Para Donald Trump, denúncias do esquema de suborno no Miss Universo 2012 foram ‘plantadas’ por aliados de Hillary Clinton para tomar-lhe o controle da MUO


Candidato republicano à Casa Branca foi gestor do concurso entre 1996 e 2015

Da redação TV em Análise
(Atualizado em 22/8/2016 às 13h11)

Miss Universe Organization/Divulgação/19.12.2012


Ex-gestor do Miss Universo fez ataques anti semitas a Ari Emanuel

Uma nova denúncia pode provocar uma violenta reviravolta no caso do chamado “propinoduto da Olivia Culpo”, esquema de corrupção que culminou na eleição da candidata norte-americana no concurso Miss Universo 2012. Assessores do candidato do Partido Republicano à Casa Branca, Donald Trump, 70, informaram ao TV em Análise Críticas “terem provas” de que o esquema “não passou de um ardil de gente do Partido Democrata, sobretudo de gente como o presidente Barack Obama e da então Secretária de Estado, Hillary Clinton”. De acordo com os representantes da campanha de Trump, as acusações de que jurados teriam recebido propinas para votar a favor de Culpo em detrimento das outras 88 candidatas nacionais “não passaram de farsa destinada a blindar candidatas de paúses de tendências bolivarianas, como é c caso de Brasil, Venezuela, Angola, Colômbia e Peru, por exemplo”.
Outra ala da campanha de Trump sustenta que as denúncias “partiram de um louco e idiota chamado Ari Emanuel, paga-pau do Hamas e do Estado Islâmico travestido de empresário visionário de entretenimento e agente de aliados de Hillary como (a cantora) Katy Perry, a família Kardashian e atores como Jane Lynch, de Glee“. No entanto, os representantes de Trump esquecem que era uma funcionária contratada por ele, a executiva de televisão Paula Shugart, quem presidia (e ainda preside) a Miss Universo Organization na época em que as denúncias eclodiram, principalmente através de matérias veiculadas no Críticas. “Para Trump, Paula é uma grande profissional de televisão e filántropa exemplar. Mas como dirigente do Miss Universo, se mostrou uma negação ao ser omissa com as irregularidades denunciadas por esse judeu fedorento que se chama Ari Emanuel”, diz a nota apócrifa, supostamente de gente de Trump.
Entre as empresas que teriam participado do esquema de proponas para eleger Culpo como Miss Universo 2012 estão as petrolíferas ConocoPhillips, Chevron e ExxonMobil, que teriam oferecido US$ 11,5 milhões para comprar os votos de cinco jurados da fase final do certame: o empresário e astro de realities Scott Disick, o fotógrafo inglês Nigel Barker, a modelo americana Claudia Jordan, o chef japonês Masaru Morimoto e o apresentador de tevê e estrela de reality Brad Goreski. Todos negam ter recebido propinas e alegaram ter votado de acordo com as suas próprias escolhas, devidamente auditadas à época pela empresa Ernst&Young.
Em 25 de julho, o Críticas relatou que a empresa alimentícia brasileira JBS, dona da marca Friboi, teria oferecido malotes com cheques de US$ 50 mil destinados a Disick, deixados no apartamento deste no Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas, local que sediou a disputa, acompanhados de bilhetes com os dizeres “Não vota na guria e tu eleges a ianque. PT Saudações”, “Ao Lorde Disick e às criancinhas, com carinho” e “Quando que o Lorde Disick dará as caras nos Pampas?”. “Guria” é a candidata brasileira Gabriela Markus, quinta colocada no certame, “ianque” é Culpo, “Lorde Disick” é Scott Disick, “Pampas” é o Rio Grande do Sul, Estado natal de Markus, “PT Saudações” se refere ao senador Paulo Paim (PT-RS), que fizera da tribuna do Senado discursos saudando as vitórias gaúchas no Miss Brasil desde 2006 e “Criancinhas” se refere à então namorada de Scott, a socialite e empresária Kourtney Kardashian, 36, e seus filhos. A assessoria da JBS negou ter oferecido qualquer dinheiro “a eventos que não estejam sob seu patrocínio, o que é o caso do concurso de Miss Universo”.
Em 24 de março de 2013, o Críticas apontou que outra jurada do certame, a empresária e socialite anglo-americana Lisa Vanderpump, teria recebido nove cheques administrativos de US$ 37.497,50, de empresários ligados à máfia russa. De acordo com a Promotoria do Estado de Rhode Island, verbas federais que deveriam ir para as cidades afetadas pelo furacão Sandy foram desviadas para compor o “propinoduto da Olivia Culpo”.
Também teriam participado do esquema outras 21 empresas e entidades – D&D Investments, firma de fachada sediada em Potomac (Maryland), que detinha as concessões do Miss USA para os Estados de Delaware, Illinois, Maryland, Nova Jérsei além de Rhode Island, Estado natal de Culpo, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), os partidos PSDB, Democratas e PPS, os grupos de mídia Comcast, Globo e RBS, as empresa de eventos Enter – Entertainment Experience, detentora da concessão do Miss Universo para o Brasil (já extinta) e Geo Eventos, o Instituto Millenium, a Gaeta Promoções e Eventos, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o Tea Party, as empreiteiras Blackwater, Bechtel e Norberto Odebrecht, Febracos (Federação Brasileira dos Colunistas Sociais), UDR (União Democrática Ruralista), Grêmio de Football Porto-Alegrense e Prefeitura Municipal de Teutônia. Todas negam envolvimento.
A Miss Universe Prganization foi vendida por Trump ao grupo de entretenimento WME/IMG, presidido por Ari Emanuel, na manhã de 14 de setembro de 2015, por US$ 28 milhões. Antes de Trump, a empresa organizadora do Miss Universo passara pelas mãos dos grupos Pacific-Mills, Gulf + Western, Paramount Communications e MSG Entertainment. Durante a gestão Trump, a MUO formou joint-ventures com as redes de televisão que faziam a geração internacional do Miss Universo – CBS (1996-2002) e NBC (2003-2014). O fato que acelerou a venda da MUO de Trump a Emanuel foi uma declaração verborrágica do então pré-candidato contra imigrantes ilegais mexicanos, por ele chamados de “traficantes de drogas”, “estupradores”, “criminosos” e “contrabandistas”. Como resultado, a NBCUniversal e a Univisión rescindiram seus contratos com Trump e a MUO perdeu quatro de seus cinco principais patrocinadores para o Miss USA 2015, realizado em Baton Rouge. Coordenações nacionais do Miss Universo na América Latina romperam com Trump como forma de pressioná-lo a vender o certame, o que acabou sendo consumado. O Miss Universo 2015 foi realizado no mesmo local do Miss Universo 2012, no dia 20 de dezembro, já sob a nova administração, dona também do UFC.

Outro lado

Procurada pela reportagem do Críticas, a direção da WME/IMG informou que não vai se pronunciar sobre o que chama de “acusações do ex-gestores” da Miss Universe Organization e anunciou que vai tomar “as medidas judicais cabíveis contra aqueles que querem denegrir a imagem de uma empresa séria, que pretende revitalizar uma das mais importantes marcas representativas da beleza feminina em todo o mundo”.
Sem citar o nome de Trump, a WME/IMG repudiou o que chamou de “conduta inadequada de alguém que diz estar preparado para governar os destinos dos americanos pelos próximos quatro anos e se vale dessa condição para macular um concurso de beleza que, em 65 anos, se preocupou em aliar beleza, empoderamento, responsabilidade social e confiança, valores esses pregados pela Miss Universe Organization”.
Os ataques de Donald Trump a Ari Emanuel ocorrem a menos de cinco meses da realização do concurso Miss Universo 2016, nas Filipinas, no dia 29 de janeiro de 2017, nove dias após a posse do sucessor (ou sucessora) de Obama, 55. Cinco cidades – Angeles, Antipolo, Bocaue, Pasay e Quezón – disputam o direito de sediar o certame, que será exibido para 213 países e territórios. A distribuição internacional é da Alfred Haber.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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