenga para dar entre 2 e 3 pontos. O concurso de 2015, para se ter uma ideia, registrou apenas 2,2 de média.
Vários dos principais jornais do país, como O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, se recusaram a publicar um anúncio intitulado “Miss Audiência”, que exaltava o feito histórico do Miss Brasil. Nos dias atuais, dar 40 pontos de ibope é atribuição exclusiva de certas novelas e telejornais da Rede Globo, principal rival do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), rede que Sílvio Santos lançaria no dia 19 de agosto de 1981, em Brasília, rigorosamente um mês após a carioca Adriana Alves de Oliveira, vencedora do Miss Brasil 1981, ter participado do Miss Universo, realizado no Minskoff Theatre, em Nova York. Ela acabou na quarta colocação na disputa que envolveu candidatas de 76 países e territórios.
O SBT de Sílvio Santos deteve a concessão brasileira do Miss Universo até 1991. Em 1990, o concurso Miss Brasil não foi realizado e, pela única vez, o Brasil ficou sem representante na disputa internacional. Em 8 de novembro de 1989, Sílvio Santos e o empresário Paulo Machado de Carvalho (1901-1992) venderam as três emissoras da Rede Record – São Paulo, São José do Rio Preto e Franca – para o líder religioso Edir Macedo, 71, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A este, coube reerguer a Record das cinzas e torná-la a segunda maior rede de TV do país.
As informações de audiência desta matéria passarão a compor o histórico de audiência do concurso Miss Brasil, que o TV em Análise Críticas passará a elencar de 1981 até o presente.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Em 1981, a Record, ainda com Sílvio Santos de sócio, chegava a 40 pontos com o concurso de Miss Brasil

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