Assunto da semana: Aos vencedores, as batatas


A grande jornada televisiva cansativa da Olimpíada Rio 2016

Yasuoshi Chiba/AFP/10.08.2016

Espraiada por 26 canais de oito emissoras de cinco grupos – Globo, Record, Band, FOX Sports e ESPN, a 31ª Olimpíada de Verão (sic) da Era Moderna acaba hoje, a despeito de, em certos dias do vôlei de praia, parecer mais a Olimpíada de Inverno sem neve, mas com o calor constante do meu Rio de Janeiro. Sem contar os 40 sinais de Internet do Sportv, a última olimpíada da televisão analógica para boa parte do país (exceto a cidade goiana de Rio Verde) se marcou por medalhas de ouro, prata, bronze e latão, a depender do gosto.

TV Globo/Divulgação/05.08.2016

Numa antítese do que veremos em Tóquio 2020 (quando as provas começarão à noite e avançarão até a parte da manhã, pelo horário de Brasília), reservaram-se dias inteiros a ponto de obrigar a maior rede do país, a Globo, a entrar numa jornada de sacrifício jamais pensada para sua grade. Se há duas décadas, em Atlanta, a mesma Globo se esquivava de mostrar boa parte das provas em favor do “sanduíche Walter Clark”, para hoje, a mentalidade pós-Boni ergueu uma cortina de vidro diante do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

Benoit Tessier/Reuters (via O Globo)

Até o fechamento deste texto, no início da tarde desta quinta-feira (18), o Brasil contabilizava 13 medalhas, incluindo três ouros. Até o momento que este texto for às mãos dos assinantes do Jornal Meio Norte e já estiver nas bancas, a conta já terá mudado. Mas nada que tire o sentido de espetáculo dado à Cerimônia de Abertura da sexta-feira, 5 de agosto, com atos musicais censurados pela rede americana NBC, como os de Anitta, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Elza Soares. A NBC de tantos Emmys desta vez fez feio aos americanos.

J.P.Engelbrecht e Paulo Araújo/Prefeitura do Rio/Divulgação/05.08.2016

Independente da audiência alcançada pelo bloco olímpico Globo-Record-Band-ESPN-FOX, que só não foi superior às ultra piruetas da Simone Biles, a Olimpíada Rio 2016 entra para a história como uma consolação a Buenos Aires, que perdeu a postulação olímpica de 2004 para Atenas. Com a Olimpíada da Juventude de 2018 a caminho, os argentinos podem ter aprendido com os colegas brasileiros o que devem fazer para disputar uma sede olímpica de verão (ou inverno) no futuro. Aos hermanos, a lição já está dada. Boa semana a todos.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (21/8)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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